Dores persistentes nas costas, tensão nos ombros e desconforto nos punhos durante o expediente podem parecer incômodos passageiros, mas são sinais de alerta para as Lesões por Esforço Repetitivo (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT).
Consideradas hoje a principal causa de afastamento do trabalho no Brasil, essas condições afetam músculos, tendões e articulações, sendo causadas por movimentos repetitivos, sobrecarga ou posturas inadequadas mantidas por longos períodos.
Embora o termo LER ainda seja popular, a nomenclatura técnica foi atualizada para DORT em 1998 para abranger casos que não dependem exclusivamente da repetição, como o levantamento de peso.
Não é necessário que o movimento seja repetido várias vezes para determinar a lesão. Uma postura inadequada ao carregar carga já pode desencadear o distúrbio”, explica Márcia Berlanga Equi Godoy, professora de Fisioterapia da Faculdade Santa Marcelina.
Recorde de afastamentos: o cenário do adoecimento laboral em 2026
Neste dia 28 de fevereiro, celebra-se o Dia Mundial de Combate à LER/DORT. A data, instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS), visa conscientizar empresas e trabalhadores sobre a importância de prevenir lesões que, embora comecem de forma discreta, podem se tornar incapacitantes.
Os números refletem a urgência do debate sobre ergonomia. Dados atualizados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apontam que 2025 registrou mais de 4,1 milhões de afastamentos por doenças ocupacionais — um salto de 15% em relação ao ano anterior e o nível mais alto desde 2021.
As LER/DORT representam cerca de 30% desses casos. Historicamente, o Ministério da Saúde indica que essas patologias afetam majoritariamente mulheres (51,7%), profissionais na faixa dos 40 a 49 anos e pessoas com ensino médio completo.
Profissões mais suscetíveis e o risco na Odontologia
O distúrbio atinge desde o chão de fábrica até o home office. Categorias como bancários, operadores de teleatendimento, caixas, secretários e eletricistas estão no grupo de risco.
A Odontologia se destaca pela alta prevalência de lesões devido ao estresse e à falta de ergonomia clínica. Um estudo internacional aponta que a dor musculoesquelética atinge entre 50% e 83% dos especialistas da área, afetando principalmente ombros, cotovelos, pescoço e coluna.
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Sintomas e a importância do diagnóstico precoce
As lesões costumam evoluir em quatro estágios, começando com um desconforto leve que melhora com o repouso e chegando à dor aguda contínua que compromete a força muscular e a sensibilidade. Pedro Pilar, professor de Ortopedia do Afya Centro Universitário Itaperuna, alerta:
No início, o peso ou formigamento surge apenas durante o esforço. Com o tempo, a dor persiste mesmo em repouso”.
Complementando essa visão, Anderson Brandão, professor de Fisioterapia do Centro Universitário Integrado, ressalta que “fadiga muscular e dormência não devem ser ignoradas; o tratamento precoce evita a cronicidade”.
Estratégias de prevenção: da ergonomia à ginástica laboral
Para mitigar os riscos, especialistas defendem uma abordagem multidisciplinar que une ajustes físicos e mudanças na organização do trabalho.
1. Pausas ativas e conscientização
A incorporação de pausas a cada 60 minutos é essencial. Luana Sousa, professora de Fisioterapia da UNINASSAU Graças, recomenda o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e o investimento em ginástica laboral para inibir a progressão de doenças.
2. O papel da ginástica laboral
Geovani Rodrigues da Silva, coordenador de Educação Física do Integrado, sugere sessões curtas (5 a 15 minutos) realizadas duas a três vezes ao dia. “A prática alivia tensões, melhora a circulação e serve como descompressão mental”, explica. Os momentos ideais são antes do expediente, no meio do turno e ao final da jornada.
3. Personalização do ambiente
Não existe uma “fórmula única” para a ergonomia. Raul Oliveira, professor de Fisioterapia da Afya Itaperuna, reforça que a avaliação deve ser individualizada. “Cada trabalhador tem um ritmo e biotipo diferentes. A reabilitação precisa focar na consciência corporal para corrigir vícios de movimento”, afirma.

6 Informações indispensáveis sobre LER/DORT
Márcia Berlanga, da Faculdade Santa Marcelina, destaca pontos cruciais para o trabalhador:
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Fatores multifatoriais: Causas biomecânicas (ferramentas ruins), organizacionais (metas abusivas) e psicossociais (pressão psicológica).
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Ambiente de escritório: Estações de trabalho inadequadas e ausência de pausas são os maiores vilões.
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Traumas comuns: Tendinites (ombro, punho), bursites, cervicalgia (dor no pescoço) e lombalgia.
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Tratamento interdisciplinar: Pode envolver fisioterapia, anti-inflamatórios e, em casos graves, apoio de psicólogos e terapeutas ocupacionais.
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Direitos trabalhistas: No Brasil, a LER/DORT pode ser reconhecida como doença ocupacional, garantindo auxílio-doença acidentário e estabilidade temporária.
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Preconceito: Por não aparecerem em exames de imagem simples no início, essas doenças são muitas vezes subestimadas, mas têm repercussões legais e psicossociais sérias.
5 dicas práticas para sua rotina
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Postura: Mantenha os pés no chão, coluna ereta e cotovelos em 90 graus ao digitar.
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Movimente-se: Levante-se e faça alongamentos leves a cada hora.
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Ajuste o monitor: A tela deve estar na altura dos olhos para evitar tensão cervical.
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Hidratação: Beber água ajuda na manutenção da saúde dos tecidos musculares.
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Atividade física: Fortalecer a musculatura fora do trabalho é a melhor defesa contra sobrecargas laborais.
Com Assessorias









