O cenário epidemiológico brasileiro apresenta um novo sinal de alerta. O mais recente Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado nesta sexta-feira (06/03), revela um aumento disseminado no número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Com exceção de apenas quatro estados (Roraima, Tocantins, Espírito Santo e Rio Grande do Sul), todas as demais unidades da Federação apresentam tendência de crescimento a longo prazo.

Desta vez, o avanço é impulsionado por uma combinação de fatores: o aumento de hospitalizações por rinovírus em crianças e adolescentes (2 a 14 anos), o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em bebês menores de 2 anos e a Influenza A na população adulta e idosa.

O impacto do retorno escolar e a volta do uso de máscara

De acordo com os pesquisadores da Fiocruz, o crescimento acentuado entre o público infanto-juvenil está diretamente ligado ao retorno às aulas. A concentração de estudantes em ambientes fechados facilita a transmissão, especialmente do rinovírus, que já responde por 45,4% dos casos positivos de SRAG nas últimas quatro semanas.

Diante deste quadro, a recomendação das autoridades de saúde é clara: o isolamento preventivo é fundamental. “Caso a criança ou adolescente apresente algum sintoma de gripe ou resfriado, os pais devem evitar levá-la à escola para impedir a transmissão”, reforça a pesquisadora Tatiana Portella. Caso o afastamento não seja possível, o uso de máscaras de boa qualidade, especialmente em sala de aula, torna-se indispensável.

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Perfil de gravidade: Covid-19 ainda lidera óbitos

Dez estados já atingiram níveis de atividade considerados de alerta ou alto risco: Acre, Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Maranhão e Sergipe. Nas capitais, a situação é crítica em 12 cidades, incluindo Belo Horizonte, Brasília, Manaus e Fortaleza, que mostram sinal de crescimento sustentado nas últimas seis semanas.

Embora o rinovírus seja a causa mais frequente de internações no momento, a Covid-19 continua sendo o principal fator de letalidade. Entre os óbitos registrados recentemente com resultado positivo para vírus respiratórios, 39,1% foram causados pelo Sars-CoV-2, seguido pela Influenza A, com 27,5%. A incidência de quadros graves permanece mais elevada entre crianças pequenas, enquanto a mortalidade segue concentrada na população idosa.

Vírus Respiratório Prevalência nos Casos (4 semanas) Prevalência nos Óbitos (4 semanas)
Rinovírus 45,4% 17,4%
Influenza A 20,8% 27,5%
Vírus Sincicial (VSR) 15,4% 8,7%
Sars-CoV-2 (Covid-19) 14,3% 39,1%
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Saúde Única: clima, ambiente e vírus

A persistência do aumento de casos de SRAG em 2026 — que já soma 14.370 notificações — destaca a urgência de políticas de prevenção. A sazonalidade climática e as condições ambientais de cada região, somadas à dinâmica social do período pós-carnaval e volta às aulas, criam o ambiente ideal para a circulação de patógenos como a Influenza A e o Sars-CoV-2.

A abordagem de Saúde Única é o que guia as ações do portal Vida e Ação, reconhecendo que a proteção humana é indissociável do equilíbrio ambiental e do monitoramento constante de vírus que circulam entre diferentes espécies e ecossistemas.

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