Paternidade ativa: só metade dos pais pratica, diz Ibope

Apesar disso, maioria dos pais acha que responsabilidades devem ser divididas. Psicobiológo diz que homens precisam ‘se despir do machismo’

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É certo que a relação entre pais e filhos, bem como a rotina das famílias, muda constantemente, a cada nova geração. O que não muda, e sempre será de extrema importância, é o papel dos pais no desenvolvimento das crianças. Se antes os homens eram vistos como responsáveis pelo sustento da família – enquanto as mulheres ficavam encarregadas das tarefas do lar e do cuidado dos filhos -, hoje é possível ver um cenário diferente, onde as funções passaram a ser, cada vez mais, compartilhadas, dentro do conceito de paternidade ativa.
Contudo, ainda há um caminho a ser percorrido em relação à participação mais ativa dos pais na rotina de cuidados com seus filhos.
Segundo uma pesquisa nacional conduzida pelo Ibope, encomendada pela marca Bepantol® Baby, metade dos homens participa ativamente das tarefas diárias de cuidado com os filhos, sendo que 74% deles afirmam que desejariam fazer mais pelos pequenos, se responsabilizando por mais tarefas.

Se depender de vontade, a paternidade ativa tende a crescer. O levantamento – que avaliou as percepções de 2.000 mães e pais de crianças de até cinco anos sobre si mesmos e sobre seus respectivos parceiros em relação à participação nessas atividades -, apontou também que 96% dos entrevistados (tanto homens, quanto mulheres) declararam que concordam que a responsabilidade da mãe e do pai deve ser igual.

O psicobiólogo Ricardo Monezi, especialista em Medicina do Comportamento da Unifesp e pai da Beatriz, de 11 anos, considera que, para terem uma participação mais ativa, os homens devem superar alguns receios, principalmente, o de falharem como pais. “Os homens precisam se despir desse machismo que, muitas vezes, está alojado em seu DNA comportamental, e perder o medo de exporem seus sentimentos. Não devemos ter medo desse intercâmbio maravilhoso que a vida nos proporciona quando nos tornamos pais.”, enfatiza.

Maioria acha que mulheres têm ‘instinto de cuidadoras’

Nas gerações anteriores, era mais comum as pessoas terem a imagem do pai como uma figura mais distante e autoritária, enquanto as mães tendiam a serem vistas como as principais cuidadoras, naturalmente mais carinhosas e atenciosas. Apesar dessa visão já ter começado a ser descontruída, o levantamento do Ibope confirma que esse estereótipo ainda está presente na percepção da maioria dos brasileiros: 75% dos pais e 70% das mães acreditam que as mulheres nascem com instinto mais apurado para cuidar de crianças.
Para Ana Zagallo, gerente da Bepantol® Baby da Bayer, a percepção de que as mulheres têm mais instinto de cuidadoras pode acabar dificultando a criação de um vínculo mais profundo entre pais e filhos, pois distancia a figura paterna do envolvimento nessa rotina de cuidado com a criança.
“É importante reforçar a ideia de que pais e mães devem ter papeis iguais na dedicação de tempo, afeto e cuidado com seus filhos, pois sabemos que a participação dos homens pode ser transformadora no contexto familiar, contribuindo para a formação emocional da criança”, comenta.

Paternidade ativa: como criar vínculos mais profundos

Resultados da pesquisa mostram que a paternidade ativa é uma pauta que ainda deve ser intensamente debatida, visando aproximar a figura paterna a alguém que também tem, naturalmente, o papel de cuidador. Com isso, pode ser possível estimular o envolvimento dos homens nessas rotinas, a fim de fortalecer o vínculo com seus filhos e promover o bem-estar de toda a família.

Para Alexandre Tobio, pai da pequena Maria Flor, de 6 anos, e dos bebês gêmeos Sebastian e Catarina, a ideia de que o homem vai para o trabalho e a mulher cuida das crianças não se sustenta mais. “Os filhos precisam do apoio incondicional dos dois, sendo assim, a conta é dividida por ambos em todos os sentidos, sejam eles educacionais, emocionais, sociais, econômicos etc”. Ele conta que sempre tentou se envolver na vida de seus filhos em todos os aspectos:

Quando tive minha primeira filha, fiz questão de acompanhar cada fase – dei banho nela praticamente todos os dias desde que nasceu, preparei suas refeições na fase de introdução alimentar, lavei suas roupas na mão. Cada momento foi e ainda é muito importante, e foram vivências que me ajudaram muito na experiência que estou tendo hoje com os dois mais novos.

Nunca tive problemas em trocar fraldas ou dar banho, por exemplo. Acho até que essas tarefas podem sim ser de descontração também. E a criança percebe quem cuida dela, quem se preocupa. Além do mais, são momentos únicos, que não voltam, e passam rápido. Tem que aproveitar”.

O poder do toque na conexão entre pais e filhos

Estar presente na rotina da criança e assumir a responsabilidade por mais tarefas de cuidado – como dar banho, alimentar, trocar de fraldas, atender aos choros durante a madrugada -, são vivências importantes para os pais aprofundarem os vínculos e a conexão com seus filhos, já que nesses momentos se faz presente o toque “pele a pele”, que traz diversos benefícios para ambos.

Dr. Ricardo Monezi explica que, através do toque, ocorre a liberação de substâncias que promovem o bem-estar tanto para a criança, quanto para o pai. “Existe um fator biológico que faz o toque ser determinante para a criação desse vínculo entre pais e crianças: a liberação de oxitocina, que é o hormônio do amor. A cada abraço, a cada fralda trocada, acontece uma explosão de oxitocina, e isso é determinante para a saúde física e mental”.

O especialista explica ainda que a conexão se dá a partir do investimento na qualidade do tempo que se passa com a criança. “Eu sempre falo que a primeira coisa dentro desse processo, de ser pai, é você não ter medo de cuidar. Não ter medo de tocar, de olhar, abraçar, de reconhecer, ou até mesmo de ficar acordado à noite quando a criança tiver febre – porque isso vai acontecer”.

Campanha lançada recentemente por Bepantol® Baby visa mostrar a importância do toque para se criar uma conexão ainda mais profunda, além de reforçar o valor da diversidade, trazendo a representação de diferentes configurações de família.

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