A camisinha continua sendo o método efetivo na prevenção contra o HIV, hepatites virais, sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), além de evitar gestações não planejadas. Em 2026, o Dia do Preservativo cai numa sexta-feira 13 de fevereiro e coincide com o início oficial das festividades de Carnaval em todo o Brasil. A data ganha um peso extra este ano: o Ministério da Saúde acendeu o alerta para a baixa adesão ao uso da camisinha, mesmo com a ampla oferta gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A última Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com pessoas com 18 anos ou mais de idade, mostrou que nos 12 meses anteriores à data da entrevista, 22,8% relataram usar preservativo em todas as relações sexuais. Ou seja, aproximadamente 26,6 milhões de pessoas. Outras 17,1% afirmaram usar às vezes e 59% dos entrevistados, nenhuma vez.

Outro dado importante vem do Ministério da Saúde: entre jovens de 15 a 24 anos, apenas 56,6% usam camisinha, o que ainda deixa uma margem perigosa de vulnerabilidade. A queda segue tendência mundial. Em 2024, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou relatório realizado em diversos países europeu, apontou a redução do uso de preservativos no público jovem.

Para tentar reverter esses números, o governo federal distribuiu 138 milhões de preservativos nos últimos meses. A grande aposta para 2026 é a diversidade do estoque, que agora inclui versões texturizadas (TEX) e ultrafinas (SENSI), visando maior conforto e prazer, eliminando as principais queixas que levam ao abandono do método., chamando a atenção, especialmente, de jovens e jovens adultos.

Novas camisinhas oferecem maior conforto

Esse é o primeiro carnaval com a oferta dos novos modelos de camisinha. A ação busca conscientizar foliões sobre a importância do sexo seguro com uso de preservativos e outros métodos de prevenção durante todo o ano.

Do total de preservativos distribuído para reforçar os estoques e atender a demanda do carnaval, cerca de 132 milhões são externos, texturizados e ultrafinos, e 3,8 milhões são preservativos internos de látex ou nitrílica.

A diversificação da oferta visa estimular o uso contínuo e correto do preservativo, tornando-o mais atraente e atendendo às diferentes preferências da população. Essa ação responde a desafios identificados nos últimos anos: a queda no uso de preservativos, sobretudo entre jovens.

Isso aqui é muito importante: 60% da população não usa preservativos nas relações sexuais. Tudo o que a gente puder colocar disponível no SUS para incentivar as pessoas a usarem, nós faremos, porque previne doenças e protege a nossa população”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Campanha alerta para cuidado antes, durante e depois da folia

Sob o mote “Carnaval com prevenção. Antes, durante e depois da folia, é o Governo do Brasil do seu lado”, a campanha é protagonizada pela cantora Gaby Amarantos, com objetivo de fortalecer identidade cultural do Carnaval brasileiro.

Símbolo de alegria, diversidade e representatividade, a artista dá voz à mensagem de prevenção e amplia o alcance da ação em todo o país, ajudando a romper barreiras regionais e a transformar a prevenção combinada em um movimento vibrante e acessível.

A campanha também reforça toda a oferta de proteção às doenças sexualmente transmissíveis no SUS e que a prevenção pode ocorrer de forma combinada: além do uso de preservativos, por meio da vacinação contra hepatites, da testagem rápida, do uso da Prep – Profilaxia Pré-Exposição e da PEP – Profilaxia Pós-Exposição, entre outras.

No SUS tem prevenção combinada

A ação reforça que a prevenção deve acontecer de forma integrada e permanente, organizada em três momentos fundamentais: Antes da folia, o foco está na preparação, com o uso da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), que prepara o organismo para enfrentar possível contato com o HIV; a vacinação contra hepatite A, hepatite B e HPV, além da testagem para HIV, sífilis, hepatites B e C e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

Durante o Carnaval, a campanha incentiva o uso dos preservativos externos SENSI e TEX, preservativos internos e gel lubrificante. Depois da folia, o cuidado segue com a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), que pode ser utilizada em até 72 horas após uma situação de risco, além da realização de autoteste de HIV.

As Unidades Básicas de Saúde estão abastecidas com preservativos internos e externos, testes rápidos de HIV, sífilis e hepatites virais e autoteste de HIV, vacinas e profilaxias pré e pós exposição. Essas opções, quando combinadas, protegem ainda mais você e a festa fica mais segura”, informou Padilha.

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Brasil elimina transmissão vertical do HIV e alcança menor taxa de mortalidade

Brasil apresentou queda de 13% no número de óbitos por aids entre 2023 e 2024, registrando 9,1 mil mortes no último ano. Pela primeira vez em três décadas, o número ficou abaixo de dez mil óbitos. Os dados são do boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde em dezembro de 2025 e refletem os avanços em prevenção, diagnóstico e terapias capazes de tornar o vírus indetectável e intransmissível.

Essa combinação também levou à eliminação da transmissão vertical da doença, quando ocorre da mãe para o bebê. A eliminação da transmissão vertical como problema de saúde pública ocorreu devido à taxa abaixo de 2%. A incidência da infecção em crianças ficou abaixo de 0,5 caso por mil nascidos vivos.

O Brasil também atingiu mais de 95% de cobertura em pré-natal, testagem para HIV e oferta de tratamento às gestantes que vivem com o vírus. Isso significa que o país interrompeu, de forma sustentada, a infecção de bebês durante a gestação, o parto ou a amamentação, atingindo integralmente as metas internacionais. Os resultados estão em linha com os critérios da OMS.

Cuide-se

Para curtir o Carnaval de forma tranquila, lembre-se dessas dicas:

  • Beba água para se hidratar
  • Use protetor solar
  • Se for viajar para área de mata, vacine-se contra Febre Amarela
  • Previna-se contra HIV, hepatites B e C, sífilis e outras ISTs
  • Se precisar, procure uma Unidade de Saúde.

O que fazer em caso de exposição de risco

Se durante a folia ocorrer o rompimento do preservativo ou uma relação desprotegida, a orientação é clara: procurar imediatamente uma unidade de saúde. O SUS oferece a PEP (Profilaxia Pós-Exposição), um tratamento antirretroviral que deve ser iniciado em até 72 horas após o contato sexual para prevenir a infecção pelo HIV.

Dica para os foliões: Além de carregar a camisinha, mantenha-se hidratado e evite o consumo excessivo de álcool, que muitas vezes compromete a capacidade de decisão e o uso correto do preservativo.

Para saber mais sobre a campanha oficial e os locais de retirada de kits, acesse o portal oficial do Ministério da Saúde.
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