Os números acumulados de 2026 revelam uma inversão preocupante no cenário epidemiológico da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Brasil. Embora o Rinovírus seja o responsável pela maioria das internações (42,9%), a Covid-19 retomou o posto de causa número um de óbitos entre os casos com vírus identificado, superando levemente a Influenza A, o vírus da gripe.
A covid-19 foi responsável por 33,5% das 1.621 mortes por SRAG este ano, seguida por 32,9% causadas por influenza A, 22,7% causadas por rinovírus, 4,8% vírus sincicial respiratório (VSR) e 2,8% por influenza B, de acordo com o novo Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira (9/4).
Este ano, já foram notificados 31.768 casos de SRAG no Brasil, e cerca de 13 mil tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório: 42,9% de rinovírus, 24,5% de influenza A, 15,3% de VSR, 11,1% de covid-19 e 1,5% de influenza B.
Vacina é a principal proteção contra casos graves e óbitos
A síndrome respiratória aguda grave (SRAG) ocorre quando pessoas com sintomas gripais como febre, coriza e tosse têm piora no quadro, e passam a sentir dificuldade para respirar, precisando de hospitalização. Geralmente, o gatilho para o problema é uma infecção por vírus, mas nem sempre o agente causador é confirmado por exames.
Em comparação ao ano de 2025, quando o Brasil fechou com cerca de 228 mil casos de SRAG, o ano de 2026 já soma 31.768 notificações em pouco mais de três meses. A velocidade das mortes (1.621 óbitos no total até agora) reforça a necessidade de proteção imediata dos grupos de risco.
A pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz, ressalta que a vacina é a principal forma de proteção contra casos graves e óbitos. Portanto, recomenda, que é fundamental que a população de maior risco e também os grupos mais expostos, como profissionais de saúde, vacinem-se o quanto antes contra a gripe.
SUS oferece vacina da Covid-19 para bebês e do VSR para grávidas
Das principais infecções causadoras de SRAG, três podem ser prevenidas por vacinas disponíveis no SUS: Influenza A, Influenza B e Covid-19. A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza está em vigor em todo o Brasil, com prioridade para crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos e gestantes, que são mais suscetíveis a desenvolver quadros graves.
A vacina contra a covid-19 deve ser tomada por mulheres grávidas e todos os bebês, aos 6 meses de idade. Além disso, reforços periódicos são recomendados para idosos, pessoas com deficiência e comorbidade ou imunosuprimidas e outros grupos vulneráveis.
O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) continua sendo uma ameaça silenciosa, especialmente para bebês. No ano passado, o Ministério da Saúde passou a oferecer também a vacina contra o VSR para grávidas a partir da 28ª semana, com o objetivo de proteger os bebês pequenos, principais alvos do vírus.
A pesquisadora Tatiana Portella (Fiocruz) destaca que a vacina contra o VSR para grávidas é a ferramenta mais eficaz para transferir anticorpos ao recém-nascido e evitar a bronquiolite grave.
Também recomendamos que pessoas com sintomas de gripe ou resfriado permaneçam em casa em isolamento. Caso isso não seja possível, o ideal é sair usando uma boa máscara”, destaca Tatiana Portella.
Saiba onde encontrar a vacina contra VSR e Influenza no Rio de Janeiro
Leia mais
‘Memorial da Pandemia’ homenageia vítimas da Covid-19
Ivermectina não serve para tratar dengue, covid-19 ou câncer
O risco da normalização: por que a covid-19 ainda mata em 2026?
Influenza A avança e coloca parte do Brasil em alerta de alto risco
Influenza A perde fôlego no Norte e Nordeste
A dinâmica dos vírus respiratórios no Brasil apresenta uma mudança de rota importante. O avanço agressivo da Influenza A começou a perder fôlego em estados do Norte e Nordeste, mas o sinal de alerta agora se desloca com força para o Centro-Sul do país.
O cenário epidemiológico nacional começa a desenhar uma estabilidade no longo prazo, mas o perigo está longe de acabar. Enquanto o crescimento desenfreado da Influenza A e do Rinovírus foi interrompido em parte do país, 13 das 27 unidades federativas ainda apresentam tendência de aumento de internações por SRAG.
O destaque negativo da Semana Epidemiológica 13 (29 de março a 4 de abril) vai para o Mato Grosso e o Maranhão, que enfrentam situações críticas. Além deles, estados como Acre, Tocantins, Bahia e Pernambuco estão em patamar de risco e podem registrar agravamento nas próximas semanas.
O deslocamento da Influenza A para o Sudeste e Centro-Oeste já era um movimento monitorado com a chegada do outono. Abaixo, o Portal Vida e Ação traz a análise técnica do último boletim da Fiocruz, conectando os dados atuais ao histórico de 2025 e às nossas coberturas anteriores.
Comparativo: a letalidade em 2026 atinge novo marco
| Vírus | Casos positivos (acumulado 2026) | Óbitos confirmados (acumulado 2026) |
| Sars-CoV-2 (Covid-19) | 11,1% | 33,5% |
| Influenza A (Gripe) | 24,5% | 32,9% |
| Rinovírus | 42,9% | 22,7% |
| VSR | 15,3% | 4,8% |
Leia mais na seção Covid/SRAG
Guia de serviço: Como se proteger na “virada” do clima
Com o aumento da incidência em estados como Minas Gerais, Espírito Santo e Goiás, a recomendação da Fiocruz é direta:
-
Vacinação em dia: A Campanha Nacional contra a Influenza segue até 30 de maio em todos o país, à exceção da região amazônica. Não espere o frio intenso chegar para se proteger.
-
Reforço da Covid-19: Se você é idoso ou faz parte de grupos vulneráveis, verifique se o seu esquema vacinal está atualizado. A Covid-19 ainda mata mais do que a gripe no balanço acumulado deste ano.
-
Etiqueta respiratória: Sente sintomas de gripe? O ideal é o isolamento. Se precisar sair de casa, utilize máscaras de alta qualidade (PFF2 ou N95), especialmente em transporte público ou locais fechados.
-
Cuidado com crianças: Rinovírus e VSR respondem por quase 60% das internações pediátricas. Evite aglomerações com bebês em locais com baixa ventilação.
Relembre as principais estratégias de prevenção discutidas na série Papo de Pandemia
Nota do Editor: VIDA E AÇÃO segue monitorando os boletins semanais para garantir que você tenha a informação correta antes de tomar decisões sobre a saúde da sua família. A prevenção coletiva é o que evita o colapso das UPAs e hospitais.






