A semana marcada pelo Dia Mundial do Câncer (4 de fevereiro) termina com um alerta doloroso para a saúde pública brasileira. Nesta sexta-feira (6), o ator Leandro Lima — intérprete de Herculano na novela Três Graças, da Rede Globo — comunicou o falecimento de seu pai, Marcos Antônio, vítima de um câncer de pâncreas diagnosticado já em estágio avançado.
Em um relato emocionante, o ator paraibano de 43 anos reforçou a urgência de não ignorar os sinais do corpo. “Um diagnóstico precoce pode prolongar a sobrevida até 460%. Por ano, o diagnóstico precoce salva 11 mil vidas”, destacou Leandro, fazendo um apelo para que seus seguidores mantenham os exames preventivos em dia.
O caso de Marcos Antônio Lima ilustra uma tendência estatística preocupante revelada pelos novos dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) para o triênio 2026–2028: o câncer de pâncreas registrou um crescimento superior a 20% em comparação ao período anterior, sendo um dos tumores com avanço mais acelerado no país.
O desafio do pâncreas: um “inimigo silencioso”
O câncer de pâncreas é conhecido pela sua agressividade e pela dificuldade de detecção precoce. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), apenas 20% dos casos são descobertos em fases iniciais, quando a cirurgia tem maior potencial curativo.
O grande entrave, segundo o presidente da SBCO, Paulo Henrique Fernandes, é que os sintomas são inespecíficos e frequentemente confundidos com problemas digestivos comuns. Os sinais de alerta incluem:
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Perda de peso sem causa aparente e fadiga persistente;
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Dor abdominal vaga ou desconforto nas costas;
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Amarelamento da pele e dos olhos (icterícia);
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Urina escura e náuseas;
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Surgimento inesperado de diabetes em idades avançadas.
Aparelho digestivo em alta: 130 mil novos casos por ano
O pâncreas não está isolado nesse crescimento. Os tumores que atingem o sistema digestivo devem afetar mais de 130 mil brasileiros anualmente no próximo triênio. O câncer colorretal (cólon e reto) lidera este grupo, com um aumento de quase 18% e mais de 53 mil novos diagnósticos esperados por ano.
O cirurgião oncológico Lucas Nacif explica que o Brasil está consolidando um padrão de países desenvolvidos, onde o estilo de vida urbano dita as regras da saúde. “Estamos vendo o reflexo de uma alimentação rica em ultraprocessados, excesso de carnes vermelhas, sedentarismo e obesidade”, analisa.
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Comparativo de incidência: A transição oncológica no Brasil
Os dados do Inca mostram que, embora mama e próstata continuem no topo da lista, os tumores do trato digestivo e os ligados a hábitos de vida ganham terreno rapidamente:
| Tipo de câncer | Crescimento proporcional (2025 X 2026) |
| Corpo do útero (endométrio) | +23,09% |
| Pâncreas | +20,58% |
| Pele não melanoma | +19,41% |
| Cólon e reto | +17,93% |
| Fígado | +15,42% |
Jovens adultos: Uma nova fronteira de preocupação
Embora o câncer de pâncreas ainda seja majoritariamente uma doença do envelhecimento (90% dos casos ocorrem após os 55 anos), a incidência em pessoas abaixo dos 50 anos tem acendido um sinal de alerta. Globalmente, cerca de 5,8% dos diagnósticos já ocorrem nesta faixa etária.
Para o Dr. Paulo Fernandes, a velocidade do crescimento indica que, além do envelhecimento da população, a exposição cumulativa a fatores de risco — como o tabagismo e a obesidade — está antecipando o surgimento da doença.
Como se proteger?
Como não existe um exame de rastreamento universal para o pâncreas (como a mamografia para a mama), a prevenção primária e a atenção aos sintomas são as melhores armas. Especialistas recomendam:
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Combate ao tabagismo: O fumo é um dos principais fatores de risco evitáveis.
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Controle de peso: A obesidade provoca inflamação crônica que favorece tumores gastrointestinais.
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Atenção ao diabetes: Mudanças súbitas na glicemia devem ser investigadas por um médico.
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Histórico familiar: Pessoas com parentes de primeiro grau que tiveram a doença devem ter vigilância redobrada.
A mensagem deixada pela família de Leandro Lima ecoa o que a ciência já comprovou: o câncer não é uma sentença, mas o tempo é o fator determinante para a cura.




