Amazônia e mudanças climáticas em pauta no Rio

Museu do Amanhã debate desenvolvimento sustentável na Amazônia e impactos ambientais nos movimentos migratórios

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É em meio à enorme polêmica em torno de um decreto (mais um) do presidente Michel Temer, desta vez ameaçando o futuro do maior pulmão do planeta, que se comemora o Dia da Amazônia nesta terça-feira, dia 5 de setembro. No Rio de Janeiro, a data não passará em branco. Um debate sobre o desenvolvimento sustentável na Amazônia vai acontecer pela manhã no Museu do Amanhã. No mesmo local, à tarde, um seminário vai discutir os impactos das mudanças climáticas nos movimentos migratórios em todo o mundo.

O encontro ‘Vidas Deslocadas – Diálogos sobre Mudanças Climáticas e Mobilidade Humana’ faz parte da mostra temporária que ficará em cartaz até 10 de setembro no Museu. Inaugurada em homenagem ao Dia Mundial do Refugiado (20 de junho), a exposição apresenta por meio de cenografia, textos e fotos algumas causas dos deslocamentos forçados por mudanças climáticas e desastres ambientais.

Como conciliar os interesses de todos na Amazônia?

O decreto de Temer que extingue a Reserva Nacional de Cobre e Seus Associados (Renca), abrindo a Amazônia para grandes grupos mineradores, acabou suspenso por 120 dias após forte pressão popular, mas como equilibrar preservação ambiental e desenvolvimento econômico sustentável na região? É o que o encontro promovido pela ong The Nature Conservancy (TNC) e o banco Santander vai discutir a partir das 9h30.

O debate analisa a questão da Amazônia sob vários aspectos e interesses – financeiro, do agronegócio, das comunidades indígenas e dos especialistas ambientais. Entre os temas está a avaliação dos custos social e ambiental dos projetos de infraestrutura realizados na área da floresta. A TNC apresentará um estudo sobre a Bacia do Tapajós, que propõe a construção de uma visão ambiental e territorial para o futuro da região.

Especialistas reconhecidos mundialmente estarão reunidos no evento, entre eles o pensador e membro do Conselho Global de Recursos Naturais do Fórum Econômico Mundial, Juan Carlos Castilla-Rubio. Sueli Araújo, presidente do Ibama; Sérgio Rial, presidente do Santander Brasil, e Joe Keenan, vice-presidente da TNC para a América Latina, estão confirmados.

Mobilidade humana forçada

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“Milhões de pessoas no mundo são obrigadas a se mover, a cada ano, por causa de desastres naturais. E como os impactos da ação humana na natureza e no clima podem gerar consequências muito grandes para a população”, destaca o diretor de Conteúdo do Museu do Amanhã”, Alfredo Tolmasquim. O seminário ‘Vidas Deslocadas’ acontece das 15h às 17h30, no Museu do Amanhã. A inscrição é gratuita e pode ser feita no site da instituição – veja a programação. As vagas são limitadas.

Na ocasião, o ACNUR (Agência da ONU para Refugiados) apresentará as consequências da degradação ambiental e dos desastres naturais sobre situações de deslocamento forçado no mundo. A OIM (Agência das Nações Unidas para as Migrações) mostrará dados sobre o Brasil referentes a um estudo regional sobre migrações ambientais. E o ONU-Habitat (Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos) terá foco no planejamento urbano e na preparação e resiliência das cidades neste contexto. Também estarão presentes especialistas da ONU Meio Ambiente e representantes do governo brasileiro e da sociedade civil.

O seminário é o segundo de quatro encontros dos “Diálogos Estratégicos sobre Mudanças Climáticas”, uma iniciativa do Sistema ONU no Brasil que está sendo organizada pela ONU Meio Ambiente e que integra o Marco de Parceria para o Desenvolvimento Sustentável 2017-2021. Os “Diálogos” se relacionam com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a Agenda 2030, que promovem o gerenciamento adequado de recursos naturais e reconhecem a contribuição dos diferentes movimentos migratórios ao desenvolvimento sustentável. O tema contribuiu ainda para a discussão do Pacto Global previsto pela Declaração de Nova York sobre Refugiados e Migrantes, adotado no ano passado por diversos países – inclusive o Brasil.

Amazônia mais do que legal

Com 6,9 milhões de quilômetros quadrados em nove países sul-americanos (Brasil, Bolívia, Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa), a Amazônia tem uma das maiores biodiversidades do mundo. São cerca de 40 mil espécies de plantas e mais de 400 mamíferos, além de aproximadamente 1.300 pássaros, 3.000 espécies de peixes e milhões de insetos. O Brasil engloba cerca de 60% da bacia amazônica, cobrindo 4,2 milhões de quilômetros quadrados (49% do território nacional) em nove estados (Amazonas, Pará, Mato Grosso, Acre, Rondônia, Roraima, Amapá, parte do Tocantins e parte do Maranhão).

O bioma também possui a maior bacia hidrográfica do mundo, com cerca de 1/5 do volume total de água doce do planeta. Em seu entorno vivem 24 milhões de pessoas, incluindo mais de 342 mil indígenas de 180 etnias diferentes. A importância da Amazônia para o mundo é proporcional à sua extensão. A Amazônia influencia o suprimento de água, melhora a qualidade do ar que respiramos além de nos fornecer alimentos, matérias primas, medicamentos entre muitos outros. No entanto, nos últimos 40 anos, mais de 1/5 da floresta foi desmatada, e esses números aumentam a cada dia.

Fonte: TNC, Museu do Amanhã e ONU

 

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