O Rio de Janeiro ganhou, nesta terça-feira (7), Dia Mundial da Saúde, um espaço dedicado à preservação da memória e ao compromisso com a ciência. O edifício histórico do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), localizado na Praça Marechal Âncora, foi reaberto ao público após três anos de obras. O destaque da reinauguração é a criação do Memorial da Pandemia, um tributo às mais de 700 mil vidas perdidas para a Covid-19 no Brasil.
Com um investimento de R$ 15 milhões via Novo PAC, a requalificação do prédio de 1922 — originalmente construído para a Exposição Internacional do Centenário da Independência — simboliza a retomada de políticas públicas baseadas em evidências.
Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o memorial é um marco contra o negacionismo: “O Brasil não pode esquecer o que aconteceu. Este memorial é um compromisso com a memória dessas pessoas e com a reconstrução de uma política baseada na ciência”.
Arte e tecnologia a serviço da memória
A programação de reabertura apresenta instalações que buscam humanizar os dados estatísticos da tragédia:
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Instalação digital: Pilastras com letreiros exibem nomes, idades e cidades das vítimas.
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Monumento à União: Uma escultura em alumínio naval, representando silhuetas humanas de mãos dadas, simboliza a mobilização social durante a crise.
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Legado do Zé Gotinha: O espaço conta com uma obra de Darlan Rosa, criador do icônico personagem da vacinação brasileira.
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Memorial digital: Lançado em parceria com a Unicamp e a OPAS/OMS, o portal oficial servirá como acervo e base para uma exposição itinerante que percorrerá seis capitais brasileiras até 2027.
É uma questão de memória, de justiça, de verdade e de luta para que não se repita mais a condução irresponsável do Estado”, afirma Paola Falceta, fundadora da Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (Avico).
Guia para manejo de pós-Covid
O CCMS já tem nova agenda confirmada: em junho, receberá a exposição “Vida Reinventada”, com curadoria da ex-ministra da Saúde, Nísia Trindade, unindo arte e ciência para refletir sobre os impactos sociais da pandemia.
Além do memorial, o Ministério da Saúde, em parceria com a Fiocruz, lançou o Guia Nacional de Manejo das Condições Pós-Covid. O documento orienta o diagnóstico e tratamento de sequelas persistentes que podem surgir após quatro semanas da infecção, abrangendo sistemas cardiovasculares, respiratórios e a saúde mental.
A reabertura ocorre em um momento de recuperação das coberturas vacinais no país. Dados do Ministério da Saúde apontam que a segunda dose da tríplice viral, por exemplo, saltou de 57,6% em 2022 para 78,9% em 2025.
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Regulamentação da profissão de sanitarista fortalece a gestão do SUS
Decreto abre caminho para registro de 30 mil profissionais e valoriza a formação científica
No mesmo dia em que celebrou a memória das vítimas da pandemia, o Ministério da Saúde deu um passo decisivo para evitar futuras crises sanitárias. Durante evento na Fiocruz, no Rio de Janeiro, o ministro Alexandre Padilha anunciou a regulamentação da profissão de sanitarista através do Decreto nº 12.921/2026.
A medida estima que cerca de 30 mil profissionais em todo o Brasil agora podem obter o registro oficial, consolidando uma categoria essencial para a vigilância epidemiológica e o planejamento de políticas públicas. O primeiro registro foi entregue simbolicamente à professora Maria Cecília Minayo, ícone da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz).
Segurança institucional e prontidão para emergências
A formalização da profissão é vista como um pilar estratégico para o conceito de Saúde Única, uma vez que o sanitarista é o profissional capacitado para analisar as interconexões entre saúde humana, animal e ambiental.
Com a formalização, o país fortalece sua capacidade técnica de resposta a surtos e endemias, garantindo que a gestão do SUS seja conduzida por especialistas dedicados à preservação da vida e ao rigor científico.
Esta regulamentação confere maior segurança institucional e valorização a uma categoria essencial para a implementação de respostas efetivas aos desafios sanitários brasileiros”, destacou Felipe Proenço, secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES).
Como obter o registro profissional
O processo de registro será centralizado pelo Ministério da Saúde de forma eletrônica. Estão aptos profissionais que possuam:
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Graduação: Diplomas em Saúde Coletiva ou Saúde Pública reconhecidos pelo MEC.
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Pós-graduação: Títulos de mestrado, doutorado ou residência (médica ou multiprofissional) nas áreas de saúde coletiva ou pública.
