O Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ganhará um reforço de peso no atendimento de alta complexidade: o Centro de Saúde Pública de Precisão. Com inauguração prevista para agosto de 2026, a unidade será dedicada exclusivamente a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), focando no diagnóstico, tratamento e pesquisa de doenças raras.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, estima-se que 13 milhões de brasileiros convivam com alguma das cerca de 7 mil doenças raras catalogadas. Essas condições são caracterizadas por afetarem até 65 indivíduos a cada 100 mil pessoas, sendo que a grande maioria (cerca de 80%) possui origem genética.
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O desafio do diagnóstico precoce
Um dos maiores gargalos para quem convive com essas enfermidades é a “odisseia diagnóstica”. Atualmente, a espera por uma confirmação definitiva no Brasil leva, em média, sete anos. O novo centro da UFRJ surge com o objetivo de reduzir drasticamente esse tempo por meio de tecnologias avançadas, como o Sequenciamento Completo do Exoma (WES).
Recentemente incorporado ao SUS, o exame de exoma analisa a região do DNA onde se concentra a maioria das mutações causadoras de doenças. Por ser um procedimento de altíssima complexidade e custo elevado, poucas unidades no país possuem capacidade técnica para realizá-lo. Além da genética, o centro oferecerá exames de biomarcadores, essenciais para identificar alterações moleculares e bioquímicas.
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Investimento em inovação e qualidade de vida
Gerido pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), o complexo recebeu um aporte de R$ 19 milhões para a viabilização do projeto. Os recursos foram aplicados na adequação de espaços no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) e na aquisição de equipamentos de ponta.
Para Soniza Vieira Alves-Leon, chefe do Setor de Gestão da Pesquisa e Inovação Tecnológica do Complexo Hospitalar da UFRJ, a estrutura permitirá não apenas diagnosticar mais cedo, mas também desenvolver novas terapias e estratégias de tratamento, inclusive para o câncer. O objetivo final é proporcionar uma melhor qualidade de vida aos pacientes, permitindo intervenções terapêuticas antes que as doenças se tornem incapacitantes e acompanhando de perto a evolução de cada caso.
Com informações da Agência Brasil

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