Estima-se que entre 3% a 5% da população mundial tenha algum tipo de aneurisma cerebral, sendo que muitos casos permanecem assintomáticos até que ocorra uma ruptura. A detecção precoce é fundamental para evitar complicações graves, como hemorragias cerebrais, segundo especialistas.

Os dados mais recentes do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram a dimensão do problema e a importância dos avanços na área. Entre 2017 e 2022, o Brasil registrou mais de 61 mil internações por hemorragia subaracnóide aneurismática, uma das complicações mais graves da doença, com taxa média de mortalidade hospitalar próxima de 20%.

No mesmo período, foram realizados 8,2 mil procedimentos endovasculares em todo o país, número que confirma a expansão da técnica na rede pública e o impacto das inovações médicas sobre a sobrevida dos pacientes.

Kim Kardashian associa diagnóstico de aneurisma a estresse da separação

Kim Kardashian já revelou sofrer com lúpus, uma doença autoimune (foto: Reprodução de internet)

No ano passado, a socialite americana Kim Kardashian revelou seu diagnóstico de aneurisma cerebral e mencionou que o estresse relacionado ao conturbado processo de divórcio com Kanye West teria contribuído para o agravamento de sua saúde.

Essa associação destaca a importância de fatores emocionais no desencadeamento de condições neurológicas, como o aneurisma cerebral, que é caracterizado pela dilatação anormal de uma artéria no cérebro, podendo levar a rupturas com risco de vida”, destaca a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN).

O que é o aneurisma cerebral

aneurisma cerebral é uma dilatação localizada na parede de uma artéria, provocada pela fragilidade da estrutura do vaso. Pode variar de poucos milímetros a mais de dois centímetros e, em grande parte dos casos, não apresenta sintomas. Quando se rompe, provoca uma hemorragia subaracnóide, quadro grave que pode levar à morte.

Os sinais de ruptura são característicos e exigem atendimento imediato: dor de cabeça súbita e intensa, perda de consciência, rigidez no pescoço e alterações visuais. Metade dos pacientes não sobrevive à hemorragia, e muitos dos sobreviventes desenvolvem sequelas neurológicas permanentes”, explica a neurocirurgiã Ingra Souza, especialista da SBN que atende no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

Fatores de risco e diagnóstico precoce

Os aneurismas cerebrais são mais frequentes em mulheres e em pessoas com mais de 40 anos. Fatores como hipertensão arterial, tabagismo, histórico familiar, uso de drogas ilícitas e doenças genéticas, como a síndrome de Marfan e a doença renal policística, aumentam o risco de desenvolvimento da condição.

O diagnóstico ocorre por meio de exames de imagem como: ressonância magnética, tomografia computadorizada e angiografia cerebral, que permitem identificar a dilatação e definir a melhor estratégia terapêutica. “O rastreamento em pessoas com histórico familiar é essencial. Detectar o aneurisma antes da ruptura pode evitar complicações graves e até salvar vidas”, destaca a neurocirurgiã.

Apesar do progresso no tratamento desta condição nas últimas décadas, a maioria dos diagnósticos ainda ocorre em estágios avançados, quando o aneurisma já apresenta risco de ruptura. Especialistas destacam a necessidade de ampliar o rastreamento preventivo e o acesso ao diagnóstico precoce, medida capaz de salvar vidas e reduzir sequelas neurológicas permanentes.

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Técnica moderna reduz riscos do aneurisma cerebral

Avanço acelera a recuperação e redefine os padrões da neurocirurgia moderna

A neurocirurgia vive uma nova fase com o avanço das técnicas minimamente invasivas. O tratamento endovascular, que dispensa a abertura do crânio, já se consolidou como uma das principais alternativas para pacientes com aneurisma cerebral, dilatações nas paredes das artérias do cérebro que podem causar hemorragias fatais quando se rompem.

De acordo com  Ingra Souza, especialista em cirurgias de crânio, coluna e dor e coautora do estudo “Therapeutic anticoagulation for venous thromboembolism after recent brain surgery” (Clin Neurol Neurosurg, 2020). o avanço representa uma mudança profunda na forma de tratar doenças neurológicas graves.

Durante muitos anos, o tratamento dos aneurismas exigia cirurgias abertas e longos períodos de recuperação. Hoje, conseguimos acessar o interior dos vasos cerebrais por dentro do sistema circulatório, o que reduz o trauma cirúrgico e devolve qualidade de vida ao paciente em menos tempo”, afirma.

Como funciona o tratamento endovascular

No procedimento conhecido como embolização, o neurocirurgião realiza uma pequena incisão na virilha e insere um cateter fino que percorre o sistema vascular até o cérebro. No local do aneurisma, são aplicados dispositivos como espirais metálicas (coils) ou stents, que bloqueiam o fluxo sanguíneo dentro da dilatação e impedem o rompimento.

O diferencial está na precisão e na segurança. O tratamento é feito sem abrir o crânio, com menor risco de complicações e tempo de internação reduzido. Em geral, o paciente recebe alta em dois ou três dias e retorna às atividades em pouco tempo”, explica a Dra. Ingra Souza.

Nem todos os casos são indicados para o tratamento endovascular. O formato, o tamanho e a localização do aneurisma definem a conduta mais adequada. Em situações específicas, a cirurgia aberta ainda é necessária. Após o tratamento, o acompanhamento neurológico é indispensável para garantir a oclusão completa do aneurisma e prevenir recidivas.

Para a Dra. Ingra Souza, a técnica endovascular representa uma das maiores conquistas da medicina contemporânea. “Tratar um aneurisma cerebral sem abrir o crânio simboliza a união entre tecnologia e cuidado humano. É uma mudança de paradigma que salva vidas, reduz sequelas e permite que o paciente retome sua rotina com segurança e autonomia”, conclui.

Samba em luto: mais sobre a morte de Adriana Araújo

Adriana Araújo era reconhecida como uma das principais vozes do samba da nova geração em Minas Gerais. Ela  nasceu na comunidade Pedreira Prado Lopes, na Lagoinha, uma área conhecida como um dos berços do samba em BH. Ela era casada com Evaldo Araújo e deixou um filho de 13 anos, Daniel.

Hoje nos despedimos da nossa amada Adriana Araújo. Adriana foi muito mais do que uma grande voz do samba. Foi abraço largo, sorriso fácil, coração generoso e uma alegria de viver que iluminava todos ao seu redor. O samba sentirá profundamente sua ausência, mas não apenas ele. Sentirão falta de todos que um dia recebeu seu carinho, sua escuta atenta e seu caloroso abraço”, disse nota de falecimento.

Adriana deixa um legado de valorização do samba mineiro e de protagonismo feminino no gênero. A trajetória na música começou em 2008, quando foi convidada para cantar a música “Nasci para Cantar e Sonhar”, de Dona Ivone Lara, em um show em Belo Horizonte.

Em 2011, passou a integrar o grupo Simplicidade Samba. Já em carreira solo, dividiu o palco com nomes importantes do samba brasileiro, como Diogo Nogueira e Jorge Aragão. Em 2021, lançou o disco “Minha Verdade”, trabalho que marcou uma fase mais autoral da carreira. No ano passado, Adriana também participou do programa “Samba Delas“, produzido pela Globo, que destacou a força feminina na construção e no fortalecimento do samba em Belo Horizonte.

Com G1 e assessorias

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