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10 dicas para as mulheres manterem sua saúde sexual em dia

A ausência de libido no climatério e menopausa, infelizmente, não é um mito. Segundo Márcia Oliveira, terapeuta sexual e especialista em Saúde da Mulher, a ausência de hormônios afeta uma parte da sexualidade, mais especificamente a parte do sexo genital, havendo alterações no fluxo de sangue da região íntima e alteração de sensibilidade.

“Devido a isso, o quanto antes a mulher iniciar exercícios para a região perineal, melhor, pois esse fluxo de sangue continuará a ser estimulado por esses exercícios e auxiliando nesse aspecto. Vale ressaltar que a sexualidade envolve também fatores emocionais e sociais, então com a maturidade a mulher pode (e deve) ser estimulada com formas variadas”, esclarece.

Segundo ela, mudanças na qualidade do sono e alterações de humor também ocorrem na menopausa e contribuem para alterações na libido. “Esses fatores também devem ser analisados e, se necessário, adequar algum tipo de tratamento”, ressalta.

Márcia acaba de lançar seu primeiro livro, “Da Dor ao Prazer”, pela Editora Agir. Em sua estreia na literatura, a autora reflete, de maneira descomplicada, sobre estas e outras causas específicas das disfunções sexuais e a intimidade feminina.

A terapeuta convida as leitoras de todas as idades para uma jornada não só em busca da solução da dor sexual feminina, mas também da satisfação consigo mesma, a partir de métodos viáveis para alcançar o prazer sozinha ou durante uma relação.

“Foi extremamente prazeroso transcrever parte da minha bagagem de trabalho. A contribuição e confiança dos meus pacientes foram essenciais para a existência desse livro. Espero que a obra contribua na construção de uma sociedade mais saudável”, conta ela.

Ao ViDA & Ação, Márcia diz que, na prática clínica, é comum receber mulheres com a queixa de algum tipo de perda urinária, em algum momento da vida adulta, até mesmo mulheres jovens são acometidas dessa condição.

“Atendo uma população de faixa etária adulta e variada, no inicio desse ano, uma paciente de 71 anos me procurou com queixa de perda urinária, e esse relato não está no livro, porque é bem recente, mas fico feliz em compartilhar aqui”.

Ela observa que, ao iniciar o procedimento normal de avaliação para definir a conduta, as queixas de qualidade sexual acabam sendo relegadas a menos importantes. “Mas essa paciente, em particular, não. Ela também queria uma atenção para esse aspecto da vida dela. E relatou logo na conversa inicial. Isso tem sido maravilhoso, ver mulheres em todas as idades buscando qualidade e longevidade sexual”, comenta.

“No caso em questão, um relato dela no momento atual me toca ainda mais, pois ao se sentir melhor com a sensibilidade, que antes do tratamento apresentava dor, agora relata uma sensação que está se sentindo inteiramente viva. São esses marcos que definem a história de como alguém se relaciona com a vida, ajustando as condições impostas pelo tempo e procurando ampliar sua vitalidade sexual”.

Como as mulheres podem manter a saúde sexual em dia

O básico é essencial, e muitas vezes merece ser reforçado. Por informações da cultura e não da biologia exageramos em algumas coisas, e outras deixamos de lado, como se examinar e se conhecer melhor. Comportamentos e cuidados simples ajudam a deixar a saúde intima em dia:

