A campanha Fevereiro Laranja faz um alerta vital: o tempo, o diagnóstico preciso e o acesso imediato ao tratamento são os pilares que definem a jornada do paciente e elevam as chances de cura. Embora o termo leucemia possa parecer assustador, a conscientização é a ferramenta mais poderosa para enfrentar esse câncer que afeta os glóbulos brancos, responsáveis pela defesa do organismo.

No Brasil, a doença é um desafio de saúde pública. Segundo dados do , foram registrados 5.492 óbitos pela doença em 2024. Já o aponta que, em 2025, o país registrou mais de 7 mil novos casos. Para o triênio 2026–2028, o projeta cerca de 12.220 novos casos anuais, sendo a maioria entre o público masculino.

Fevereiro Laranja: o que realmente importa no combate à doença

Criada em 2018, a mobilização busca ampliar o debate sobre sinais de alerta e incentivar a doação de medula óssea. Especialistas ressaltam que agir no tempo certo e garantir acesso a serviços especializados são fatores determinantes para o sucesso terapêutico. A leucemia não é uma patologia única, mas um grupo de doenças que afetam o sistema hematopoiético.

Na maioria das vezes, ela se comporta de forma muito agressiva, especialmente as agudas. Os pacientes já chegam com sintomas importantes e, por isso, requer uma análise muito rápida das possibilidades”, explica Philip Bachour, hematologista e coordenador do Serviço de Transplante de Medula Óssea e Terapia Celular do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Entenda os diferentes tipos e classificações

As leucemias são divididas em quatro grupos principais, baseados na velocidade de progressão e no tipo de célula afetada:

  • Leucemia Mieloide Aguda (LMA): Progressão rápida, afeta células mieloides.

  • Leucemia Linfoide Aguda (LLA): Progressão rápida, afeta linfócitos.

  • Leucemia Mieloide Crônica (LMC): Progressão lenta.

  • Leucemia Linfoide Crônica (LLC): Progressão lenta, comum em idosos.

O hematologista Philip Bachour reforça: “Existem diferentes tipos, com comportamentos e tratamentos específicos. Por isso, a rapidez na investigação e a definição correta do diagnóstico são determinantes”.

O impacto no cenário infantojuvenil

A leucemia é o câncer mais comum entre crianças e adolescentes de 0 a 19 anos no Brasil. Embora a Leucemia Linfoide Aguda (LLA) tenha maior incidência neste grupo, a Leucemia Mieloide Aguda (LMA) é mais frequente em adultos. Essa variação reforça a necessidade de estruturas preparadas para o atendimento oncohematológico em todas as faixas etárias.

Sinais de alerta e a importância da rapidez

Os sintomas podem ser inespecíficos, o que exige atenção redobrada. Os principais sinais incluem:

  • Anemia, palidez e cansaço excessivo;

  • Manchas roxas (petéquias) sem traumas aparentes;

  • Febre, calafrios e infecções recorrentes;

  • Sangramentos prolongados e dores ósseas ou abdominais.

Para a oncohematologista do CRIO, Paola Tôrres, a informação é decisiva: “A leucemia pode apresentar sinais inespecíficos. Por isso, campanhas como o Fevereiro Laranja são fundamentais para alertar famílias e profissionais sobre a importância da investigação precoce e do encaminhamento adequado”.

Diagnóstico preciso: do hemograma ao mielograma

O diagnóstico começa com um simples hemograma completo. Alterações na contagem de plaquetas, leucócitos ou hemácias, ou a presença de células imaturas (blastos), acendem o alerta.

Os casos de leucemias crônicas são geralmente descobertos por alterações no hemograma de rotina. Sintomas mais contundentes costumam surgir apenas em estágios avançados”, afirma Lucas Castelo, médico hematologista da Oto CRIO – Oncologia.

Confirmada a suspeita, o próximo passo é o mielograma (aspiração da medula) e, por vezes, a biópsia óssea. Exames genéticos e moleculares avançados hoje permitem classificar o subtipo exato da doença, direcionando para terapias-alvo ou transplante de medula de forma muito mais eficaz.

Avanços terapêuticos e o desafio do acesso

O tratamento evoluiu para incluir quimioterapia, radioterapia, terapias-alvo e imunoterapias. Entretanto, a desigualdade entre os sistemas público e privado ainda custa vidas.

Um estudo brasileiro publicado em 2024 na revista científica Blood, uma das principais publicações internacionais da American Society of Hematology (ASH), analisou 235 pacientes com leucemia mieloide aguda (LMA) tratados nos dois sistemas e evidenciou disparidades relevantes.

A mortalidade precoce foi de 26,8% no sistema público, contra 9,8% no sistema privado. A sobrevida global mediana foi de 7 meses entre pacientes atendidos na rede pública, comparada a 22 meses no sistema privado, além de uma sobrevida livre de progressão significativamente menor no SUS

Isso mostra que o acesso ao diagnóstico e às terapias corretas interfere diretamente na chance de sobrevivência”, alerta Dr. Philip Bachour.

Fatores de risco e prevenção possível

A doença surge quando células-tronco na medula óssea sofrem mutações genéticas e se multiplicam descontroladamente. “As células leucêmicas não conseguem combater infecções e prejudicam a produção de células saudáveis”, destaca Lucas Castelo.

Embora não haja uma forma definitiva de prevenir a leucemia, hábitos saudáveis ajudam a reduzir riscos ambientais. Evitar o tabagismo, o excesso de peso e a exposição sem proteção a agentes químicos (solventes e pesticidas) ou radiação ionizante são medidas recomendadas.

O diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de cura. É importante ficar atento aos sintomas e procurar um médico em caso de suspeita”, conclui Castelo.

Com Assessorias

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