Em outubro de 2023, uma cadelinha da raça Lhasa Apso, hoje com 19 anos, foi descartada em um lixão na região de São Paulo. Lucilena, como foi batizada, não servia mais para a reprodução e foi deixada para trás em um estado desolador: cega, extremamente magra, com tumores, feridas e infestação de pulgas. O destino parecia traçado para a eutanásia, mas sua história tomou um rumo diferente quando encontrou o caminho da reabilitação.

Hoje, dois anos depois, Lucilena é o símbolo da resistência. Apesar da idade avançada e das limitações sensoriais, ela é um animal autônomo, que busca o sol e se alimenta com entusiasmo. Sua transformação é o ponto de partida para a reflexão proposta pelo Dia Internacional dos Direitos dos Animais, celebrado em 10 de dezembro.

A data marca um momento crucial na agenda de proteção animal no Brasil e ganha ainda mais relevância por estar inserida no Dezembro Verde, campanha nacional que combate o abandono — um problema que atinge picos críticos durante as férias e festas de fim de ano.

Dados de 2024 do Instituto Pet Brasil revelam que mais de 201 mil animais estão sob a tutela de ONGs e protetores independentes no país. Muitos desses animais são resgatados em condições extremas de negligência após viverem nas ruas, onde a alimentação precária à base de lixo e restos de comida compromete severamente a saúde, assim como Lucilena.

Segundo a Abempet, são cerca de 4,8 milhões de cães e gatos em situação de vulnerabilidade no país. Stanley Andrade, diretor da BRF Pet (Guabi Natural), ressalta que o fim do ano é o período mais crítico: “O abandono é um problema antigo, mas muitas vezes naturalizado. Queremos romper essa indiferença, mostrando que cada número representa uma vida”.

Nutrição: o pilar da reabilitação

Entre os desafios da recuperação, a alimentação ocupa o papel central. Animais que vivem nas ruas sofrem com déficits nutricionais severos, o que causa apatia, queda de imunidade e perda de massa muscular.

A alimentação natural é um dos pilares mais rápidos e visíveis da recuperação”, explica Claudia Kronfly, porta-voz da foodtech A Quinta Pet, que adotou Lucilena e transformou sua saúde. “Ao oferecer proteínas de boa digestibilidade e vegetais frescos, conseguimos restaurar funções essenciais. Discutir alimentação é falar de dignidade e direitos básicos.”

O caso Lucilena: da caquexia à autonomia

A história da cadela Lucilena exemplifica o impacto dessa transformação. Em 2023, a Lhasa Apso de 19 anos foi encontrada em um lixão em São Paulo, abandonada por um criador. O quadro era desolador: magreza extrema, tumores, feridas e cegueira. Destinada à eutanásia, ela foi adotada por Claudia e passou a receber alimentação natural e terapias de suporte.

Hoje, dois anos após o resgate, Lucilena recuperou o peso e a vitalidade. Mesmo com as limitações da idade, ela é um animal autônomo que caminha, busca o sol e se alimenta com entusiasmo, provando que a dignidade nutricional pode salvar vidas condenadas.

Conscientização urbana contra a invisibilidade

Para tirar o problema da invisibilidade, campanhas recentes ocuparam centros urbanos como a Rua Augusta, em São Paulo. Projeções em prédios trouxeram dados alarmantes para o cotidiano da população: se todos os pets abandonados do Brasil morassem em um só edifício, ele teria 200 mil andares.

Para dar dimensão ao problema, intervenções urbanas recentes projetaram mensagens em pontos icônicos de São Paulo, como a Rua Augusta. Frases como “A fila com todos os pets abandonados iria daqui até Fortaleza” buscaram chocar e conscientizar as mais de 230 mil pessoas que circulam diariamente na região.

Stanley Andrade, diretor da BRF Pet, reforça que o abandono não pode ser naturalizado. A marca Guabi Natural, parceira da ONG GAVAA, já doou mais de 111 toneladas de alimentos para animais resgatados. “O Dezembro Verde é uma oportunidade para promover empatia. O abandono é crime e a adoção responsável é o único caminho”, destaca.

Como ajudar a mudar essa realidade

A conscientização promovida pelo Dia Internacional dos Direitos dos Animais e pelo Dezembro Verde reforça que a proteção animal é uma responsabilidade coletiva. Especialistas recomendam:

  • Adoção Responsável: Entenda que um pet é um compromisso de décadas, não um objeto descartável. Antes de levar um pet para casa, avalie se terá condições de mantê-lo pelos próximos 15 ou 20 anos.

  • Apoio a ONGs: Instituições como a GAVAA, parceira da Guabi Natural, dependem de doações para manter milhares de refeições mensais para animais resgatados.

  • Denúncia: O abandono e os maus-tratos são crimes previstos em lei e devem ser reportados às autoridades. Procure delegacias especializadas ou utilize canais de denúncia de maus-tratos em sua cidade.

A história de Lucilena prova que, com o cuidado correto e o respeito aos seus direitos fundamentais, até os casos considerados “perdidos” podem florescer novamente.

 

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