Muita gente já conhece a história por trás do Dia dos Namorados. A data foi criada com objetivo meramente comercial, para aquecer as vendas nas lojas durante o sexto mês do ano, uma época em que o movimento não vai muito bem para os varejistas.

No entanto, várias pessoas associam o dia 12 de junho ao romantismo e à celebração do amor, uma tendência que pode ser considerada uma ‘faca de dois gumes’, já que também expõe uma pressão social e a “urgência” de estar em um relacionamento – afinal, quem quer estar sozinho em pleno Dia dos Namorados?

Infelizmente, uma medida desesperada pode levar a experiências desastrosas, que podem afetar, sobretudo, nosso emocional.  De acordo com uma pesquisa realizada em 2022 pelo Inner Circle, aplicativo de relacionamento, durante o Dia dos Namorados, dois terços dos brasileiros (algo em torno de 65%) começam a se sentir pressionados a encontrar um par para a data.

E, se por um lado, os aplicativos de namoro podem ser uma ferramenta útil, por outro, há também a impessoalidade e a natureza social do namoro, que também estão atreladas ao uso crescente da tecnologia e desses aplicativos.

Ficou mais difícil participar de encontros nos últimos 10 anos

Em 2019, o Pew Research Center, nos Estados Unidos, conduziu uma pesquisa que mostrou que para quase 50% dos americanos com mais de 18 anos, ficou mais difícil ir a encontros na última década. Os entrevistados apontaram os riscos físicos e emocionais – especialmente a prática de ghosting – que podem surgir em um relacionamento.

Quatro anos depois, em 2023, o Pew Research Center trouxe um dado ainda mais alarmante, que prova o quão vulneráveis são as mulheres que usam essas plataformas. Mais de 50% das entrevistadas com até 50 anos afirmaram receber uma mensagem ou imagem sexualmente explícita – sem seu consentimento – em sites e apps de namoro. Para agravar a situação, 10% delas disseram ter recebido ameaças de morte nessas plataformas.

3 sinais importantes para prevenir gatilhos emocionais 

De acordo com a advogada Mayra Cardozo, mentora de mulheres, especialista em gênero e sócia do escritório Martins Cardozo Advogados Associados, o Dia dos Namorados é desenhado para acionar gatilhos.

O primeiro gatilho é de uma sociedade capitalista, no sentido de pegar e comparar o sentimento de duas pessoas como se fosse algo material, algo comprado, que se resumisse a presentes e um bom jantar. Percebo que, muitas vezes, as pessoas têm relacionamentos que não são saudáveis, que são abusivos, mas que de uma certa forma são mitigados por grandes gestos de demonstrações em um dia escolhido como um marco capitalista para os restaurantes ficarem cheios, e para nós fazermos a economia girar”, explica.

Ainda a respeito dos gatilhos, a advogada diz que todos eles podem gerar consequências físicas e até mesmo emocionais. “Como angústia, depressão, ansiedade, pânico, por expectativas que são criadas em um dia baseado em projeções ilusórias, generalizadas”, explica.

Por fim, Mayra também alerta sobre possíveis casos de estelionatário ou abusador emocional, como o documentário Golpista do Tinder, de 2022, trouxe à tona.

Os golpistas enchem a vítima de amor, até que elas estejam apaixonadas, para começar a executar as manobras financeiras. Muitas vezes sugerem uma viagem em casal, solicitando o cartão da vítima. Ou pedindo uma ajuda financeira para isso ou para aquilo.

“Vamos dizer que os golpistas ‘mais aperfeiçoados’ não vão deixar a vítima saber que eles passam por uma dificuldade financeira. Geralmente passam a imagem de ricos e milionários, mas que o cartão não passou por algum motivo específico”, diz.

Dia dos Namorados: 3 dicas para evitar os gatilhos emocionais

Se você é uma das pessoas que procura relacionamentos, ainda mais para ter alguém com quem passar e comemorar o Dia dos Namorados, atente-se às dicas que a especialista dá para evitar os gatilhos emocionais que a data traz – mas que também podem servir como sinal para identificar um relacionamento abusivo.

