O plasma é a parte líquida do sangue que se transforma em medicamentos essenciais para o cuidado de pacientes com hemofilia, doenças imunológicas, outras condições de saúde e também para cirurgias de grande porte. No entanto,  apenas 13% do plasma coletado atualmente no país por meio de doações voluntárias é utilizado em transfusões, o que significa que 87% ainda podem ser destinados à produção de hemoderivados, tornando o armazenamento adequado um ponto estratégico para o sistema público de saúde.
Para transformar essa realidade, o Ministério da Saúde anunciou nesta sexta (28), no Hemorio, no Rio de Janeiro, que o Sistema Único de Saúde (SUS) vai ampliar em 30% o aproveitamento do plasma sanguíneo. A ampliação da capacidade de armazenamento de plasma no SUS vai se tornar possível com a compra de 604 equipamentos de alta tecnologia pelo governo federal.
O anúncio ocorre na Semana Nacional do Doador de Sangue. No país, em 2024, mais de 3,3 milhões de bolsas de sangue – incluindo plasma – foram coletadas, o que representa 1,6% da população brasileira. A disponibilização de plasma pelas unidades da rede pública aumentou 288% nos últimos três anos. O estoque passou de 62,3 mil litros para 242,1 mil litros.

Redução da importação de medicamentos

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que essa aquisição vai gerar economia de R$ 260 milhões por ano com a redução da necessidade de importação de medicamentos para quem tem doenças que dependem de hemoderivados.. Ele argumentou que o Brasil não produzia os fatores que derivam do plasma.

Cada vez mais, as imunoglobulinas são utilizadas não só para doenças infecciosas, mas para outros tipos de doenças também, as imunoglobulinas hiperimunes”, disse o ministro, em nota divulgada pelo governo federal.

Segundo Padilha, a medida fortalece a capacidade nacional de produção de hemoderivados e reduz a dependência de importações. “Além de dar mais estrutura ao serviço de transfusão de sangue, vamos garantir mais acesso às pessoas que precisam deste tratamento. Esse é um passo muito importante, já que vamos produzir em território nacional todos esses produtos, sem precisar de importação”, destacou o ministro.

Novo PAC Saúde vai beneficiar 125 serviços de hemoterapia

O investimento foi de R$ 116 milhões do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) Saúde para modernizar o parque tecnológico da hemorrede e fortalecer a produção nacional de hemoderivados. Segundo estima o Ministério da Saúde, a iniciativa vai beneficiar 125 serviços de hemoterapia em 22 estados. 
Os materiais –  blast-freezers, de congelamento ultra-rápido (tecnologia avançada com a qual a rede pública ainda não contava); ultrafreezers, de congelamento rápido; e freezers – começaram a chegar e serão instalados até o primeiro trimestre do ano que vem.

Ainda segundo o governo, isso significa que, com a ampliação da oferta, a nova fábrica da Hemobrás, inaugurada neste ano e considerada a maior fábrica de hemoderivados da América Latina., poderá atingir plena capacidade de produção de medicamentos estratégicos para o SUS, com o processamento de até 500 mil litros de plasma por ano.

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Hemorio incorpora tecnologia inédita na rede pública

O estado do Rio de Janeiro recebeu 46 novos equipamentos destinados a aprimorar 17 serviços de hemoterapia em diferentes regiões do território fluminense, com investimento de R$ 8,8 milhões do Governo Federal. Neste programa de expansão, o Hemorio, unidade de referência em hemoterapia e hematologia da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), foi contemplado com dez novos equipamentos.

As máquinas terão o papel de aprimorar o fracionamento do sangue e ampliar a capacidade de processamento do plasma,  matéria-prima essencial para medicamentos usados no tratamento de hemofilia, insuficiência hepática e emergências médicas. Somados à capital, mais 16 serviços de hemoterapia foram contemplados, beneficiando unidades em Angra dos Reis, Cabo Frio, Campos dos Goytacazes, Macaé, Niterói, Resende, Rio Bonito, São Gonçalo, Vassouras e Volta Redonda.

Os novos equipamentos representam um avanço importante para os serviços de hemoterapia do Rio de Janeiro. No Hemorio, passamos a contar com um congelador nunca usado antes na hemorrede do país, que faz o congelamento por contato de forma ultrarrápida. Com isso, a gente melhora a conservação dos hemocomponentes, e consegue aproveitar muito mais as doações. Cada gota importa para salvar vidas”, afirmou a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, durante o evento.

Entre as tecnologias que chegam ao Hemorio, destaque, ainda, a dois blast freezers (congeladores ultrarrápidos), capazes de congelar o plasma em apenas 90 minutos, processo que antes podia levar até oito horas. A inovação permite preservar melhor as proteínas responsáveis pela coagulação, além de albumina e imunoglobulinas, garantindo maior qualidade aos hemocomponentes.

O processo de fortalecimento da hemorrede fluminense revalida a importância central do Hemorio, conforme ressaltou a diretora técnica Thaís Ferraz ao ministro Alexandre Padilha, durante a visita. A responsável pelo processamento de sangue, Fabiana Canedo, mostrou às autoridades presentes o funcionamento dos equipamentos.

Hemorio cria novos polos e anuncia mais uma equipe de coleta externa para 2026

A expansão dos serviços de hemoterapia no Rio de Janeiro se soma ao compromisso do Governo do Estado com a ampliação da rede. Nos últimos anos, foram inaugurados dois novos polos: o Hemorio Duque de Caxias, localizado no Hospital Municipal Dr. Moacyr Rodrigues do Carmo, e o Hemocentro Regional de Santo Antônio de Pádua. Juntas, as novas unidades já registraram mais de 4,5 mil doações em 2025, ampliando o acesso da população aos serviços de coleta e atendimento.

Durante a cerimônia, o Hemorio anunciou que, em 2026, passará a contar com mais uma equipe dedicada à coleta externa de sangue, reforçando sua atuação em diferentes regiões do estado. Atualmente, o instituto opera com duas equipes móveis, responsáveis por levar estruturas de doação a locais estratégicos.

Essa iniciativa facilita o acesso dos voluntários e amplia a capilaridade do serviço. A inserção de um terceiro grupo representa um passo importante para atender à crescente demanda por sangue, especialmente em períodos de maior necessidade nos hospitais da rede pública”, ressaltou a diretora técnica do Hemorio, Thaís Ferraz.

Com essa expansão, o Hemorio estima aumentar em 50% o número de doações nas coletas externas. A nova equipe permitirá montar agendas mais frequentes em instituições, empresas, centros comunitários e eventos, fortalecendo a cultura de doação regular entre a população.

Da Agência Brasil e SES-RJ, com Redação

 

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