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Experiência e revalidação: Diplomas estrangeiros revalidados no Brasil ou especializações acompanhadas de comprovada experiência profissional na área.
Complexo hospitalar da UFRJ recebe investimento de R$ 8,6 milhões para alta complexidade
Recursos destinados a cinco institutos da universidade visam reduzir filas e ampliar o programa “Agora Tem Especialistas” no SUS
Encerrando a agenda oficial no Rio de Janeiro nesta terça-feira (7), o ministro Alexandre Padilha anunciou, durante aula magna na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o repasse de R$ 8,6 milhões para o complexo hospitalar da instituição. O investimento faz parte do programa Agora Tem Especialistas e marca a adesão de cinco institutos estratégicos ao Programa Nacional de Qualificação e Ampliação dos Serviços Prestados por Hospitais Universitários Federais (PRHOSUS).
A portaria, que entra em vigor nesta quinta-feira (8), beneficia unidades que são referência em suas áreas de atuação:
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Instituto de Atenção à Saúde São Francisco de Assis (HESFA)
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Instituto de Neurologia Deolindo Couto (INDC)
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Instituto de Psiquiatria (IPUB)
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Instituto de Ginecologia (IG)
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Instituto de Doenças do Tórax (IDT)
Fortalecimento da rede universitária
O aporte financeiro visa qualificar a oferta de atendimentos de média e alta complexidade, além de aprimorar a gestão das unidades. Segundo o ministro, o orçamento destinado aos hospitais universitários federais em 2026 é 90% superior ao que era praticado em 2022, refletindo uma política de valorização das instituições de ensino como braços executores da saúde pública.
O investimento na UFRJ soma-se ao montante nacional do PRHOSUS, que já assegura R$ 1,4 bilhão para 45 hospitais da rede Ebserh. Ao dobrar os recursos para hospitais federais — que saltaram de R$ 2,2 bilhões em 2022 para R$ 4,4 bilhões em 2025 — o Governo Federal busca garantir que o avanço científico gerado nas universidades chegue diretamente ao paciente do SUS, com mais leitos, equipamentos modernos e profissionais especializados.
Essa reestruturação hospitalar, somada à memória da pandemia e à regulamentação dos sanitaristas, fecha um ciclo de ações que reafirmam a ciência e a educação pública como pilares da segurança sanitária nacional.
Agenda Positiva
INC promove ação gratuita em Copacabana com foco no cuidado integral
Campanha Saúde Plena: Cuidar é Integrar oferece serviços, orientações e atividades voltadas ao bem-estar físico, mental e social da população
Outros eventos marcaram o Dia Mundial da Saúde no Rio de Janeiro. Referência na realização de procedimentos de alta complexidade em cardiologia, como cirurgias e transplantes, o Instituto Nacional de Cardiologia (INC) realizou a campanha Saúde Plena: Cuidar é Integrar, na Praça Serzedelo Correia, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, com entrada gratuita e programação aberta a todas as idades.
Promovida em parceria com a Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (SOCERJ), a Fundação de Apoio à Cardiologia (FUNDACOR) e a Secretaria Municipal de Saúde (SMS-RJ), a iniciativa teve como objetivo ampliar o acesso à informação, prevenção e cuidados em saúde. Coordenada pelo Comitê de Promoção à Saúde Cardiovascular do INC, a campanha promove uma manhã inteira de orientações e serviços de avaliação de saúde e atividades focadas no bem-estar integral.
Durante a ação, profissionais voluntários, entre médicos, enfermeiros, psicólogos, terapeutas, odontólogos e assistentes sociais ofereceram orientações e atendimentos à população. Entre os destaques da programação estava a avaliação “Semáforo do Coração”, que inclui aferição de pressão arterial, medição de peso, altura e circunferência abdominal, além de orientações imediatas sobre fatores de risco, como hipertensão e tabagismo, com possível encaminhamento para a Atenção Primária à Saúde.
O público também poderá participar das Estações de Bem-Estar, com atividades voltadas à prática física, saúde mental e emocional, e cidadania, além de receber orientações sobre alimentação saudável e hábitos que contribuem para uma vida mais longa e com qualidade. A programação inclui ainda avaliação de fatores de risco, orientação odontológica, apoio para combate ao tabagismo, auriculoterapia, orientação nutricional, prática de Tai Chi Chuan e aulão de ginástica. A proposta é incentivar a população a adotar o autocuidado como prática cotidiana, com o apoio do SUS.
Com informações do Ministério da Saúde e INC






