O verão é sinônimo de férias, praia, piscina e mais tempo ao ar livre. No entanto, o calor intenso e a maior frequência de banhos de mar e piscina tornam os cuidados íntimos mais desafiadores. Nesta época, aumentam significativamente os casos de infecções ginecológicas, como candidíase, vaginose e infecção urinária, exigindo atenção redobrada das mulheres.

A combinação de exposição ao sol, sal, cloro, areia e o contato prolongado com biquínis úmidos impacta diretamente a saúde dermatológica e ginecológica. Segundo especialistas, o ambiente quente e úmido é o cenário ideal para a proliferação de microrganismos.

Por que as infecções aumentam no calor?

O desequilíbrio da flora vaginal no verão ocorre por uma série de gatilhos térmicos e comportamentais. “A água do mar, o cloro da piscina e até mesmo alguns produtos de higiene podem alterar o pH vaginal, levando ao ressecamento e à proliferação de infecções”, afirma a ginecologista Loreta Canivilo.

A ginecologista Camila Martin Massutani reforça que “ficar com roupas molhadas por longos períodos, como maiôs e biquínis, cria a condição perfeita para o crescimento de microrganismos. Além disso, o suor e a fricção intensificam o desequilíbrio da flora vaginal”.

Além dos fatores externos, o estilo de vida típico das férias também conta. Tatiana Aoki, ginecologista da Ellowa Health, destaca que o consumo elevado de açúcar e a desregulação alimentar interferem na microbiota. “Sorvetes, bebidas doces e guloseimas típicas do verão contribuem para o desequilíbrio do microbioma vaginal, favorecendo a Candida albicans“, explica.

Diferenças entre candidíase e vaginose

Embora causem desconfortos semelhantes, as infecções têm origens distintas. A candidíase é causada por fungos e provoca coceira intensa e corrimento esbranquiçado. Já a vaginose bacteriana se caracteriza por corrimento acinzentado e odor forte.

“O tratamento também difere. Por isso, automedicação pode mascarar sintomas ou piorar o quadro. O ideal é sempre consultar um especialista para o diagnóstico correto”, alerta a Dra. Camila.

Guia de prevenção: hábitos essenciais para a estação

Para aproveitar o sol sem comprometer o bem-estar, as especialistas listam recomendações fundamentais:

  • Troque o biquíni molhado: “Trocar o biquíni molhado por outro seco é importante para evitar o desenvolvimento de fungos e bactérias”, orienta a Dra. Loreta.

  • Atenção ao vestuário: Opte por calcinhas de algodão e roupas leves. De acordo com a ginecologista Liliane de Melo Guimarães, parceira da DKT South America, “tecidos sintéticos, rendas e peças muito apertadas abafam a região íntima, o que favorece a proliferação de fungos”. Dormir sem calcinha também é uma recomendação para melhorar a ventilação noturna.

  • Higiene sem exageros: Lavar apenas a área externa com água e sabonete neutro é o indicado. “Duchas internas e sabonetes íntimos em excesso podem desregular a flora vaginal“, alerta a Dra. Liliane.

  • Hidratação constante: Beber água ajuda a equilibrar a temperatura corporal e a prevenir a cistite. “Quanto menos a pessoa urina, menor é a chance de eliminar bactérias naturalmente“, reforça a Dra. Camila.

  • Cuidado com produtos químicos: Evite o uso de pomadas, cremes ou perfumes diretamente na vulva. “Esses produtos podem desequilibrar a flora vaginal e agravar o risco de infecções“, destaca a Dra. Loreta.

Cuidados durante o período menstrual

Para quem não quer abrir mão do lazer durante a menstruação, o uso de absorventes internos e coletores exige cautela. A ginecologista Ana Carolina Romanini, da Clínica Ginelife, orienta que o absorvente interno não deve ultrapassar seis horas de uso, sendo o ideal a troca a cada quatro horas para evitar a Síndrome do Choque Tóxico (SCT).

“Lavar bem as mãos antes de inserir ou remover o absorvente e evitar produtos com fragrâncias ou corantes são medidas importantes para prevenir alergias e irritações”, alerta a Dra. Ana Carolina. Como alternativa para o mar ou piscina, a Dra. Liliane sugere o uso de coletores menstruais, que oferecem conforto e segurança sem interferir nas atividades.

Quando buscar ajuda médica?

O corpo envia sinais claros quando algo não vai bem. Sintomas como odor forte, dor ao urinar, coceira intensa, vermelhidão ou corrimento anormal não devem ser ignorados.

“As pacientes estão mais curiosas, mais conscientes e menos dispostas a aceitar desconfortos como ‘normais'”, observa a Dra. Tatiana. O diagnóstico precoce torna o tratamento mais simples e eficaz, garantindo que a saúde íntima seja preservada durante todo o ano.

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