O bem-estar emocional do planeta estagnou. É o que revela o relatório mais recente do Global Mind Project, que monitora a saúde mental em diversos países. Segundo o documento, os índices globais permanecem nos mesmos patamares críticos da pandemia. O cenário para o Brasil é ainda mais desafiador: o país ocupa a última posição no ranking, ao lado de África do Sul e Reino Unido.
Enquanto a média global de pessoas que se declaram “angustiadas” é de 27%, no Brasil esse número sobe para 34%. O impacto é sentido com mais força pelos jovens com menos de 35 anos. Diante deste panorama, o Janeiro Branco deixa de ser apenas uma campanha de conscientização para se tornar um chamado urgente ao resgate da saúde integral.
O “faxina” consciente no início do ciclo
Para a psicóloga Aparecida Tavares, o início do ano funciona como uma oportunidade de “faxina mental”. No entanto, ela alerta que não se trata de descartar sentimentos de qualquer maneira, mas de uma análise consciente.
“É o momento de refletir: o que eu quero fazer diferente? Propor uma vida que promova bem-estar mental e espiritual exige estratégias para transformar metas em evolução real”, pontua a especialista.
Cinco estratégias para cultivar o equilíbrio em 2026
Aparecida Tavares lista pilares fundamentais para que o cuidado com a mente se estenda por todo o ano:
1. Conexão com a dimensão espiritual
Independente de religião, a dimensão espiritual trata do propósito de vida e do contato com o “eu” profundo. “Ela nos ajuda a entender que somos autores da nossa própria história”, diz a psicóloga. Práticas como meditação plena (mindfulness), yoga, silêncio e contemplação são portas de entrada para esse fortalecimento.
2. Alfabetização emocional
Fomos educados para entender o mundo externo, mas pouco compreendemos nosso mundo interno. O desafio é racionalizar o que sentimos. Pergunte-se: por que sinto raiva ou alegria? O que posso aprender com essa frustração? Identificar as emoções e entender como reagimos a elas é o primeiro passo para o autocontrole.
3. Cuidado com as relações e limites
As dificuldades interpessoais testam nossa capacidade criativa de transformar limites. Para Aparecida, é preciso saber quando sair de lugares que não nos fazem bem. “Às vezes, chegamos ao topo da montanha e ficamos olhando para o precipício, quando a vida nos convida a olhar para o horizonte e contemplar a beleza da jornada”, compara.
4. Priorização do prazer e do ócio
Demandas de trabalho e obrigações domésticas não devem anular o tempo para cultura, boas leituras, viagens e lazer. Permitir-se o descanso e descobrir novos hobbies é essencial para recarregar a energia vital. O lazer é o espaço onde descobrimos novas facetas da nossa personalidade.
5. Consciência do papel social
Nossas atitudes colaboram para o bem-estar coletivo? Ser coerente com os próprios valores é uma forma de saúde mental. Citando o filósofo Edgar Morin, a psicóloga lembra que somos como grãos de areia: pequenos, mas parte de um universo inteiro. Assumir essa responsabilidade social traz sentido à existência.
Cuidar da mente é, em última análise, cuidar do corpo e do propósito. Que os dados negativos do cenário mundial sirvam de impulso para que, neste Janeiro Branco, o encontro com o “eu” seja a sua meta mais importante.




