Crise climáticaSAÚDE PÚBLICA

Como a onda de calor e o clima seco causam problemas à saúde?

Desde julho, o Brasil vem passando por um inverno atípico, com temperaturas bastante elevadas para a estação que é considerada a mais fria do ano. Nesta semana, uma onda repentina de calor atingiu o país. Além das temperaturas que devem seguir acima da média neste inverno, o clima seco vem preocupando a população brasileira porque aumenta o risco de incêndios e pode representar riscos para a saúde do organismo.

Nesta terça-feira (22), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta laranja em relação à umidade do ar, que atingiu o índice recorde de apenas 12% em diversas regiões do país, bem abaixo do indicado como ideal pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 50% a 80%. O estado é de atenção em diversas regiões, com destaque para o Maranhão, Piauí e Bahia, no Nordeste; Minas Gerais, no Sudeste; e Mato Grosso, Distrito Federal e Goiás, no Centro-Oeste.

O tempo seco promove o ressecamento das mucosas, causando desconfortos como dor de cabeça, garganta seca, irritação nos olhos, nariz e pele, rouquidão e inflamação na faringe. Além disso, aumenta a chance de desenvolvimento de doenças respiratórias como asma, bronquite e alergias, pois os seus potencializadores estão ligados a fatores como poeira e poluição, que ficam mais tempo suspensos no ar com a falta de umidade. O calor excessivo também pode levar a desidratação, que faz com o risco da contração de viroses e infecções bacterianas seja maior.

Risco de sangramento nasal

A baixa umidade do ar potencializa a ocorrência de doenças respiratórias, ao agravar a saúde das vias aéreas, podendo provocar até mesmo sangramentos no nariz.  O médico otorrinolaringologista Alexandre Cury, coordenador do curso de Medicina da Uniderp, esclarece que nessa época, com ar seco, falta de chuvas e aumento da concentração de poluentes, cresce o risco de agravamento de doenças respiratórias, infecções virais, problemas na pele e alergias.

“A nossa saúde sente o clima de variadas maneiras: pele ressecada, dificuldades respiratórias, maior ocorrência de alergias, resfriados, gripes e até mesmo irritação nos olhos”, diz o médico.

Segundo Cury, dentre as regiões mais afetadas no organismo estão as mucosas internas.

“As mucosas nasais estão mais sujeitas ao tempo seco, em razão da temperatura alta que dilata os vasos sanguíneos, o que facilita seu rompimento. Além disso, há um ressecamento de toda a região, até mesmo da garganta, que tem uma função de umedecimento também”, esclarece. “Esses fatores provocam sangramentos nas narinas, com ocorrência maior em crianças e idosos”, complementa o professor.

Conhecida como epistaxe, o sangramento da mucosa nasal também está associado a outros fatores. Nas crianças, ocorre com mais frequência em razão daquela “limpadinha” no nariz, o que pode lesionar a região de forma mais superficial, na parte frontal do órgão. “Nos idosos, deve ser observado com mais atenção. Se o sangue é mais volumoso, pode se tratar de uma lesão mais grave e deve ser avaliado por um médico”, alerta o especialista.

“Se observadas ocorrências persistentes de sangramento nasal, o médico deve ser comunicado para uma avaliação cuidadosa. Alguns medicamentos e patologias como hipertensão arterial, sinusite e crises alérgicas como a rinite, também podem ser a razão do problema, que precisa de uma investigação mais aprofundada”, diz o médico otorrinolaringologista.

Dicas de cuidado e prevenção no sangramento nasal

Na ocorrência de sangramento nasal, evite ficar exposto ao sol e ao calor. Busque um lugar fresco;

Não vire a cabeça para trás, pois fará o sangue ser engolido o que pode provocar náuseas e piorar o sangramento. O ideal é que se incline levemente a cabeça para a frente para que o sangue escorra com facilidade;

Faça compressas de água gelada ou gelo, na face e nuca;

Hidrate as vias aéreas: há aplicadores próprios para a região nasal que facilitam a administração a lavagem do nariz, o que pode ser feito com uma solução caseira de água e sal;

Beba bastante água;

Se o sangramento persistir, procure um médico.

Redução drástica da umidade do ar pode prejudicar saúde da pele

Um dos muito afetados também é a pele, maior órgão do corpo humano. A dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que o clima seco e a baixa umidade do ar são fatores que podem prejudicar a barreira cutânea e a capacidade da pele de reter água.

“Isso favorece o ressecamento, além de aumentar o risco de irritações e doenças, visto que a proteção da pele contra agressores externos fica comprometida. Então, nesse período de clima seco, é fundamental redobrar a atenção com a pele e adotar alguns cuidados para combater os danos causados pela diminuição da umidade”, ressalta.

Confira abaixo algumas dicas de especialistas:

Reforce a hidratação

A hidratação da pele figura entre as etapas mais importantes da rotina skincare para manutenção da saúde e beleza do tecido cutâneo. Lilian Brasileiro, médica especialista em Dermatologia e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, diz que a hidratação ajuda a manter a umidade natural e a fortalecer a barreira de proteção da pele contra agressores externos.

“Além disso, o hábito ajuda a melhorar a textura e a suavidade da pele, além de minimizar a aparência de poros dilatados e irregularidades”, explica. Ela ainda recomenda o uso de hidratantes adequados ao tipo de pele. “O ideal é apostar em produtos formulados com ingredientes específicos, como ácido hialurônico e ceramidas, que potencializam a hidratação ao reter a umidade na pele”, aconselha a especialista.

