Pacientes de câncer que moram na Baixada Fluminense e enfrentavam longas filas e deslocamentos até a capital agora contam com um atendimento especializado na própria região. O Instituto Estadual de Oncologia da Baixada Fluminense (Hospital Onco Baixada) inicia suas atividades em Nova Iguaçu no próximo dia 19 de fevereiro.

O funcionamento será gradativo, priorizando pacientes com câncer de mama, próstata, urologia, ginecológico, coloproctologia, pele e tireoide, todos encaminhados via sistema estadual de regulação (Sisreg). A unidade é a primeira da rede estadual dedicada exclusivamente à oncologia, prometendo modernizar o fluxo de atendimento no estado.

Quando estiver em pleno funcionamento, a previsão é de que o Onco Baixada realize 5 mil consultas ambulatoriais por mês, além de 800 sessões de quimioterapia, 200 de radioterapia e 300 cirurgias. A estrutura conta com 100 leitos ativos, distribuídos entre enfermarias, UTI e unidades de estabilização.

O Onco Baixada oferece tudo num mesmo lugar: exames, consultas e procedimentos, com acompanhamento multidisciplinar. É um cuidado humanizado e moderno”, afirmou o governador Cláudio Castro na inauguração oficial na quarta-feira (11).

Linha de cuidado integrada e humanizada

A secretária estadual de Saúde, Claudia Mello, destacou que o hospital foi desenhado para oferecer uma linha de cuidado completa. A equipe multiprofissional inclui psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais e fisioterapeutas.

Os exames de imagem complementares, como tomografia, ressonância magnética e colonoscopia, serão realizados de forma integrada com o Rio Imagem Baixada. Além da tecnologia, o instituto aposta no acompanhamento humanizado, contando com uma equipe multiprofissional formada por psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas.

Um diferencial será a integração com o programa Navega RJ. “Uma paciente poderá receber o laudo positivo para câncer de mama no Rio Imagem Baixada e já sair agendada para o Instituto, reduzindo o tempo de espera e o deslocamento”, explicou a secretária.

Posicionado como uma Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacom), o projeto contempla um centro de quimioterapia moderna com 24 boxes. Na segunda fase de expansão, serão incorporadas tecnologias avançadas, como radioterapia e exames de PET-CT, garantindo o suporte integral ao paciente sem que ele precise sair da região.

Claudia Mello, destacou que a unidade será estratégica para o programa Navega RJ, que acompanha pacientes com câncer de mama. “Uma paciente poderá, por exemplo, receber o laudo positivo no Rio Imagem Baixada e já ser agendada no Instituto imediatamente, com mais comodidade e menos deslocamento”, explicou a secretária.

Ministério da Saúde garante apoio financeiro à unidade

Construído com recursos estaduais e apoio federal, unidade reforça a luta contra o câncer no RJ

Com um investimento de R$ 87,3 milhões, o hospital forma, junto ao Rio Imagem Baixada, o maior complexo de saúde pública da história do estado. A iniciativa foi elogiada pelo ministro da Saúde Antônio Padilha durante o evento pelo Dia Mundial do Câncer (4 de fevereiro), na sede do Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Centro do Rio, e prometeu “total apoio” do governo federal a nova unidade.

Vencer o câncer exige mais do que tratamento. Exige prevenção, diagnóstico precoce e o engajamento de cada profissional de saúde, em cada consulta, visita domiciliar e contato com a comunidade. É assim que venceremos essa luta”, afirmou Padilha.

A secretária Claudia Melo também ressaltou a importância da integração entre diferentes órgãos da saúde pública para o fortalecimento da assistência oncológica e a melhoria da qualidade de vida da população fluminense.

O ministro já havia sinalizado a abertura de linhas de financiamento para garantir que o instituto opere com tecnologia de ponta, incluindo serviços de PET-CT e radioterapia avançada em sua segunda fase de expansão. Em setembro de 2025, o ministro visitou as obras do OncoBaixada e reconheceu a importância da iniciativa para a ampliação das vagas de oncologia no estado

Vamos garantir financiamento do Ministério da Saúde para este instituto, que, com certeza, será importante para a descentralização do atendimento oncológico do SUS”, declarou o ministro, ao lado do deputado federal Doutor Luizinho, que foi prefeito de Nova Iguaçu e secretário estadual de Saúde no início do atual governo.

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O primeiro hospital oncológico da rede estadual do Rio de Janeiro teve as obras iniciadas em fevereiro de 2024, e fica anexo ao Rio Imagem BaixadaA unidade contará com 101 leitos no total, 81 de enfermaria, 10 de UTI, 8 leitos de emergência e 2 salas de emergência, com um leito cada.

Dos 81 leitos de enfermaria, serão 72 leitos em quartos duplos, 5 de isolamento, 2 quartos individuais de idosos e 2 leitos em quarto duplo para idosos. Dos 10 de UTI, são 9 leitos simples e 1 (um) de isolamento.

O Instituto Estadual de Oncologia da Baixada Fluminense (Onco Baixada) também contará com 19 consultórios médicos, 15 consultórios normais e 4 fastpass — para casos de urgência, caso haja intercorrências durante o tratamento. Ao todo, serão 24 espaços para quimioterapia, com 21 poltronas e 3 leitos.

No ambulatório de radioterapia, haverá 4 (quatro) leitos de repouso, e 1 (uma) sala de exame. O serviço de PET Scan contará com 4 boxes de ativação/exames por vez; e 1 (uma) sala de aplicação.

781 mil novos casos de câncer a cada ano no Brasil até 2028

O lançamento do hospital coincide com a divulgação da publicação “Estimativa 2026–2028: incidência de câncer no Brasil”. Segundo o Inca, o país deve registrar 781 mil novos casos anuais no próximo triênio.

O câncer de mama é o mais incidente entre as mulheres, com estimativa de 78.610 novos casos por ano, enquanto o câncer de próstata lidera entre os homens, com 77.920 casos anuais. Ambos correspondem a cerca de 30% do total de diagnósticos em seus respectivos sexos.

Tumores associados ao tabagismo, como os de pulmão e cavidade oral, são mais comuns no Sul e Sudeste. O documento também alerta para o crescimento do câncer de cólon e reto e a alta prevalência do câncer de pele, que soma aproximadamente 518 mil novos casos por ano, sendo o tipo mais frequente entre os cânceres.

Atualmente, o câncer é a principal causa de adoecimento e morte no Brasil e pelo menos 100 novos casos são diagnosticados a cada mês no Estado do Rio,  reforçando a urgência de estruturas descentralizadas como a nova unidade da Baixada.

Com informações da SES-RJ  (atualizado em 11/02/26)

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