Queda no diagnóstico de hepatite C chega a 70% e preocupa infectologistas

No Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), o total de diagnósticos de Hepatite C passou de 450, em 2019, para 127, em 2023

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O número de diagnósticos de Hepatite C crônica no Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) diminuiu 70% desde 2019. O comparativo foi realizado entre os períodos do primeiro semestre de 2019 e 2023 – janeiro a junho. O total de casos passou de 450, em 2019, para 127, em 2023.

A redução preocupa os infectologistas do HSPE, pois dá claros sinais da baixa detecção de novos casos, uma vez que a doença costuma apresentar sintomas em estágios avançados. Especialistas alertam que existem ainda mais pessoas contaminadas pelo vírus da Hepatite C sem consciência da infecção.

De acordo com os médicos, a baixa quantidade de diagnósticos foi intensificada pela crise sanitária nos últimos anos, quando as pessoas deixaram de ir ao Hospital devido ao alto risco de contaminação por Covid-19. Por isso, também não realizaram exames de rotina que identificam as hepatites.
“Há pessoas portadoras da doença sem noção disso. Essa situação é um risco tanto para quem está infectado quanto para o parceiro dela, pois a Hepatite C e a B também podem ser transmitidas pelo sexo”, comenta o infectologista do HSPE Dr. Marcelo Mostardeiro.
Para promover a conscientização sobre a Hepatite C, o HSPE e hospitais do SUS disponibilizam o teste rápido que identifica o vírus causador da doença. O servidor conveniado ao Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) pode realizar a testagem no Serviço de Infectologia no Prédio do Ambulatório – na Rua Borges Lagoa, n º 1755, São Paulo.
O teste rápido de Hepatite – que identifica os vírus causadores da Hepatite C e B – é simples e feito a partir de uma gota de sangue. O resultado fica disponível em menos de 15 minutos. Caso a doença seja identificada, no HSPE, o paciente é prontamente encaminhado para o médico infectologista para análise do caso.
O teste deve ser realizado no mínimo uma vez ao ano.
TRANSMISSÃO DA HEPATITE C
A transmissão da hepatite C (e da B) ocorre pelo contato com o sangue ou secreção contaminado pelo vírus causador da doença. São fatores de risco cortes ou feridas em qualquer parte do corpo. A contaminação também pode acontecer pelo sexo e pelo uso compartilhado de lâminas de barbear, alicate de unhas, seringas etc.
SINTOMAS DA DOENÇA
Hepatite C é uma doença silenciosa e pode não apresentar sintomas. Quando os sinais da infecção surgem e há demora em iniciar o tratamento, a infecção pode evoluir para cirrose hepática e/ou câncer no fígado. Entre as manifestações da Hepatite C estão: pele amarelada, perda intensa e repentina de peso, abdômen dolorido e inchado com líquido, além de febre e cansaço.
TRATAMENTO EFETIVO E GRATUITO
O tratamento da Hepatite C é feito com medicamentos antivirais de ação direta. O remédio deve ser ingerido diariamente durante 8 ou 12 semanas, em média. A medicação é distribuída gratuitamente no SUS e apresenta eficácia acima de 90%.
Apesar do tratamento eficaz, ainda não existe vacina contra a Hepatite C.
OUTRAS HEPATITES 
As Hepatites A e B podem ser prevenidas por meio da vacinação. Os imunizantes estão disponíveis no SUS e fazem parte do plano nacional de vacinação.
Hepatite E ainda não possui tratamento específico.
Hepatite D pode ser controlada com medicamentos, porém ainda não possui cura.

Palavra de Especialista

Prevenção é a chave para o controle das hepatites virais no Brasil

Por Marcelo Mostardeiro*

As hepatites virais atingem milhares de pessoas anualmente no Brasil e a prevenção por meio da vacinação e da informação sobre como evitá-las são estratégias fundamentais para reduzir a incidência e mortalidade dessas inflamações no fígado. Como algumas variações da doença podem evoluir para cirrose hepática, doença hepática crônica e até câncer, arrisco dizer que podemos salvar vidas se o tema for mais debatido entre a população. 

De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, de 2000 a 2021 foram notificados 718.651 casos confirmados de hepatites virais no país, sendo o tipo C o mais letal. De 2000 a 2020 foram identificados 62.611 óbitos associados a essa Hepatite, representando um total de 76,2% do total de mortes por hepatites virais.  

Essa é uma doença silenciosa e, infelizmente, costuma apresentar sintomas já em estágios já avançados. A hepatite C, por exemplo, pode deixar a pele amarelada e causar perda intensa e repentina de peso, abdômen dolorido e inchado com líquido, febre e cansaço.  

No Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), em São Paulo, o número de diagnósticos de Hepatite C crônica diminuiu 70% nos últimos cinco anos – o comparativo foi realizado considerando o primeiro semestre dos anos 2019 a 2023. Essa queda é justificada: durante a crise sanitária que enfrentamos nos últimos anos, as pessoas deixaram de ir ao hospital realizar seus exames de rotina, gerando uma subnotificação dos casos. O que seria o cenário mais próximo sobre a quantidade de infectados acabou se perdendo. 

Vale reforçar que sem testagem não há diagnóstico nem tratamento, aumentando exponencialmente o risco de contaminação entre as pessoas. A detecção da hepatite B e C é feita de forma rápida e prática, por meio dos testes rápidos de sangue. 

A hepatite viral pode ser do tipo A, B, C, D e E, cada uma com suas particularidades e formas de transmissão – por exemplo, uma das formas de transmissão dos tipos B e C pode acontecer de mãe para filho durante a gestação. É possível prevenir essas duas variações de hepatite com o uso de preservativos nas relações sexuais e evitando o compartilhamento de seringas e lâminas de barbear. Materiais de manicure, tatuagem e piercing devem passar por esterilização adequada para serem reutilizados sem risco de contaminação.  

As hepatites A e B podem ser prevenidas por meio da vacinação e fazem parte do plano nacional de vacinação. O tipo C, que é o mais letal, ainda não possui vacina, por isso o cuidado para não se contaminar é fundamental. As hepatites B e C tem antivirais específicos e, no caso da B, é possível chegar à cura em alguns casos, enquanto no tipo C a taxa de cura é superior a 90%. A hepatite D não tem antiviral específico e não tem cura, assim como o tipo A. Nossas atuais políticas públicas preveem o tratamento com antivirais, disponibilizados na rede particular e gratuitamente pelo SUS.  

Deixo aqui o meu apelo a todos os profissionais da saúde e às pessoas que possuem informações sobre as hepatites virais: façam o teste de detecção da doença ao menos uma vez ao ano e incentivem seus parceiros, amigos, colegas de trabalho e familiares. Podemos evitar a propagação da doença com informação e testagem. 

*Marcelo Mostardeiro é Infectologista do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), principal unidade da rede do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe). 

 

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