O Sistema Único de Saúde (SUS) deu um passo decisivo para reduzir as internações infantis este mês. Bebês prematuros e crianças de até dois anos com comorbidades específicas já podem receber o nirsevimabe, um anticorpo monoclonal de ação imediata contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), o principal vilão por trás dos casos de bronquiolite e pneumonia em recém-nascidos.
Diferente das vacinas convencionais, o nirsevimabe não precisa que o sistema imunológico do bebê produza defesas; ele já fornece os anticorpos prontos. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 300 mil doses já foram distribuídas em todo o território nacional.
Quem tem direito à nova proteção?
A prioridade do atendimento foca nos grupos mais vulneráveis. São considerados bebês prematuros aqueles nascidos com menos de 37 semanas de gestação. Além deles, crianças de até dois anos com as seguintes condições podem receber o medicamento:
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Doença pulmonar crônica da prematuridade (broncodisplasia);
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Cardiopatia congênita;
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Anomalias das vias aéreas ou doenças neuromusculares;
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Fibrose cística e Síndrome de Down;
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Imunocomprometimento grave (nato ou adquirido).
O impacto do VSR na saúde pública brasileira
Os números reforçam a urgência da medida. Em 2025, o Brasil registrou mais de 43 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados pelo VSR. Desse total, impressionantes 82,5% das hospitalizações ocorreram em crianças com menos de dois anos.
O vírus é responsável por 75% dos casos de bronquiolite e 40% das pneumonias nessa faixa etária. Como a maioria dessas infecções é viral, não existe um tratamento específico, restando aos médicos apenas o suporte clínico (oxigênio e hidratação), o que torna a prevenção a única ferramenta eficaz.
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Escudo duplo: a importância da vacinação materna
A estratégia do SUS é cercar o vírus por todos os lados. Desde o final de 2025, o sistema também oferece a vacina contra o VSR para gestantes (dose única a partir da 28ª semana). O imunizante, desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com a Pfizer, induz a produção de anticorpos que passam para o bebê ainda na barriga.
A vacinação materna funciona como um verdadeiro escudo imunológico para o bebê, protegendo-o justamente no período em que ainda não pode receber a vacina diretamente”, explica o professor João Gregório Neto, da Faculdade Santa Marcelina.




