O avanço acelerado do sarampo no continente americano colocou o sistema de saúde brasileiro em estado de alerta máximo. Dados recentes revelam um cenário preocupante: enquanto 2025 fechou com 14.891 casos em 14 países, o ano de 2026 já somou 7.145 infecções apenas até o dia 5 de março. O volume de contágios em pouco mais de 60 dias já representa quase metade de todo o registro do ano passado, com situações críticas reportadas nos Estados Unidos, México e Guatemala.
No Brasil, a confirmação de uma bebê de 6 meses infectada em São Paulo, após viagem à Bolívia, disparou protocolos de emergência. Embora o país mantenha o certificado de área livre da doença — reconquistado em 2024 —, o Ministério da Saúde intensificou as ações de vigilância para evitar que o vírus volte a circular de forma sustentada em território nacional.
O trânsito internacional é um dos principais fatores de risco para a reintrodução do vírus. Com a proximidade da Copa do Mundo de futebol na América do Norte, em junho e julho, o fluxo de turistas brasileiros para Estados Unidos, México e Canadá — países com situações graves de sarampo — preocupa as autoridades.
Por conta do cenário internacional, o Ministério está em alerta máximo. Nós vamos manter essa certificação, mas, para isso, a gente precisa continuar vacinando a população e alertando que a vacina é a principal prevenção”, explica o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti.
Ele reforça que o Brasil possui ferramentas de controle e que as ações são constantes para proteger o status do país, considerado livre da doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS), mas o desafio é geográfico.
Nós temos um país com muitas áreas turísticas que recebem estrangeiros, principalmente o nosso litoral, Amazônia, Pantanal, Foz do Iguaçu. E a gente tem uma ampla fronteira terrestre com várias cidades gêmeas, com circulação de muita gente. Por isso, não podemos nunca deixar de falar de sarampo e da vacinação”, alerta o diretor.
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Estratégias de bloqueio e a “dose zero”
Para conter a disseminação a partir de casos importados, as autoridades de saúde utilizam o chamado bloqueio vacinal. Assim que uma suspeita é notificada, equipes realizam uma varredura no entorno do paciente, vacinando preventivamente vizinhos e contatos próximos. O diretor do PNI detalha como funciona a resposta imediata:
Quando o município fez a identificação da suspeita, prontamente notificou o Ministério e já começou o bloqueio vacinal. Ou seja, levantou todas as pessoas que tiveram contato com o possível doente para identificar outros sintomáticos e eventuais fontes da infecção. Aí, bloqueia-se todo mundo, aplicando a vacina”.
Além do bloqueio, equipes realizam uma busca ativa de casa em casa no entorno de onde a pessoa possivelmente infectada vive. Segundo infectologistas, essa varredura é essencial para identificar casos que não foram notificados oficialmente.
Em situações de risco iminente, as normas são flexibilizadas e uma das medidas fundamentais em áreas de risco é a aplicação da “dose zero” em bebês de 6 meses a 1 ano, embora estes ainda precisem completar o esquema vacinal regular nas idades recomendadas.
Esta dose antecipada visa proteger os pequenos que ainda não atingiram a idade do calendário regular, mas não substitui as doses oficiais das idades de 12 e 15 meses.
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O perigo da “amnésia imunológica”
O sarampo não é uma doença inofensiva. Além do risco de óbito — que tem mantido uma proporção alarmante nas Américas —, o vírus causa um efeito secundário perigoso: a supressão do sistema imunológico.
Segundo infectologistas, após a infecção, o sistema de defesa do organismo pode ficar debilitado por até seis meses, deixando o indivíduo vulnerável a outras doenças oportunistas e graves.
Calendário e cobertura vacinal
O desafio interno do Brasil reside na completude do esquema vacinal. No último ano, 92,5% dos bebês receberam a primeira dose, mas apenas 77,9% retornaram para a segunda.
| Vacina | Idade recomendada | Proteção |
| Tríplice viral | 12 meses | Sarampo, Caxumba e Rubéola |
| Tetraviral | 15 meses | Sarampo, Caxumba, Rubéola e Varicela |
Quem deve se vacinar?
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Até 59 anos: Todas as pessoas que não possuam comprovante de duas doses devem procurar um posto de saúde.
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Viajantes: Devido à Copa do Mundo na América do Norte em junho e julho, a Anvisa reforça a necessidade de imunização prévia para quem pretende viajar.
O monitoramento de novos alertas e a atualização do cartão de vacinas são as medidas mais eficazes para evitar que o Brasil perca novamente o certificado de área livre da doença. Para mais informações, acompanhe os alertas em tempo real sobre segurança sanitária da Anvisa.
A importância do conceito de Saúde Única
O atual surto de sarampo ilustra perfeitamente a urgência da abordagem de Saúde Única (One Health). O aumento exponencial de casos está diretamente ligado à mobilidade humana global — intensificada por grandes eventos e turismo em áreas de fronteira — e às mudanças ambientais que alteram a dinâmica de doenças infecciosas.
A integração entre a saúde humana, a vigilância animal e o equilíbrio ambiental é o que permite ao sistema de saúde antecipar riscos e responder a crises sanitárias antes que elas se tornem epidemias descontroladas.
Com informações da Agência Brasil

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