A atriz Cláudia Alencar comemorou seu aniversário de 74 anos dentro do Hospital Placi, no Rio de Janeiro, onde ficou internada mais de um mês e meio por conta de uma trombose nas duas perna. Foi a segunda internação ao longo de seis meses, desde que ela fez a primeira cirurgia na coluna, em dezembro de 2023, pegou uma bactéria e quase morreu. A trombose veio após ela ser submetida no dia 14 de junho a uma nova cirurgia na coluna vertebral, no Hospital Samaritano, também no Rio.
Conhecida pelo seu papel na novela Tieta, Cláudia conta que ainda convive com as sequelas decorrentes da sepse (infecção generalizada que contraiu na primeira cirurgia). Ela ainda tem dificuldades para subir ou descer degraus e escadas e está no programa de controle da dor. Mesmo assim, voltou à academia para recuperar a massa muscular perdida.
Idade é só um número, mas a sabedoria é eterna. Vamos valorizar as histórias que cada geração traz e combater o etarismo. Juntos, construímos um futuro mais inclusivo!”, escreveu a atriz no instagram
‘Eu gosto da minha companhia’

Ela também conta que o longo período de interação descobriu os benefícios da solitude.
Ficar seis meses internada me trouxe uma revelação: eu fico muito bem comigo mesma. Ficar comigo, com as minhas leituras, com os meus escritos, com os meus desenhos, tudo isso me encanta. Eu gosto da minha companhia. Eu descobri que gosto muito de mim, gosto de ficar comigo, gosto das minhas coisas”, declarou a atriz á Istoé Gente.
A atriz ressaltou que foram duas internações, com duas vértebras suas sem cartilagem no meio e o médico resolveu colocar pinos para que os ossos se afastassem. No momento da operação, ela contraiu a bactéria Staphylococcus Aureus.
É a pior bactéria que existe e ela entrou na ferida. Meu corpo todo ficou inchado, tive que tomar antibiótico durante dois meses, sem sair da cama. Quando saí, ficava andando pelos corredores, já que o hospital não tinha um setor apropriado de fisioterapia”, relembrou a atriz, que teve apoio do filho, que mora em Nova York, mas veio ao Brasil para acompanhá-la.
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A trombose é uma doença vascular potencialmente grave e que tem crescido e preocupado os especialistas. Há 10 anos, a trombose parecia ser uma doença muito distante, presente nos consultórios de cirurgiões vasculares, mas desconhecida do público em geral. Hoje, é raro não conhecer alguém que tenha passado pelo problema.
Pesquisas recentes apontam um crescimento de mais de 489 mil brasileiros hospitalizados devido a trombose venosa entre janeiro de 2012 a agosto de 2023. Segundo dados do SUS (Sistema Único de Saúde), em 2012 o Brasil teve 21 mil casos de trombose venosa e 59 internações diárias e, em 2022, esse número saltou para mais de 35 mil hospitalizações, com média de 98 hospitalizações por dia. Somente até outubro de 2023, a média de internações diárias era de 105.
A doença assombra pessoas que passam muito tempo sentadas, estão em sobrepeso, são sedentárias e fumantes, além dos viajantes de longas distâncias e os que são diagnosticados com Covid-19. Ela ocorre quando um coágulo sanguíneo se desenvolve no interior das veias das pernas devido à circulação inadequada, impedindo assim a passagem do sangue.
O que explica o aumento de internações pela doença no Brasil?
Há alguns anos, a trombose não era uma doença amplamente reconhecida, e muitas pessoas não sabiam o que era, podendo facilmente confundi-la com outra condição. Isso acontece frequentemente com o lipedema, que é frequentemente confundido com a celulite comum. “Com o aumento do conhecimento sobre a trombose e a conscientização de sua prevalência, o número de casos diagnosticados cresceu”, diz Carol Mardegan, médica cirurgiã vascular e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV).
A condição pode ser derivada de diversas causas, como imobilidade prolongada, lesões nas veias, problemas de coagulação e condições médicas, incluindo fatores já bem conhecidos pelos brasileiros, como cirurgias e hospitalizações prolongadas, sobrepeso, consumo excessivo de álcool, tabagismo e colesterol alto. Além disso, a idade avançada e a Covid-19, especialmente em casos graves, são fatores de risco para a trombose.
