O Brasil alcançou uma vitória histórica na saúde pública: o reconhecimento da Organização Mundial da Saúde (OMS) como o maior país a eliminar a transmissão vertical do HIV (da gestante para o bebê) como um problema de saúde pública. A entrega oficial da certificação ocorre nesta semana, com a visita de representantes da OMS e do Conselho da Unaids ao país.
O anúncio foi antecipado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o programa Bom Dia, Ministro (CanalGov). o resultado é fruto direto do fortalecimento do Sistema Único de Saúde “Significa que o Brasil conseguiu eliminar graças ao SUS, aos testes rápidos nas unidades básicas, ao pré-natal e ao acesso universal à medicação gratuita para as gestantes”, afirmou o ministro.
Ele relembrou o contraste com décadas passadas, quando o país mantinha abrigos filantrópicos para órfãos da epidemia de Aids. “Abrigavam bebês que nasciam com o vírus e cujos pais haviam falecido. Felizmente, essa não é mais a realidade do nosso país.”
Vigilância contra o sarampo e vacina da dengue
Brasil se mantém livre do sarampo apesar de casos de pessoas não vacinadas

Segundo Padilha, o Brasil apresentou um dossiê à organização mundial no mês julho com os dados do SUS no Brasil. Apesar dos avanços, o Ministério da Saúde mantém o alerta para outras doenças imunopreveníveis:
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Sarampo: Sem circulação do vírus interna, o Brasil mantém o certificado de país livre da doença, mostrando que deixa para trás a situação que levou à perda da certificação, em 2019, quando houve o registro de mais de 21,7 mil casos de pessoas infectadas. Embora 36 casos tenham sido registrados em 2025 (incluindo dois recentes em São Paulo), todos foram casos importados (pessoas que se infectaram no exterior).
No último sábado (13), o estado de São Paulo registrou o segundo caso de sarampo do ano em um homem não vacinado que havia viajado para fora do país. Assim como os casos de São Paulo, todos os outros 36 registros da doença no país deste ano tiveram origem em outros países. A meta é evitar que o vírus volte a circular internamente, como ocorreu em 2019.
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Dengue: A imunização dos profissionais de saúde com a vacina contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan e que foi registrada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no último dia 8, deve iniciar até o final do mês de janeiro de 2026, prosseguindo até março. “Isso é importante, porque quando chega o período mais crítico da dengue você já tem esses profissionais mais protegidos”, diz Padilha.
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Estratégia: No mesmo período, as cidades de Botucatu (SP) e Maranguape (CE) passarão por uma ação de aceleração para vacinação contra dengue, para dar início a um plano de imunização que será implantado no país, quando a produção for escalonada para atender a toda a população.
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Controle: Estudos indicam que, ao atingir 40% de cobertura vacinal em uma cidade, já é possível observar um controle significativo da transmissão, de acordo com o ministro.
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O combate ao negacionismo e fake news
‘Estamos vencendo essa batalha, mas ainda não está ganha’, diz ministro sobre desafios para ampliar vacinação. Ele tala do combate a médicos que vendem falsas curas
De acordo com Padilha, o ano de 2025 fechará com uma cobertura vacinal maior que em 2024, quando o Ministério da Saúde chegou a registrar um crescimento de 180%no número de municípios acima da meta de 95% de imunização do calendário essencial.
O ministro destacou que a cobertura vacinal de 16 imunizantes do calendário obrigatório de vacinação cresce desde 2023, mas o “negacionismo” ainda é um obstáculo.
Há pessoas espalhando mentiras e ganhando dinheiro com isso. Isso afeta o dia a dia das famílias e dos profissionais de saúde”, alertou Padilha.
Segundo Padilha, o Ministério da Saúde e a Advocacia-Geral da União trabalham juntos em ações judiciais contra a divulgação de notícias falsas em casos que envolvem inclusive médicos e venda de cursos contra a vacinação. “Estamos vencendo essa batalha, mas ela não está ganha ainda”, diz o ministro.
Saúde mental: enfrentamento ao vício em apostas
Atento aos novos desafios sociais, o Ministério lançou o Observatório Saúde de Apostas Eletrônicas. O objetivo é tratar o impacto das “bets” na saúde mental dos brasileiros. Ele falou de novas ferramentas digitaisque passam a ser oferecidas:
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Bloqueio simultâneo: Através do aplicativo Meu SUS Digital, o cidadão poderá bloquear o acesso a todas as suas contas em sites de apostas de uma só vez.
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Teleatendimento: Implantação de suporte psicossocial especializado via telemedicina.
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Adesão: Segundo o Ministério, pacientes com transtornos de jogos sentem-se mais confortáveis em buscar ajuda via consultas online do que presencialmente nos CAPS.
Com informações da Agência Brasil.
Da Agência Brasil





