A morte brutal do cão comunitário Orelha, na Praia Brava (SC), chocou o Brasil e gerou protestos em diversas capitais. No último domingo (1º), a Avenida Paulista, em São Paulo, foi palco de um grande protesto. Manifestantes vestindo preto carregavam cartazes com a frase: “Não foi só um latido, foi um chamado por justiça!, O debate sobre a redução da maioridade penal e a impunidade em crimes contra animais dominou o ato.
A indignação pública não ficou restrita às ruas. O caso Orelha tornou-se o epicentro de uma das maiores mobilizações digitais do início de 2026. Um levantamento realizado pelo FGV/CEV (Centro de Estudos em Varejo e Consumo) revela a força da mobilização digital. Em apenas dois dias após o crime, o caso já somava 6 mil menções. Até o dia 3 de fevereiro, o volume ultrapassou a marca de 2 milhões de menções, consolidando a hashtag #JustiçaPorOrelha como um símbolo de pressão social.
Para Lilian Carvalho, PhD em Marketing e pesquisadora da FGV, as redes sociais cumpriram um papel de vigilância moral. “A indignação coletiva rompeu barreiras geográficas e impediu que o episódio fosse tratado como algo menor. O movimento pela #FederalizaçãoDoCasoOrelha reflete uma quebra de confiança institucional e o desejo da população por respostas mais céleres do Estado”, explica.
Polícia pede internação de adolescente e indicia familiares
Tecnologia e “viagem à Disney” marcam a investigação em SC
A conclusão do inquérito sobre o caso Orelha trouxe um desfecho rigoroso por parte das autoridades. O encerramento das investigações pela Polícia Civil de Santa Catarina resultou no pedido de internação de um dos quatro adolescentes envolvidos. Três adultos — parentes dos envolvidos — foram indiciados por coação no curso do processo, após tentarem intimidar testemunhas e ocultar provas, como as roupas usadas no dia do ataque..
Para desvendar a morte de Orelha, a polícia utilizou tecnologia de ponta, incluindo softwares franceses e israelenses para rastreio de localização e recuperação de dados apagados em celulares. As provas desmentiram o depoimento de um dos jovens, que negou ter saído de casa na madrugada do crime. Imagens de 14 câmeras de segurança confirmaram que o grupo atacou o cão com uma “pancada contundente”, possivelmente um chute ou objeto rígido.
Um detalhe que causou revolta pública foi o fato de o principal suspeito ter viajado para a Disney, nos Estados Unidos, logo após o crime, sendo abordado pela polícia apenas em seu retorno ao aeroporto em 29 de janeiro. As provas ajudaram na localização do adolescente que liderou o ataque e desmentiram o depoimento do jovem, comprovando que ele saiu de casa na madrugada do crime antes de viajar para a Disney.
Enquanto Orelha não resistiu e morreu no dia seguinte às agressões, em 5 de janeiro, outro cão, apelidado de Caramelo, teve um destino diferente. Atacado pelo mesmo grupo, que tentou afogá-lo no mar, o animal conseguiu escapar e foi adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de SC, Ulisses Gabriel, em um gesto de reparação simbólica.
Saiba mais: Entenda as implicações jurídicas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em casos de atos infracionais graves.
Mulher é presa em flagrante após arremessar gata do 12º andar
O encerramento do caso ocorre em meio a uma onda de novos episódios de crueldade que acendem o alerta para a saúde mental e a segurança pública no país. No dia 27 de janeiro, Abacate, outro cão comunitário, foi morto por um tiro de arma de fogo na cidade de Toledo, também no Paraná. A polícia ainda procura o suspeito.
Em Curitiba (PR), uma mulher foi presa em flagrante nesta quinta-feira (5) após arremessar uma gata do 12º andar de um prédio. Segundo informações do delegado Guilherme Dias, moradores do prédio ouviram os miados da gata e, quando olharam pelas janelas de seus apartamentos, viram o animal sendo jogado para fora.
O delegado informou que, segundo o neto da mulher, ela “não gosta de gatos e agressões contra o animal eram frequentes”. As testemunhas chamaram a polícia, que prenderam a suspeita em flagrante.
Milagrosamente, a gatinha conseguiu sobreviver, mas sofreu traumatismo crânio encefálico, contusão pulmonar e hemorragia severa na região da bexiga. O animal está recebendo atendimento veterinário na ONG Força Animal.
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Serviço:
Como denunciar maus-tratos a animais
A denúncia é o primeiro passo para interromper o ciclo da violência. Se você presenciar maus-tratos, abandono ou agressão, utilize os canais oficiais:
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Polícia Militar: Disque 190 para casos de emergência ou flagrante.
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Disque Denúncia: 181 (em quase todos os estados do Brasil).
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Linha Verde do Ibama: 0800 061 8080 para crimes ambientais e animais silvestres.
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Delegacia Eletrônica: Muitos estados, como SP, PR e SC, possuem delegacias especializadas de proteção animal onde a denúncia pode ser feita online.
Lembre-se:
Omissão também é crime. Ao proteger um animal, você pode estar prevenindo futuras violências contra seres humanos em sua comunidade.