‘Ficar sentado é o novo cigarro’, diz médica
“Hoje consideramos o ficar sentado o nosso novo cigarro. O ser humano foi desenhado para estar em movimento e o imobilismo está relacionado a várias doenças, dentre elas a trombose. É importante manter um dia ativo, independente da prática de exercícios físicos. Praticar uma hora de exercícios por dia é bom, mas se você fica sentado todo o restante do tempo, isso continua sendo perigoso”, alerta a Dra. Aline Lamaita.
O hábito diário de passar horas assistindo televisão também pode ser um problema. Um estudo de 2018 publicado no Journal of Thrombosis and Thrombolysis mostrou que, mesmo os indivíduos que praticam atividade física regularmente não devem ignorar os potenciais danos de comportamentos sedentários prolongados, como ver televisão, pois ele está associado ao surgimento de coágulos sanguíneos.
A justificativa é que permanecer longos períodos sentado pode diminuir o fluxo de sangue para as pernas e pés. O mais correto seria, em vez de ‘maratonar’ diariamente séries e filmes sem pausa, intercalar com alguma atividade que movimente as pernas”, destaca a Dra. Aline.
Para quem trabalha sentado e passa horas na mesma posição, a médica sugere: a cada hora de trabalho, levantar, andar por 5 minutos, movimentar as pernas, se espreguiçar; investir em uma meia elástica de compressão (consulte seu médico para saber o modelo ideal); e beber água, o que ajuda no funcionamento do organismo e na fluidez do sangue. “Deixe a água um pouco distante, o suficiente para te fazer levantar da cadeira para pegar, mas não esqueça de beber”, explica a Dra. Aline.
Relação entre trombose e vírus da covid-19
Outro motivo para o aumento no número de casos de trombose no Brasil é o vírus do Covid-19. De forma geral, a incidência de trombose em pacientes de COVID-19 pode chegar a 16%, mas isso obviamente naqueles pacientes que são internados, que vão ter quadros mais graves.
A doença por si só pode estar relacionada com trombose, mesmo em pacientes assintomáticos. Eles podem ter como manifestação do COVID-19 só uma trombose venosa profunda, o que estamos vendo com frequência nos consultórios vasculares desde o começo da pandemia, então isso também aumentou e entrou na nossa listinha como um fator de risco para a trombose”, explica a Dra. Aline.
Além do sedentarismo e da Covid-19, o cigarro também aumenta a chance de ter trombose, uma vez que a nicotina está ligada à diminuição da espessura dos vasos sanguíneos. “Além disso, o monóxido de carbono oferece um fator adicional de risco ao diminuir a concentração de oxigênio no sangue. Todo esse processo pode causar complicações para o normal funcionamento dos vasos, que ficam mais susceptíveis ao entupimento, podendo levar a processos de trombose principalmente quando há fatores de risco envolvidos”, afirma a médica.
Uso de pílulas anticoncepcionais
Outro risco está associado ao uso de pílulas anticoncepcionais que, quando combinadas podem aumentar a incidência de trombose de 3 a 5 vezes a depender do tipo de pílula e forma de administração. Isso ocorre porque a quantidade de hormônios presentes nas pílulas anticoncepcionais é capaz de alterar a circulação, aumentando o risco de formação de coágulos nas veias profundas.
Por isso, o uso desse método não é recomendado por mulheres que já possuem predisposição ao problema. Pílulas com altas doses de estrogênio também possuem maiores chances de provocar hipertensão arterial, principalmente em mulheres que fumam, tem mais de 35 anos ou já sofrem de hipertensão”, explica a médica.
O ideal é sempre consultar um médico. “Apenas o ginecologista poderá realizar uma avaliação levando em conta fatores como histórico médico e familiar para então recomendar o método contraceptivo mais adequado para você, seja ele hormonal ou de barreira”, explica a Dra. Aline.
Como a doença se manifesta? Entenda os sintomas
A trombose geralmente se manifesta como um quadro de dor na perna, principalmente na panturrilha, associado a inchaço persistente, calor, sensibilidade e vermelhidão o que vai levar quase sempre à procura de ajuda médica. Assim como o coração bombeia o sangue arterial para distribuir sangue oxigenado para o corpo, 90% da circulação das pernas é feita pelo músculo da panturrilha.
