OMS: ‘Mundo deve se preparar para enfrentar uma próxima pandemia’

OMS alerta que há o perigo de a Humanidade enfrentar outro patógeno com um potencial ainda mais letal que o Sars-COV 2. Entenda

A saúde do planeta está ameaçada por novas emergências sanitárias globais, após a pandemia de Covid-19 (Imagem de Jeyaratnam Caniceus por Pixabay)
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O fim da emergência internacional em saúde pública por Covid-19, declarado no início de maio pela Organização Mundial da Saúde (OMS), não significa descanso para as autoridades sanitárias e muito menos para a comunidade científica. Pelo contrário, vivemos na iminência de uma nova pandemia com potencial de ser ainda mais letal que o coronavírus, que já matou mais de 6,9 milhões de pessoas em todo o mundo, 700 mil só no Brasil.

Em discurso durante a 76ª Assembleia Mundial de Saúde (AMS), realizada entre 21 e 30 de maio, o diretor-geral da OMS Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez um alerta para a possibilidade de um novo surto ainda mais mortal que a covid-19. Segundo ele, há o perigo de a Humanidade enfrentar outro patógeno com potencial ainda mais letal que o Sars-COV 2, indicando que o mundo deve estar preparado para futuras novas pandemias.

“O fim do coronavírus como emergência sanitária não é o fim do coronavírus como ameaça global à saúde. Permanece a ameaça do surgimento de outra variante da covid-19 que cause novos surtos de doenças e mortes. E a ameaça de outro patógeno emergente com potencial ainda mais mortal permanece”, disse Adhanom.

O diretor da OMS ressaltou a possibilidade de surgimento de outra variante da doença que seja capaz de provocar novas ondas importantes de Covid-19 e relembrou que as mortes ainda persistem. Mesmo com as melhoras significativas em relação ao controle do coronavírus, Adhanom destacou que o vírus não é a única forma de colocar a Humanidade em risco.

“As pandemias estão longe de ser a única ameaça que enfrentamos. Em um mundo de crises sobrepostas e convergentes, uma arquitetura eficaz para preparação e resposta a emergências de saúde deve abordar emergências de todos os tipos”, destacou.

Pandemia e outras ameaças à Humanidade 

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em uma reunião na sede da OMS em Genebra, Suíça (Foto: Evan Schneider / ONU)

O diretor da OMS explicou que o impacto da Covid-19 teve implicações significativas nos objetivos de saúde estabelecidos na Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Entre eles, o de garantir a cobertura médica universal,  o bem-estar e um melhor estado de saúde para um bilhão de pessoas em situações de emergência sanitária em todo o mundo.

“Quando a próxima pandemia bater à porta, e ela vai bater, devemos estar preparados para responder de maneira decisiva, coletiva e equitativa”, ressaltou.

As declarações do diretor da OMS mostram que pandemias não são a única ameaça que a Humanidade enfrenta atualmente e que é essencial estabelecer mecanismos globais eficazes para lidar com emergências de qualquer natureza.

Cerco ao tabaco, menos gorduras trans e sal

No entanto, Tedros Adhanom destacou várias conquistas no último ano em relação aos “Cinco P” que estão na agenda de desenvolvimento sustentável da ONU: são eles promover, proporcionar, proteger, potencializar e agir em prol da saúde.

Segundo ele, entre 2017 e 2022, um total de 133 governos nacionais atuaram nesse sentido e uma das ações nesse caminho menciona o aumento ou criação de novos impostos sobre produtos prejudiciais à saúde, como tabaco e as bebidas açucaradas.

Além disso, há um progresso “encorajador”, nas palavras de Tedros, na eliminação de gorduras trans produzidas industrialmente no fornecimento global de alimentos, bem como na redução do consumo de sal, que é um fator de risco para doenças cardiovasculares, de acordo com as diretrizes da OMS.

Os debates da 76ª Assembleia Mundial de Saúde se concentram no fortalecimento da preparação e resposta a emergências de saúde, bem como na saúde de mulheres, crianças e adolescentes; cobertura universal de saúde e atenção primária à saúde; medicina tradicional; prevenção e controle de infecções; saúde dos migrantes; doenças não transmissíveis; e saúde mental.

