O cenário geopolítico na América do Sul sofreu uma mudança drástica neste início de 2026. O ataque militar de larga escala realizado pelos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou na captura do líder Nicolás Maduro no último sábado (3/1), acendeu um alerta vermelho para as autoridades brasileiras.

Para além das questões diplomáticas, a preocupação central agora recai sobre o impacto humanitário e a pressão que o conflito exerce sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, especialmente no estado de Roraima, que faz fronteira com a Venezuela.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, manifestou profunda preocupação com as consequências da ofensiva comandada por Donald Trump. Segundo o ministro, bombardeios e conflitos armados geram um ‘efeito cascata’ que atinge diretamente a população civil e desestrutura serviços essenciais. O temor é que a destruição da infraestrutura de saúde venezuelana provoque um deslocamento em massa de feridos e doentes em direção à fronteira brasileira em busca de socorro.

Guerra mata civis, destrói serviços de saúde e impede o cuidado às pessoas. Quando acontece em um país vizinho, o impacto é múltiplo para o nosso povo e para o sistema de saúde”, alertou Padilha em suas redes sociais.

Mobilização da Força Nacional do SUS

O titular da pasta também informou que, desde o início das operações militares no entorno da Venezuela, equipes da Agência do SUS, da Força Nacional do SUS e da Saúde Indígena foram mobilizadas para minimizar os impactos do conflito no atendimento à população brasileira.

Nossa equipe do Ministério da Saúde e membros da Força Nacional, que possuem vasta experiência em situações de tragédia, já estão presentes na região identificando, se necessário, estruturas hospitalares e avaliando a possibilidade de ampliação. Se preciso, montaremos hospitais de campanha ou expandiremos as estruturas existentes para reduzir os impactos no sistema público brasileiro“, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Para mitigar os danos, o Ministério da Saúde acionou um plano de contingência que inclui:

  • Envio de equipes da Agência do SUS para áreas urbanas e distritos sanitários especiais.

  • Reforço da saúde indígena, com foco especial em territórios próximos à fronteira, onde a vulnerabilidade é maior.

  • Ativação da Força Nacional do SUS, preparada para atuar em cenários de desastre e conflitos.

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Pressão sobre o SUS e a Operação Acolhida

 

Padilha ressaltou que o Ministério da Saúde e o SUS em Roraima já vinham absorvendo os efeitos da crise venezuelana mesmo antes do ataque recente. De acordo com ele, a pressão sobre os serviços públicos se intensificou após a suspensão, pelos Estados Unidos, de financiamentos que davam apoio à Operação Acolhida, iniciativa voltada ao atendimento de migrantes e refugiados.

O Brasil ampliou seus investimentos após a interrupção desses recursos”, afirmou o ministro, destacando o reforço no envio de verbas e profissionais de saúde para áreas urbanas e territórios indígenas, por meio da Agência do SUS.

A rede pública de saúde em Roraima já operava sob forte demanda devido à crise migratória dos últimos anos. No entanto, o novo conflito ocorre em um momento de fragilidade financeira para as iniciativas de apoio.

O governo Trump havia suspendido financiamentos da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) que sustentavam parte das ações humanitárias na região.

Essa interrupção de recursos, que dava suporte à Operação Acolhida, obrigou o governo brasileiro a ampliar investimentos próprios para evitar o colapso do atendimento a migrantes e refugiados. Com o início dos bombardeios, a situação se agravou, exigindo uma mobilização de emergência.

Equipe monitora o cenário sanitário na fronteira com a Venezuela

Nesta segunda-feira (5), o Ministério da Saúde enviou equipe da Força Nacional do SUS para avaliar as estruturas de saúde, profissionais, vacinas e outros insumos em Roraima, estado que faz fronteira com o país.

A pasta também estrutura plano de contingência para resposta do SUS ao possível agravamento da crise internacional e avanço da demanda de migrantes na região fronteiriça. Até o momento, o fluxo migratório segue o mesmo na região.

Apesar da tensão, o governo de Roraima informou que mantém o monitoramento constante e que, até o momento, as rotinas de segurança e saúde na fronteira seguem sob controle, embora o clima entre os brasileiros na região seja de apreensão.

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Doação de 100 toneladas de insumos médicos para tratar venezuelanos

Após destruição de centro de distribuição do país, a primeira remessa, com 40 toneladas de medicamentos e outros insumos

Em um ato de solidariedade, o Brasil enviará 100 toneladas de medicamentos e insumos de saúde para apoiar a população da Venezuela. A iniciativa acontece após o ataque bélico do último sábado, que destruiu o maior centro de distribuição de medicamentos e insumos daquele país. 

Para garantir o cuidado a 16 mil pacientes venezuelanos que precisam de tratamento de hemodiálise, o Ministério da Saúde enviará, na manhã desta sexta-feira (9), as primeiras 40 toneladas de insumos médico-hospitalares. Essas pessoas correm risco de vida se não tiverem a continuidade do tratamento a que se submetiam antes da ofensiva.

Essa doação não afeta a estrutura e assistência dos cerca de 170 mil pacientes que realizam diálise atualmente no Sistema Único de Saúde. Temos estoques seguros no Brasil e podemos ser solidários com o país vizinho. Não podemos esquecer que, durante a pandemia da Covid-19, a Venezuela nos disponibilizou 130 mil metros cúbicos de oxigênio para o tratamento dos nossos cidadãos, diante de uma crise por uma má gestão do governo passado”, destacou Alexandre Padilha. 

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O futuro da região

Enquanto os EUA afirmam que pretendem “administrar” a transição na Venezuela, o Brasil e outros países latino-americanos expressam preocupação com a soberania regional e a estabilidade social. O foco do Ministério da Saúde permanece no acolhimento.

Nada justifica conflitos terminarem em bombardeio”, disse Padrilha, alertando para as consequências humanitárias da guerra. Que venha a paz. Enquanto isso, cuidaremos de quem precisar ser cuidado, em solo brasileiro”, concluiu Padilha.

Com informações do Ministério da Saúde (atualizado em 09/01/2026)

 

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