1. Identifique os comportamentos suspeitos

“Geralmente esses golpistas aparecem como o ‘príncipe encantado’: são perfeitos, bem educados e amorosos, querem um compromisso e falam que é a primeira vez deles no aplicativo, deixam bem claro que querem ‘construir uma família’. Eles são constantes, mandam mensagens todo dia e toda hora, mandam flores… Resumindo, eles fazem um “love bombing” até que a vítima tenha certeza que encontrou o que a sociedade sempre introjetou em sua mente o que estava ‘faltando’, afirma a advogada.

2. Redobre a segurança (e a desconfiança) ao utilizar aplicativos e sites de relacionamentos, especialmente quando dinheiro for um assunto recorrente

“Isso acontece quando o sequestrador está flertando com a vítima e combina de encontrá-la e sequestrá-la e realiza a extorsão mediante pagamento de resgate ou mediante sacar o dinheiro da conta da pessoa”, explica a especialista. Outro crime que pode também acontecer é o estupro, quando há encontros presenciais e até o feminicídio.

A partir dos sites de relacionamento ou de qualquer outro meio online você pode fornecer informações para os criminosos para que eles possam realizar inúmeros tipos penais. Não são só esses, o leque é muito maior, mas temos que tomar cuidado”, comenta ela sobre os golpes que podem ser dados por meio dessas plataformas.

3. Amor próprio é tudo, especialmente para as mulheres

“Essa ideia do individual, da independência da mulher, é algo relativamente novo, e que muitas mulheres, apesar de serem bem resolvidas e independentes financeiramente, não se sentem felizes por conta daquilo que foi projetado nelas, de que a mulher só vai ser feliz se tiver uma família”.

E isso foi edificado em nossas crenças com a ideia da propriedade privada, com a ideia do corpo da mulher para procriação, para gerar a família.  “Esse é um dos principais gatilhos, de que se você está solteira nos Dia dos Namorados você está infeliz na vida ou que não está dando certo”, conclui Mayra Cardozo.

 

Antes só do qual acompanhada ou em relacionamento tóxico ou abusivo

De fato, o Dia dos Namorados costuma mexer com as emoções de alguns, especialmente daqueles que não tem alguém para chamar de “amor”. Porém, segundo Danilo Suassuna, doutor em Psicologia e diretor do Instituto Suassuna, é preciso considerar que, muitas vezes, é melhor estar só do que em um relacionamento tóxico ou abusivo.

É válida aquela frase que diz ‘melhor só do que mal acompanhado’, pois quando o relacionamento não é saudável, ele não contribui para a vida da pessoa, apenas ajuda a prejudicar sua autoestima”, diz.

De acordo com o especialista, o primeiro amor que deve ser agradado no Dia dos Namorados é a própria pessoa. “Quem não estiver namorando, pode fazer da data algo especial dedicando algum tempo para si mesmo e fazendo algo que goste. Que tal pedir uma comida especial ou marcar uma massagem, por exemplo? É mais válido cuidar e investir em si mesmo do que estar envolvido com alguém tóxico apenas para não ficar sozinho”, orienta.

Sinais de relacionamento tóxico

Segundo o doutor em psicologia, um relacionamento tóxico é aquele em que não há apoio mútuo e mina a autoestima do parceiro ou parceira. “É um relacionamento em que, no lugar de te levantar e te deixar feliz, te faz sentir triste e culpado na maior parte do tempo”, explica.

Alguns sinais de um relacionamento tóxico, segundo Danilo Suassuna, são críticas constantes, manipulação e comportamento controlador do parceiro.

Normalmente ele tenta ditar as escolhas, faz chantagem emocional e critica o tempo todo. Outro sinal é que esse tipo de relacionamento geralmente deixa a pessoa cansada emocionalmente, ansiosa ou até deprimida. Isso sem falar em relações em que há violência física. Neste caso é ainda mais grave”, alerta.

O diretor do Instituto Suassuna ressalta que um relacionamento deve ser leve, com muito diálogo, confiança e respeito entre os parceiros. “Essa é a relação que vale manter e comemorar no Dia dos Namorados. Caso contrário,  é melhor entender que é mais válido estar sozinho e comemorar o respeito a si mesmo, aproveitando a data para fazer algo que goste ou para se dar um presente”, finaliza.

Com Assessorias

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