Aumente a ingestão de líquidos

Segundo Cintia Guedes, dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, os cosméticos hidratantes atuam apenas nas camadas mais superficiais da pele, não sendo capazes de auxiliar na hidratação das camadas mais profundas. Por isso, a ingestão adequada de água é fundamental.

“Sem água, o corpo sofre com desidratação e a pele torna-se ressecada, opaca e craquelada. Em contrapartida, um organismo bem hidratado se traduz em uma pele mais luminosa, viçosa, saudável e, ainda, com linhas finas menos aparentes”, afirma a médica.

Inclua um esfoliante na sua rotina skincare

Para potencializar a hidratação proporcionada pelos cosméticos, uma das melhores estratégias é apostar na esfoliação. “O esfoliante ajuda a remover as células mortas da superfície da pele, deixando-a mais suave, luminosa e com aparência renovada. Além disso, aumenta a eficácia dos produtos hidratantes que serão aplicados em seguida”, destaca Lilian Brasileiro. Isso não quer dizer, porém, que você deve realizar a esfoliação todos os dias, sempre antes de aplicar o hidratante.

“O uso excessivo do esfoliante retira a camada de gordura saudável da pele, chamada de manto lipídico, piorando o ressecamento e provocando irritação e vermelhidão. Por isso, o recomendado, de maneira geral, é que seja utilizado uma vez por semana ou a cada 15 dias”, recomenda a Dra. Cintia. Além disso, opte por um produto que atue suavemente, para eliminar as células mortas sem agredir ou ressecar a pele, melhorando a textura, mantendo a hidratação e reduzindo a oleosidade.

Mundo mais quente: entenda

O calor desproporcional tem sido sentido em todo o país desde julho, quando o mundo registrou recordes de temperatura média global. O início do mês foi declarado como a semana mais quente já registrada no planeta, incluindo o dia mais quente da história, , conforme divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM ou WMO, na sigla em inglês) e pelo observatório europeu Copernicus.

Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), unidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), explicam que o fenômeno El Niño, um aquecimento anômalo das águas superficiais do oceano Pacífico equatorial, de intensidade moderada, contribui para os recordes de temperatura no verão do Hemisfério Norte.

“As mudanças que estamos observando aumentarão com aquecimento adicional, principalmente tornando os eventos climáticos extremos, incluindo ondas de calor, mais frequentes e severas”, avalia o cientista climático, Lincoln Alves.

O pesquisador do Inpe salienta que diversos trabalhos científicos têm apontado a mudança do clima como um dos principais responsáveis por essas alterações. Contudo, fatores como urbanização e mudanças no uso e na cobertura da terra também contribuem para o aumento das temperaturas. “A mudança climática já está afetando todas as regiões do Brasil de muitas maneiras”, complementa.

Em 60 anos, temperaturas máximas aumentaram em até 3ºC no Brasil

Um mapa com as tendências das temperaturas máximas diárias observadas nos últimos 60 anos no Brasil aponta que já houve aumento de até 3 graus em algumas regiões. A análise considerou dados registrados entre os anos de 1961 e 2020.

De acordo com o mapa, elaborado por pesquisadores do Inpe, na maior parte do território nacional foram observadas alterações de até 1,5oC, que estão sinalizadas nas cores amarelo claro e escuro.

Bolsões em vermelho mais escuro, que indicam aumento das temperaturas máximas entre 2,5oC e 3oC, preponderam no interior do Nordeste e no noroeste da região Norte. No Centro-Oeste e no Sudeste também aparecem regiões com aumento acima de 1,5oC.

O pesquisador ressalta que os resultados apresentados são importantes para compreender as alterações no Brasil e corroboram com as conclusões dos relatórios mais recentes do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC).

“Em nível regional, o aquecimento é por vezes muito maior que a média global. E não só no Brasil, mas em várias outras partes do mundo, o que potencialmente amplifica os efeitos da mudança do clima”, explica.

As análises envolvendo mudanças climáticas consideram longas séries de dados para obter maior robustez. Outro aspecto envolve as incertezas associadas, inerentes a qualquer análise, que, neste caso, estão relacionadas às regiões que historicamente possuem poucas informações, mas que de uma maneira geral não modifica o padrão espacial dos resultados.

Aumento na procura por umidificadores de ar

Ao longo dos últimos 12 meses, a procura por “umidificador de ar para quarto” teve um crescimento de 303%, segundo o site Guia dos Melhores. Já “umidificadores portáteis” tiveram aumento de 24% nas buscas, enquanto “umidificador de ambiente grande” cresceu 22%.

As pesquisas por informações relacionadas ao produto também tiveram volume significativo no último ano: a procura por “como umidificar o ambiente” aumentou em 123% e a busca por “para que serve um umidificador de ar”, em 39%.

Os umidificadores de ar têm como função manter o nível da umidade do ar de um ambiente. Eles funcionam a partir da ebulição da água que é colocada dentro de seu interior e que, com o calor, se transforma em um vapor fresco. Os umidificadores são uma ótima alternativa para amenizar os desconfortos respiratórios e físicos provocados pelas altas temperaturas e o ar seco.

O Guia dos Melhores montou um ranking com opções de umidificadores de ar. Foram avaliados critérios como eficiência, ruído, capacidade de água, qualidade do material, energia gasta, tamanho, funcionalidades e valores.

Fonte: Uniderp, MCTI e Guia dos Melhores 

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