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Morte de jovem após relação sexual com jogador acende alerta

A morte de uma jovem de 19 anos após se encontrar com um jogador do time de base do Corinthians acendeu o alerta para um grave problema: o sangramento e a dor durante a relação sexual não são coisas normais e, portanto, não devem ser minimizados nem por mulheres nem por homens, alertam especialistas.

Para a ginecologista Yara Caldato, o caso reforça que a relação sexual não pode ser dolorosa. “Não é pra sangrar, então qualquer coisa que você começa a sentir muita dor ou tem um sangramento, pare a relação imediatamente e observe. Procure um atendimento de urgência se for o caso. Infelizmente, essas coisas acontecem para nos servir de alerta”, disse.

De acordo com informações da polícia, Livia Gabriele da Silva Matos apresentava intenso sangramento nas partes íntimas e sofreu quatro paradas cardiorrespiratórias, uma delas a caminho do pronto-socorro.

O laudo preliminar apontou que houve uma “rutura de fundo de saco de Douglas com extensão à parede vaginal esquerda”, o que significa que ocorreu uma ruptura ou corte na região genital que fica na parte baixa do abdômen, entre o útero e o reto.

A Polícia Civil investiga se houve violência ou introdução de algum objeto no ato sexual. O jogador Dimas Cândido de Oliveira Filho, de 18 anos, prestou socorro à vítima e não chegou a ser preso. Segundo seus advogados, ele é inocente.

‘Não é pra sangrar”, diz ginecologista

Especialista em Ginecologia Regenerativa, Funcional e Estética, afiliada do Instituto Nutrindo Ideais, em Belém, Yara postou em seu Instagram, um vídeo onde explica que é possível sim que uma lesão no saco de Douglas leve a mulher à morte.

“Durante o meu período de residência médica, infelizmente, vi alguns casos. Não é algo comum mas pode sim acontecer e a gente tem que tomar cuidado durante as relações sexuais e com algumas posições além do uso de alguns toys, aqueles brinquedos sexuais”, ressalta.

Segundo ela, essa é uma região muito vascularizada e, dependendo da posição que essa mulher está tendo a relação sexual, o pênis pode bater com um pouco mais de força nesse local ou o uso de alguns brinquedos de sex shop.

“Como é uma região muito vascularizada pode bater ali e sangrar bastante levando essa paciente a ter um choque mesmo e pode levar a óbito se ela não procurar atendimento logo porque a gente precisa rafiar, costurar essa região que foi lacerada”, explica.

Exames que podem apontar a causa vão levar 30 dias

Exames complementares — necroscópico, toxicológico e sexológico — devem apontar o que pode ter causado a ruptura na região genital de Livia. Além disso, esses laudos devem indicar também se ela consumiu algum tipo de substância, como álcool ou entorpecente. A previsão é que os resultados levem pelo menos 30 dias (saiba mais sobre o caso no final do texto).

No programa ‘Fantástico’, deste domingo (4), foram mostrados prints das conversas entre Lívia e o jogador, até momentos antes da chegada dela a seu apartamento. A família aguarda respostas sobre o laudo definitivo e espera por Justiça no caso.

Em vídeos com os pais e as duas irmãs de Lívia, a mãe disse que ela não tinha nenhum problema ginecológico. As irmãs contaram que ela era muito solidária e gostava de participar de ações solidárias. Inteligente, tirava boas notas e pretendia seguir carreira como técnica de enfermagem.

Afinal, o que é o saco de Douglas?

A a ginecologista Yara Caldato explica que o saco de Douglas é uma estrutura anatômica na pelve, localizada entre o útero e o reto, na parte mais baixa da cavidade abdominal, e é uma parte importante da anatomia ginecológica.

“O saco de Douglas é uma área potencialmente vazia que pode ser preenchida por órgãos ou tecidos vizinhos, dependendo da posição e do estado fisiológico do sistema reprodutor feminino. É uma área onde os médicos podem realizar exames ginecológicos e avaliar a presença de fluidos ou anormalidades”, esclareceu.

Durante o ciclo menstrual, o saco de Douglas é uma região que pode ser examinada em busca de sinais de endometriose, uma condição em que o tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero e que pode levar a fortes dores, hemorragia e causar a infertilidade.

“Além disso, é uma área comum para acumulação de fluidos em casos de doença inflamatória pélvica ou outras condições ginecológicas. Assim, o saco de Douglas é uma região anatômica importante no contexto ginecológico e é frequentemente considerado durante exames e procedimentos relacionados à saúde reprodutiva da mulher”, completou a médica.

O que mais faz uma mulher sangrar após o sexo?

Segundo estudo publicado no site NHS, o sangramento pode indicar:

Uma infecção, como doença inflamatória pélvica (DIP) ou uma infecção sexualmente transmissível (IST), como clamídia;

Secura vaginal (vaginite atrófica) causada pela redução das secreções vaginais após a menopausa;

Danos à vagina, como lacerações causadas pelo parto ou por secura ou fricção durante o sexo;

Pólipos cervicais ou endometriais (crescimentos benignos ou não cancerosos no útero ou no revestimento do colo do útero);

Ectrópio cervical (também conhecido como erosão cervical), onde há uma área inflamada na superfície do colo do útero.

Portanto, o acompanhamento frequente com ginecologista é indispensável para manter a saúde íntima em dia.

Jogador diz que só percebeu Lívia desmaiada quando ia para a segunda relação

Lívia estava no apartamento do jogador do sub-20 do Corinthians, Dimas Cândido de Oliveira Filho, na noite de terça-feira (30), no Tatuapé, Zona Leste de São Paulo, e foi levada ao pronto-socorro pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), acionado pelo jogador. A jovem teve uma parada cardíaca no local, uma na ambulância do Samu e duas no PS Tatuapé.

Em depoimento à polícia, Dimas disse que os dois tiveram relação sexual e conversaram em seguida. Quando foram para a segunda relação sexual, ele diz que percebeu que Livia não respondia, momento então em que observou que ela tinha desmaiado e ligou imediatamente para o Samu.

O jogador contou que conversava há alguns meses com a jovem por aplicativo e redes sociais, que os dois nunca tinham se visto pessoalmente e que esse tinha sido o primeiro encontro. Disse ainda que eles não fizeram uso de bebida alcoólica e entorpecentes, e que estavam apenas os dois no apartamento. O atleta também contou que Lívia havia levado dois cigarros eletrônicos, onde era usado um óleo.

Em nota, o Sport Club Corinthians Paulista informou que “está ciente dos acontecimentos que envolveram um de seus atletas da base, aguarda a investigação dos fatos e está à disposição para colaborar com as autoridades”. A advogada do atacante, Fabiana Moura, disse à TV Globo que o cliente é inocente e que aguarda os laudos das perícias.

Com informações de Assessoria e do G1 (Atualizada em 04/02/24)

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