‘A tempestade perfeita’: Brasil terá epidemias de coronavírus, dengue e gripe

Alerta é do secretário de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde. ‘Estamos no início. Ainda é precoce avaliar impactos’

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O número de casos de novo coronavírus cresce a cada dia em progressão geométrica no Brasil: foram 2.915 casos confirmados e 77 mortes nesta quinta-feira (26). Mas a pandemia está apenas começando e será agravada pela esperada chegada de outros dois velhos conhecidos da população brasileira – os vírus da dengue e da gripe, que costumam atacar a partir do final de abril.

O secretário de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, alerta que o Brasil enfrentará as três epidemias ao mesmo tempo, o que pode aumentar as perdas humanas e gerar prejuízos incalculáveis ao sistema de saúde.

Teremos coronavírus, influenza e pico de dengue. Estamos com três epidemias simultâneas. Aproveitem que estão em casa e limpem o quintal, eliminem focos de dengue e vacinem-se conforme o calendário. Se faltou vacina, converse com o gestor e pergunte em que dia voltar”, recomendou.

Ele voltou a defender o isolamento social como medida eficaz para achatar a curva de crescimento do coronavírus no Brasil, o que significa frear a velocidade de expansão. Se a estratégia é adotada, o novo vírus atinge menos pessoas, um número menor de doentes chega aos hospitais e mais mortes podem ser evitadas.

“Vamos transformar essa montanha num morrinho. Ainda estamos no pé da montanha”, disse. Segundo Oliveira, o país ainda está no ‘pé da montanha’ e é impossível prever quantos casos e mortes terá quando chegar ao topo. Pelas contas do Ministério, as infecções pelos vírus influenza costumam se elevar a partir de abril , o que vai coincidir com a multiplicação dos casos de coronavírus.

Os próximos 30 dias serão a fase crítica , com aumento de casos. O número de casos vai depender da  transmissão  e do número de testes  que vamos fazer. Não vamos fazer previsão de quantos casos, nem quantas mortes. Vamos fazer o possível para ter os menores números entre 30 e 60″, disse João Gabbardo, secretário executivo do Ministério.

No dia que completou um mês da confirmação da chegada do coronavírus no Brasil, o Ministério da Saúde confirmou 77 mortes, sendo 58 em São Paulo e 9 no Rio de Janeiro. Ceará e Pernambuco registram três mortes cada. Amazonas registra uma morte, assim como o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A região Centro-Oeste entrou na lista de óbitos, com uma morte em Goiás.


Assista, na íntegra, à coletiva com a atualização dos casos – 26.03.2020

orientações para velórios e enterros

O Ministério da Saúde publicou na noite de quarta-feira (25) o Guia para o Manejo de Corpos no Contexto do Novo Coronavírus – COVID-19. O protocolo traz as recomendações de como devem ser realizados os funerais, o manuseio do cadáver nos hospitais, em domicílio e em espaço público. O documento serve para orientar as equipes de saúde de medicina legal e funerárias.

De acordo com o protocolo, os falecidos devido à COVID-19 podem ser enterrados ou cremados, mas os velórios e funerais de pacientes confirmados ou suspeitos da doença, que juntem muitas pessoas em um ambiente fechado, não são recomendados. Neste caso, o risco de transmissão também está associado ao contato entre familiares e amigos.

Por isso, a cerimônia de sepultamento deve ocorrer em lugares ventilados e, de preferência, abertos. Além disso, a recomendação é que contem com no máximo 10 pessoas, respeitando a distância mínima de, pelo menos, dois metros entre elas, bem como outras medidas de isolamento social e de etiqueta respiratória. Essa recomendação deverá ser observada durante os períodos com indicação de isolamento social ou quarentena pelo gestor local ou federal.

Durante todo o velório o caixão deve permanecer fechado para evitar qualquer contato com o corpo. O protocolo recomenda ainda que seja evitada a permanência de pessoas que pertençam ao grupo de risco: idade igual ou superior a 60 anos, gestantes, lactantes, portadores de doenças crônicas e imunodeprimidos. Além disso a presença de pessoas com sintomas respiratórios também deve ser evitada como, por exemplo, febre e tosse.

MANEJO PELOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE

A transmissão de doenças infecciosas, como a COVID-19, também pode ocorrer por meio do manejo de corpos. Isso é agravado por uma situação de ausência ou uso inadequado dos equipamentos de proteção individual (EPI). Nesse contexto, os profissionais envolvidos com os cuidados com o corpo ficam expostos ao risco de infecção. Por isso, é fundamental que estejam protegidos da exposição a sangue e fluidos corporais, objetos ou outras superfícies contaminadas. Não são recomendadas autópsias.

Se a pessoa confirmada ou suspeita de infecção por coronavírus falecer em casa é necessário comunicar a morte imediatamente ao serviço de saúde, como aos Bombeiros ou ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192), ou mesmo ao médico de confiança da família, que não dever ter contato com o corpo. As pessoas que moram com o falecido deverão receber orientações de desinfecção dos ambientes e objetos, usando água sanitária. A retirada do corpo deve ser feita por uma equipe de saúde, observando as medidas de precaução individual como o uso dos EPIs.