Fiocruz integra Rede Internacional de Vigilância de Patógeno

Instituições de diversos países do mundo estarão integradas por meio da Rede Internacional de Vigilância de Patógeno (IPSN, na sigla em inglês), iniciativa criada pela OMS. O objetivo é melhorar os sistemas de coleta de amostras e compartilhar informações de maneira mais ampla. A expectativa é de que os dados obtidos possam ajudar na formulação de políticas e no processo de decisão.

Segundo nota divulgada pela OMS, a rede se baseia na genômica de patógenos, que analisa o código genético de vírus, bactérias e outras organismos causadores de doenças, com o objetivo de entender como as infecções são, quão fatais são e como elas se espalham. Estarão envolvidos especialistas de instituições governamentais, privadas, acadêmicas e filantrópicas, além de entidades sociedade civil.

“Os cientistas e os encarregados de saúde pública poderão identificar e rastrear as doenças para prevenir e responder a surtos como parte de um sistema mais abrangente de vigilância, além de desenvolver tratamentos e vacinas”, registra nota da OMS.

O lançamento da rede ocorreu no último sábado (20). A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), instituição científica brasileira vinculada ao Ministério da Saúde, é uma das integrantes da rede e irá compor o fórum de lideranças da rede. O IPSN receberá inicialmente recursos das instituições filantrópicas Rockefeller Foundation e Wellcome Trust e do governo alemão, mas buscará ampliar seus investimentos com a adesão de mais financiadores.

“A Fiocruz foi convidada a participar a partir da sua experiência no enfrentamento da pandemia de covid-19, mas também do acúmulo científico, tecnológico e até mesmo industrial que demonstrou durante esse processo. Estamos felizes e confiantes de que essa rede internacional rapidamente produzirá efeitos em escala global tornando o mundo mais preparado”, avaliou o presidente da Fiocruz, Mário Moreira.

A iniciativa conta ainda duas linhas de ação: comunidades de práticas, que reúnem especialistas na área de dados genômicos e tem por objetivo criar protocolos, compartilhamento de dados e o desenvolvimento de ferramentas de dados que possam integrar os sistemas públicos de saúde; e aceleradores de países, para ampliar a capacidade de cooperação para o desenvolvimento de estruturas locais de vigilância genômica.

Custos com a pandemia de covid-19

Os dois primeiros anos da pandemia de covid-19 custaram quase 337 milhões de anos de vida, provocando a morte prematura de milhões de pessoas, segundo a OMS. Só em 2020 e 2021, a covid causou a perda de 336,8 milhões de anos de vida em todo o mundo. “É como perder 22 anos de vida para cada morte a mais”, disse Samira Asma, chefe adjunta de dados e análises da OMS.

O cálculo é baseado em dados disponíveis em 2022. Desde então, o número de mortos por covid-19 continuou subindo, embora em um ritmo mais lento. A OMS decidiu, portanto, suspender recentemente o nível máximo de alerta sanitário, embora tenha alertado que a doença não desapareceu depois de mais de três anos de pandemia.

O balanço oficial de mortes atribuídas à doença é atualmente de 6,9 milhões de pessoas, mas inúmeros países não forneceram dados confiáveis à OMS, que estima que a pandemia causou quase o triplo de vítimas nesses três anos, ou seja, pelo menos 20 milhões de mortos.

Para isso, baseia-se no cálculo da sobremortalidade, que é a diferença entre o número real de mortes e o número estimado de óbitos em tempos normais. As 20 milhões de vítimas mencionadas pela OMS incluem as mortes diretas por coronavírus e também as mortes devido ao impacto da pandemia nos sistemas de saúde.

China se prepara para nova onda

Embora o diretor-geral da OMS alerte para um surto mais mortal que o da covid-19, a doença ainda preocupa autoridades de outros países. A Chinapor exemplo, está enfrentando uma nova onda de infecções causada pela covid-19 que pode chegar a 65 milhões de casos por semana. O aumento ocorre quase seis meses depois que o país acabou com a política de tolerância zero à doença, que incluía quarentenas severas e testes em massas.

A variante da ômicron, XBB, alimentou o ressurgimento da doença no país. Enquanto isso, o governo chinês tem resposta moderada diante do surto, já que desde o fim de sua política anti-covid, Pequim tenta reativar sua economia e voltar os negócios com os EUA e países estrangeiros.

Com Agências 

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