1-Dormir sem calcinha, permite a microbiota da região intima uma melhor troca e ajuda a preservar esses microrganismos que estão ali para a proteção feminina.
2-Evitar lavar em excessos, os sabonetes são dispensáveis, mas se sente que é muito importante usar por causa d calor, opte pelos neutros, e no máximo uma vez ao dia. Ah, e nunca use direto sobre a região intima, dilua antes na palma das mãos.
3-Não force a saída de xixi e cocô, se não está fluida essa saída procure elevar um pouco os pés do chão com um banquinho, de forma que seus joelhos fiquem um pouquinho mais altos que seus quadris.
4- Evite passar longos períodos do seu dia sentada, nós, como espécie em evolução, involuímos para o sentado, e isso causa redução da qualidade muscular da região intima.
5- Examine com frequência sua região intima, da mesma forma que examina seu rosto diariamente, pegue um espelho e confere lá. Essa área vai tendo alterações ao longo do tempo, com relação a cores, secreções, e até surgimento de lesões de pele, uma inspeção gentil garante um cuidado a mais e um conhecimento incrivel.
6- Faça exercícios para a região intima, ela possui músculos que precisam de ser exercitados, pois estes estão suscetíveis à ação do tempo como todos os outros.
7- Não se torture por causa de pelos, mulheres adultas tem naturalmente pelo na vulva, e isso não é sinal de falta de higiene. Uma vulva sem pelos é de criança, e essa reflexão pode ajudar a pensar se estamos criando uma analogia adequada com relação ao que esperamos de comportamento humano em respeito às nossas crianças.
8- Beba água, com frequência, mas sem excessos, nunca beba muita de uma única vez. Beber de forma fracionada ao longo do dia, garante uma hidratação adequada
9- Roupas apertadas que abafem a região intima também podem ser a causa da proliferação de fungos e bactérias. Se precisa usar calça na sua rotina, opte por tecidos leves e modelos boyfriend ou saruel.
10- Se informe, busque sempre informação de qualidade, e não acredite que existe algo magico que vai mudar sua saúde intima da noite para o dia, bons hábitos levam tempo para serem incorporados a rotina. Receitas mágicas e milagrosas podem prejudicar de forma significativa sua saúde. Pergunte ao profissional de saúde que cuida de você se é útil ou não para você aquilo que coletou de informações.

‘Da Dor ao Prazer’: o que você vai encontrar no livro

Autoconhecimento e a importância de se procurar ajuda. Márcia convida a leitora a se despir de julgamentos e embarcar em uma jornada sexual, sem vergonha do próprio corpo. A especialista mostra que cada mulher tem sua individualidade e que é isso que faz cada uma ter uma beleza única.

Dores na relação sexual e possibilidades terapêuticas – Cerca de 40% das mulheres sentem dores nas relações sexuais. Márcia explica sobre o ciclo de dor e possíveis causas, que vão de vaginismo a dor pélvica crônica, e mostra que é possível investigar e classificar essa dor para, assim, achar soluções. A escritora aponta diversos recursos e exercícios para percepção corporal.

Terapia sexual – Terapias que nos conectam novamente com o nosso sistema sensorial de forma saudável são fundamentais no tratamento da dor resultante de atividade sexual. Márcia propõe exercícios para desenvolver o autoconhecimento da mulher e também do casal. As técnicas meditativas permitem esvaziar a mente do excesso de informações e ajudam a internalizar o valor de uma conexão com seu corpo.

Orgasmo feminino – Pesquisas mostram que as mulheres não seguem a mesma sequência de “desejo, excitação, platô, orgasmo e resolução” observada na maioria dos homens, pois os mecanismos que envolvem todo o ciclo da resposta sexual feminina são complexos quando comparados à sexualidade masculina. O livro fala sobre as condições que favorecem a alteração da resposta sexual e como se conectar com o seu corpo e explorar o prazer rompendo padrões e desconstruindo mitos que foram plantados ao longo da existência das mulheres.

Manual da masturbação – Guia prático e ilustrado para esclarecer as possibilidades dessa automanipulação e trazer opções que possibilitem o aprimoramento de técnicas já utilizadas. Márcia esclarece que as sugestões são apenas um guia para a mulher tentar se divertir com seu próprio corpo, já que, segundo pesquisas, a prática da masturbação é um componente positivo na estruturação da sexualidade feminina, já que está relacionada a um repertório sexual maior, com mais amplitude no uso de fantasias e, consequentemente, mais facilidade para atingir a excitação sexual e o orgasmo.

Sobre a autora

Com 15 anos de carreira e mais de 4.000 pacientes atendidas, Márcia Oliveira é fisioterapeuta pélvica e doutora em Ciências da Saúde; fundadora do Espaço Íntimo Fisioterapia e conhecida nas redes sociais pelos seus conteúdos educativos e terapêuticos. Seu canal no YouTube conta com mais de 200 mil inscritos. Já no Instagram, a especialista dialoga com mais de 37 mil seguidores, buscando uma comunicação sempre sincera e esclarecedora para com as mulheres.

Ficha técnica:

Título: Da dor ao prazer

Autora: Márcia Oliveira
Páginas: 176

Editora: Selo Agir / Ediouro Publicações

Preço: R$ 59,90

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