Eu percebi as primeiras dificuldades há seis anos, quando estava tomando café e minha mão tremia tanto que derramei tudo. Aquilo me chamou a atenção e eu resolvi procurar um médico. Desde o diagnóstico, o exercício físico virou parte da minha vida. Eu faço musculação há mais de 40 anos, faço fonoaudiologia, exercícios motores e corro”.

Run for Parkinson reúne histórias de superação

A presidente da Associação Parkinson do Rio Grande do Sul, Neusa Chardosim, destaca o caráter coletivo da mobilização, que busca ampliar a visibilidade sobre a doença, incentivar o convívio social e reforçar a importância do movimento como aliado na qualidade de vida. A prática regular de exercícios é reconhecida por especialistas como uma ferramenta importante para ajudar no controle de sintomas motores e no bem-estar de quem vive com Parkinson.
A Run for Parkinson é um momento de união, informação e acolhimento. O Parkinson não é uma condição simples. É uma doença que exige união. É fundamental o apoio da família, dos amigos, da comunidade e, claro, a força e a participação do próprio paciente. Quando a sociedade se mobiliza, conseguimos dar visibilidade à doença, apoiar quem convive com ela e mostrar que o movimento e a atividade física podem contribuir para uma vida com mais autonomia e qualidade.”
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Parkinson deve atingir 1,2 milhão de brasileiros em 2060
Estima-se que, em 2060, cerca de 1,2 milhão de pessoas com mais de 50 anos terão Parkinson, com 20 mil novos casos por ano, segundo um estudo realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em parceria com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas.
Estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revela que mais de meio milhão de pessoas acima de 50 anos vivem com a doença de Parkinson, a maioria homens (57,8%) e idosos acima de 70 anos (27%).
O envelhecimento populacional é o principal fator de risco, o que tende a aumentar nos próximos anos. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou, em 2024, que a expectativa de vida do brasileiro é de 76,6 anos. Em 1940, era de 45,5 anos.
A doença não tem cura e é considerada incapacitante. O diagnóstico tardio agrava o quadro: 29% dos pacientes precisam de ajuda para andar e 14% estão acamados. Na maioria dos casos, a doença só é descoberta em estágios mais avançados, segundo o estudo.
Isso ocorre porque nem todo caso de Parkinson apresenta tremor, o que pode dificultar o diagnóstico precoce. A medicina ainda não encontrou a cura, mas há tratamento.
Parkinson vai muito além do tremor
O Parkinson não é “apenas tremor”. Muitos pacientes apresentam rigidez e lentidão de movimentos (bradicinesia) sem nunca manifestar tremores. A conscientização é a chave para reduzir o estigma e garantir que o paciente busque ajuda especializada ao notar os primeiros sinais de alteração motora ou cognitiva”, destaca a Academia Brasileira de Neurologia (ABN).
A doença de Parkinson não tem causa conhecida e é uma enfermidade neurológica progressiva, que afeta os movimentos. Os sintomas consistem em tremor muscular, rigidez, lentidão, desequilíbrio e redução de movimentos. Podem ocorrer ainda depressão, dores, tonturas e dificuldades para engolir, urinar, falar, dormir e respirar. O paciente também pode desenvolver demência. Em geral, a progressão da doença é vagarosa e regular.
O diagnóstico ocorre pela análise do histórico do paciente somada a uma avaliação neurológica. Não há teste específico para diagnóstico ou prevenção. A identificação precoce e o tratamento são essenciais para a melhora da qualidade de vida. A doença é tratável com medicações e implante de eletrodo ou gerador de impulsos, em casos mais graves. Ambos os tratamentos estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).
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Agenda Positiva
Congresso discute novos tratamentos para o Parkinson
A ciência caminha para a medicina de precisão e intervenções tecnológicas de alta complexidade
Para informar sobre essa enfermidade crônica e degenerativa, seus tratamentos e a possibilidade de melhoria das condições de vida dos pacientes, o Congresso Nacional é iluminado de verde e vermelho nesta sexta-feira e sábado (dias 10 e 11 de abril) em referência ao Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson, fixada em 11 de abril pela Organização Mundial da Saúde (OMS)
A data ganha um relevo especial no Brasil em 2026: coincide com o encerramento do Congresso Brasileiro de Transtornos do Movimento (CBTM), que acontece de 9 a 11 de abril. O evento reúne a elite da neurologia nacional para discutir o que há de mais moderno no tratamento da doença.
O Departamento Científico de Transtornos do Movimento da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) destaca que o manejo do Parkinson vive uma era de transformações. Se antes o foco era majoritariamente no controle de sintomas com levodopa, hoje a ciência caminha para a medicina de precisão e intervenções tecnológicas de alta complexidade.
Durante os três dias de congresso, especialistas debatem pautas decisivas para a qualidade de vida dos pacientes. Entre os destaques estão as novas terapias para o Tremor Essencial e a Doença de Parkinson, incluindo:
- Novas bombas de infusão e formulações de medicamentos: Estratégias para reduzir os períodos “off” (quando a medicação perde o efeito) e as discinesias.
- Avanços em Estimulação Cerebral Profunda (DBS): Novas tecnologias de eletrodos direcionais que permitem um ajuste mais fino e personalizado da estimulação elétrica.
- Ultrassom Focalizado (HIFU): Uma fronteira tecnológica que permite tratar tremores sem a necessidade de cirurgia aberta, com resultados imediatos.
O Departamento Científico de Transtornos do Movimento da ABN desempenha um papel fundamental não apenas na atualização dos protocolos clínicos, mas na educação continuada de neurologistas em todo o país. O objetivo é garantir que o diagnóstico seja precoce — identificando sinais não motores como perda de olfato, distúrbios do sono e depressão — e que o tratamento seja multidisciplinar desde o início.
O Parkinson é uma doença complexa e heterogênea. O papel da ABN é garantir que o conhecimento sobre as novas terapias chegue à ponta, beneficiando o paciente que está no consultório. O CBTM 2026 é o momento em que consolidamos essas evidências para oferecer o que há de melhor na neurologia mundial dentro da realidade brasileira”, afirma Rubens Gisbert Cury, coordenador do Departamento Científico.
Com Assessorias

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