Saiba mais sobre coronavírus

O Ministério da Saúde destaca ações que estão sendo feitas para melhorar a capacidade de resposta do país diante da pandemia. Dentre elas, a aquisição, por meio de compra e doações, de 22,9 milhões de testes que estão sendo distribuídos para diagnosticar a Covid-19.

Além disso, a pasta liberou cerca de R$ 1 bilhão aos estados e municípios para fortalecimento das ações locais no combate ao coronavírus. O Ministério da Saúde também reconhece que existem desafios a serem superados, especialmente por causa do início da sazonalidade, ou seja, maior circulação de vírus respiratórios no Brasil.

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo, reforça que a população siga as recomendações de evitar aglomerações e que idosos fiquem em casa. “Embora não dê para fazer uma previsão de quantos casos teremos nas próximas semanas, sabemos que o número vai aumentar, especialmente porque estamos adquirindo mais testes e vamos diagnosticar mais. Pode ser que a situação no Brasil seja melhor que a da Itália, nas próximas semanas, mas tudo depende do comportamento do vírus”, explicou Gabbardo.

Ele destacou ainda duas diferenças importantes que o Brasil tem em comparação com a Itália. “A primeira diz respeito à faixa etária, já que a população italiana é mais idosa que a brasileira. A segunda é que o Brasil tem três vezes mais leitos de UTI que o país europeu”, informou.

Para o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, ressaltou que durante esse mês da presença do vírus no Brasil foi possível comprovar a robustez do sistema de vigilância brasileiro.

Estamos trabalhando para melhorar ainda mais a vigilância laboratorial e estamos conseguindo informar de forma transparente. No entanto, estamos com dificuldade de obter insumos e equipamentos e esse é um problema mundial neste momento. Nosso maior desafio agora é monitorar a ocorrência de influenzas simultaneamente aos casos de coronavírus, porque estamos na sazonalidade de circulação de vírus respiratórios”, completou o secretário.

Nova plataforma

Nesta quinta-feira (26), o Ministério da Saúde lançou a nova plataforma de dados do coronavírus: covid.saude.gov.br. Ela traz o número de casos e mortes nacionais e por estados, além do número de pessoas internadas e que já receberam alta hospitalar. O painel de dados traz ainda a atualização de casos novos por dia, permitindo uma análise do comportamento do vírus com o passar do tempo. Por fim, a nova ferramenta traz um gráfico de dados acumulados apontando a curva epidêmica da doença.

Para o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, a plataforma é uma ferramenta importante para o acompanhamento diários das informações mais atualizadas da doença. “Isso reforça nosso compromisso de trazer informações com transparência. Com a plataforma será possível enxergar melhor o comportamento do vírus no Brasil considerando as características de cada estado, visto que o Brasil é um país continental”, concluiu.

Clique para ver a apresentação em power point

Um bot (robô de atendimento automático) receberá perguntas e fornecerá orientações sobre o coronavírus. A programação do robô inclui recomendações sobre como agir frente a casos suspeitos, formas de contaminação, prevenção, ações do Ministério e desmistificação de boatos sobre o vírus.

O bot criado pelo WhatsApp está sendo oferecido pelo Facebook aos países como forma de auxiliar no combate à pandemia. No Brasil, a parceria fechada com o Ministério da Saúde reforça a estratégia de comunicação do Governo Federal desde o início da crise: transparência, clareza e sistematização nas mensagens mandadas à população.

“Desde o início da circulação do coronavírus no mundo, o Ministério da Saúde trata com total transparência as informações referentes ao tema. Esta ferramenta permitirá mais um contato imediato do cidadão com as diretrizes oficiais e informações verídicas, diretamente da fonte, evitando equívocos em um momento de cuidado extremo”, reforça o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Para acessar o bot do WhatsApp clique aqui (para celular)

Pelo celular, pode ser utilizado o link ou salvar o número +55 (61) 9938-0031 à agenda do telefone e iniciar uma conversa com um “Oi”.

Veja onde estão os casos de coronavírus

IDUFCONFIRMADOSÓBITOS
N%
NORTE – Total:  126 (4,3%)
1AC2400 %
2AM6711,5%
3AP200 %
4PA1300 %
5RO500 %
6RR800 %
7TO700%
NORDESTE –  Total:  457  (15,7%)
8AL1100%
9BA10400%
10CE23531,3%
11MA1000%
12PB500%
13PE4836,2%
14PI900%
15RN1900%
16SE1600%
SUDESTE – Total: 1.665 (57,1%)
17ES3900%
18MG15300%
19RJ42192,1%
20SP1052585,5%
CENTRO-OESTE – Total:  275 (9,4%)
21DF20000,0%
22GO3912,6%
23MS2500%
24MT1100%
SUL – Total: 392 (13,5%)
25PR10200%
26SC12210,8%
27RS16810,6%
BRASIL2.915772,6%

 

 

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