Uma iniciativa conjunta entre as principais entidades de saúde do país revelou um mapeamento inédito das 100 melhores unidades hospitalares públicas do Brasil administradas por organizações sociais de saúde (as chamadas OSs). O levantamento, que serve como fase classificatória para o Prêmio Melhores Hospitais Públicos do Brasil, destaca centros de excelência do Sistema Único de Saúde (SUS) distribuídos por todas as regiões do território nacional.
A premiação, prevista para ocorrer em maio deste ano, é organizada pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross), em parceria com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS), Instituto Ética Saúde (IES) e os conselhos nacionais de secretários estaduais (Conass) e municipais (Conasems) de saúde.
Embora o levantamento mostre unidades de excelência em quase todos os estados, a concentração na região Sudeste ainda é acentuada. São Paulo lidera o ranking com 30 das 100 melhores instituições (30%). Essa predominância é atribuída ao maior volume de hospitais que atendem integralmente pelo SUS no estado, tanto em números absolutos quanto proporcionais.
Logo após São Paulo, os estados com maior presença na lista são:
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Goiás: 10%
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Pará: 7%
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Santa Catarina: 7%
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Pernambuco e Rio de Janeiro: 6% cada
Rio de Janeiro tem 6 hospitais na lista
O Estado do Rio de Janeiro garantiu seis posições no seleto grupo das 100 melhores unidades administradas por OSs no país. A lista fluminense inclui desde institutos especializados em cardiologia e neurologia até maternidades e hospitais municipais de grande porte.

Entre as unidades contempladas está o Instituto Estadual do Cérebro (IECPN), no Rio de Janeiro, que realiza 200 cirurgias mensais e cerca de dois mil atendimentos ambulatoriais por mês e é considerado uma referência internacional em neurocirurgia de alta complexidade.
Atualmente, o Instituto passa por obras para receber do Ministério da Saúde o primeiro acelerador linear público do Brasil, complementando o exclusivo Gamma Knife na ampliação dos tratamentos de ponta oferecidos no estado.
Além do IECPN, outras três unidades administradas pelo Estado aparecem na lista: o Hospital Estadual da Criança; o Hospital Vereador Melchiades Calazans (HTO Baixada); o Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro (IECAC).
Ao comentar os resultados do levantamento, a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello falou dos investimentos realizados e do reconhecimento da qualidade e do engajamento de cada profissional de saúde. “Contamos com equipes reconhecidas internacionalmente, mas na ponta a saúde é feita de gente que cuida de gente. E esse vínculo de afeto salva vidas”, disse.
Confira as unidades do RJ que figuram na lista (em ordem alfabética):
| Cidade | Hospital |
| Nilópolis | Hospital Estadual Vereador Melchiades Calazans |
| Rio de Janeiro | Hospital Estadual Transplante Câncer e Cir Infantil |
| Rio de Janeiro | Hospital Municipal Lourenço Jorge |
| Rio de Janeiro | Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro |
| Rio de Janeiro | Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer |
| Rio de Janeiro | Maternidade da Mulher Mariska Ribeiro |
Investimentos em hospitais do Rio de Janeiro
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), as novas instalações do Instituto Estadual do Cérebro (IECPN), inauguradas em 2023, receberam R$ 18,8 milhões em investimentos. Após as mudanças, foram abertos 49 novos leitos de enfermaria pós-operatório e dez leitos de CTI infantil.
Desde que foi inaugurado, março de 2013, o Hospital Estadual da Criança já mudou o destino de muitos pequenos e jovens fluminenses, tendo realizado 63.952 procedimentos cirúrgicos, 256.813 consultas e 313 transplantes (160 hepáticos e 153 renais). A unidade recebe mais de R$ 129 milhões por ano do governo estadual para o seu funcionamento
Dedicado ao cuidado de alta complexidade para crianças e adolescentes, é um dos únicos hospitais brasileiros a realizar transplantes renais em pacientes de até 15kg. Bebês de até 1,6kg com câncer também são operados no hospital com técnicas minimamente invasivas. Na ortopedia, conta com o único ambulatório no estado para tratamento do pé torto congênito.
Ainda de acordo com a SES-RJ, o Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro (IECAC) passou a contar com 28 novos leitos de enfermaria e o setor de Hemodinâmica ganhou o terceiro angiógrafo digital – aparelho para exames de angioplastia, cateterismo, coronariografía, implante transcatéter de válvula aórtica, entre outros.
O HTO Baixada também passa por reforma, que está em estágio avançado e vai ampliar os diagnósticos realizados pela unidade. O Hospital irá oferecer exames como ressonância magnética, tomografia computadorizada, radiografias, ultrassonografia, ecodoppler e eletrocardiograma.
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Critérios de excelência e gestão são avaliados
Para chegar à lista dos 100 selecionados, a pesquisa avaliou o desempenho das unidades entre agosto de 2024 e julho de 2025. Foram considerados apenas hospitais com mais de 50 leitos e assistência 100% via SUS, excluindo instituições psiquiátricas ou de longa permanência.
Entre os principais indicadores analisados estão:
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Acreditação hospitalar: certificações voluntárias de qualidade e segurança;
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Eficiência operacional: taxas de ocupação e tempo médio de permanência;
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Segurança do paciente: taxas de mortalidade;
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Infraestrutura: disponibilidade de leitos de UTI.
Segundo o médico sanitarista Renilson Rehem, coordenador do trabalho, o objetivo é mudar o foco das discussões sobre a rede pública. “Estamos dando uma pauta positiva para os hospitais públicos que normalmente vivem mais com pautas negativas, considerando as dificuldades que enfrentam”, afirma Rehem.
Próximas etapas
A relação dos 100 indicados passará agora por uma nova fase de ranqueamento. Esta etapa final incluirá pesquisas independentes de satisfação com os pacientes, análise de dados de compliance e uma avaliação de eficiência que cruzará os resultados assistenciais com os recursos financeiros disponíveis em cada unidade.


Atualizado em 09/01/26






