O Dia do Dermatologista, celebrado nesta quinta-feira (5/2), destaca a importância do médico responsável pelo cuidado com a pele, cabelos e unhas, chega acompanhada de dados alarmantes sobre o acesso à saúde no Brasil. O dossiê “Brasil à Flor da Pele”, divulgado em 2025, revela que mais da metade da população (54%) nunca foi a uma consulta com esse especialista.
O levantamento, realizado pelo Instituto DataFolha a pedido da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e do Grupo L’Oréal, acende um alerta sobre a percepção pública da profissão: uma em cada quatro pessoas no país ainda não sabe que o dermatologista é, obrigatoriamente, um médico.
Desigualdade no acesso e o impacto na saúde pública
Os dados evidenciam um abismo social e de gênero no cuidado preventivo. Enquanto nas classes A e B o acesso à especialidade atinge 69% e 66%, respectivamente, esse número despenca para 32% nas classes D e E. Além disso, homens e pessoas negras são os grupos que menos procuram o consultório, mesmo reconhecendo que problemas de pele raramente se resolvem sozinhos.
Essa ausência de acompanhamento reflete diretamente no diagnóstico tardio de doenças graves. Durante a campanha Dezembro Laranja, que promoveu mais de 17 mil atendimentos gratuitos em todo o país, a SBD identificou que 61% dos pacientes se expõem ao sol sem qualquer proteção.
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Mutirão revela altos índices de câncer de pele
A mobilização nacional da SBD em 100 postos de atendimento trouxe números concretos sobre a realidade dermatológica do brasileiro. Dos casos diagnosticados nos mutirões, o carcinoma basocelular (CBC) — o tipo mais comum de câncer de pele — correspondeu a 13,96% dos atendimentos.
| Diagnóstico (Campanha Dezembro Laranja) | Porcentagem (%) |
| Outras Dermatoses (Doenças variadas) | 41,47% |
| Carcinoma Basocelular (CBC) | 13,96% |
| Pré-neoplasias | 11,67% |
| Carcinoma Espinocelular (CEC) | 4,49% |
| Melanoma (Tipo mais agressivo) | 2,30% |
A prevenção é para todos. Os homens também precisam prestar atenção no seu autocuidado”, reforça Carlos Barcaui, presidente da SBD, ao comentar que 61% dos atendidos na campanha eram mulheres, reforçando o histórico distanciamento masculino das práticas preventivas.
Excelência brasileira em destaque internacional
Apesar dos desafios de acesso interno, a dermatologia brasileira é referência global em ciência e assistência. Valeria Aoki e Egon Luiz Rodrigues Daxbacher (especialista em hanseníase), também receberam reconhecimentos recentes da International League of Dermatological Societies (ILDS). O próprio presidente da SBD será homenageado em março pela American Academy of Dermatology (AAD).
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