Quando a bomba da panturrilha não funciona adequadamente, o sangue começa a se acumular nos membros, com maior chance de formar um coágulo. Em casos mais raros, o coágulo pode ainda se desprender da parede da veia e correr pela circulação até chegar ao pulmão, causando uma embolia pulmonar que pode resultar até mesmo em morte súbita”, destaca Aline Lamaita, membro da SBCV.
Essas pessoas buscaram atendimento médico, pois identificaram sintomas como dor na perna, principalmente na panturrilha, associada a inchaço persistente, calor, sensibilidade e vermelhidão, mudança de cor na região e dificuldade de locomoção. E a atenção com a doença deve ser redobrada por aqueles que possuem fatores individuais que agravam os riscos de trombose, como obesidade, tabagismo, uso de hormônios e pílulas anticoncepcionais, portadores de câncer, pessoas com maior predisposição a coagulação sanguínea, gestantes, idosos, deficientes físicos e portadores de varizes”, explica.
Caso você presencie esses sintomas, o mais importante é que você procure tratamento médico para evitar que a doença evolua para uma embolia pulmonar, que possui como sintomas dor no peito, tosse, cansaço e falta inesperada de respiração. Geralmente, o tratamento da doença inclui o uso de medicamentos anticoagulantes que vão ajudar na redução da viscosidade do sangue e na dissolução do coágulo, impedindo assim que esse cresça e avance para outras regiões e também evitando a ocorrência de novos quadros de trombose”, afirma a cirurgiã vascular.
Doença pode ser fatal se evoluir para embolia pulmonar
Dra Carol explica que a trombose venosa profunda (TVP) é uma condição médica séria que ocorre quando um coágulo de sangue se forma nas veias profundas do corpo, principalmente nas pernas. Se não for tratada adequadamente, pode levar a complicações graves, como a embolia pulmonar.
Na trombose, o sangue se coagula, vira uma gelatina, interrompendo o fluxo sanguíneo e causando problemas de circulação no membro envolvido, e aumentando o risco de embolia pulmonar, pelo desprendimento do trombo, podendo levar à morte súbita”, completa Dra Aline.
Outra complicação frequente da trombose venosa, mas pouco falada, se chama síndrome pós-trombótica. “Essa ocorre pelo déficit circulatório que ocorre no membro afetado, levando a alterações circulatórias graves, com edema, alteração de coloração da pele (dermatites) e até o aparecimento de feridas como a úlcera varicosa”, explica a médica.
Procurar ajuda especializada ao primeiro sinal de sintomas é extremamente importante para o tratamento da doença. “Vermelhidão, inchaço e calor, geralmente começando na panturrilha, podem ser os primeiros sinais de trombose. É imprescindível buscar auxílio médico nessas situações”, alerta Mardegan.
Tratamento e prevenção
Por fim, a médica vascular enfatiza que o tratamento precoce pode ser crucial. “Uma intervenção médica rápida e no início da condição pode evitar ou diminuir os riscos da trombose venosa profunda. Por isso, é sempre recomendado que pacientes com comorbidades ou histórico de trombose estejam em constante acompanhamento”, finaliza.
Na maioria dos casos, a doença resolve-se com o tratamento. Porém, o problema pode retornar, principalmente em pessoas com predisposição à trombose. Dessa forma, é importante que sejam tomados cuidados voltados para prevenção do problema. Algumas medidas que visam melhorar a circulação podem ajudar na prevenção do quadro de trombose.
O recomendado então é que você pare de fumar, consuma bastante água, adote uma alimentação balanceada, realize exercícios físicos regularmente e evite passar muito tempo na mesma posição, seja no horário de trabalho ou em longas viagens, levantando-se de hora em hora para se movimentar um pouco”, destaca a cirurgiã vascular.
De acordo com a Dra. Aline, o uso de meias elásticas também pode ser indicado, já que essas meias comprimem os vasos sanguíneos, melhorando o retorno venoso e, consequentemente, prevenindo problemas vasculares como varizes e trombose.
Porém, o mais importante é que você consulte um cirurgião vascular regularmente, principalmente se você tiver predisposição ou agravantes individuais associados à doença. Apenas ele poderá acompanhar sua situação, realizar um diagnóstico correto e, se for o caso, indicar o melhor tratamento para você”, finaliza.
Com Assessorias




