Apenas 5% dos nódulos na tireoide são malignos

60% da população brasileira devem ter nódulos da tireoide em algum momento da vida. Tire suas dúvidas e confira alguns mitos e verdades

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Um ano depois do último ultrassom, esta semana fui fazer um novo exame para verificar a quantas anda a minha tireoide. Para surpresa, foi identificado um cisto coloidal medindo 6 milímetros do lado direito. Na hora, quase caí da maca. Mas o médico me tranquilizou: é benigno e não pode causar nenhum transtorno. Alívio!

Com isso, entro oficialmente para uma estatística que pode se considerar positiva. Estima-se que 60% da população brasileira tenham nódulos da tireoide em algum momento da vida, mas apenas cerca de 5% deles são malignos, segundo dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

A endocrinologista Rosita Fontes, do Sérgio Franco Medicina Diagnóstica – que integra a Dasa –, confirma que a maioria dos nódulos da tireoide é benigna, ou seja, não se trata de câncer e geralmente não altera a função da tireoide. “Mas toda alteração da tireoide precisa ter um acompanhamento especializado”, explica.

Mas é bom ter cuidado. A incidência dos casos de câncer na tireoide vem aumentando nos últimos anos e já são cerca de seis mil casos diagnosticados no Brasil. As alterações na glândula tireoide podem aparecer em todas as idades, inclusive nos recém-nascidos, crianças e adolescentes, mas é maior na população feminina e preocupa principalmente nas mulheres em idade fértil.

Lara Bessa, endocrinologista do Grupo Fleury (que detém as marcas Felippe Mattoso e Labs a+ no Rio de Janeiro), afirma que o nódulo na tireoide tem cura, mas o tratamento curativo e definitivo, para a maioria dos nódulos benignos com função tireoidiana normal, é a retirada cirúrgica.

“Cada caso deve ser avaliado individualmente, pensando em riscos e benefícios da realização do procedimento. O tratamento de nódulos benignos dependerá de seu tamanho e queixas clínicas. Se o nódulo for maligno, a terapêutica inicial é a cirurgia para retirada do nódulo, na maioria dos casos”, ressalta.

O principal agravante da tireoide é a quantidade de hormônio produzido pelo corpo. Se em excesso, ocorre o hipertireoidismo, que pode causar algumas alterações como batimento cardíaco acelerado, dificuldade para dormir, nervosismo e intolerância ao calor. Esse tipo de desenvolvimento da doença atinge cerca de 2% da população brasileira.

Por outro lado, se o corpo produz quantidade insuficiente do hormônio, ocorre o hipotireoidismo, cujas características são muito variáveis, mas pode vir como cansaço e desânimo.

Neste 25 de maio, Dia Internacional da Tireoide, as especialistas tiram algumas dúvidas e recomendam que os pacientes conversem com seus médicos. “Ao lerem notícias que tragam pânico, busquem conteúdo confiável junto aos órgãos oficiais, como sociedades científicas, para terem acesso a informações verdadeiras”, completa Rosita.

O que é e principais sintomas?

A tireoide é um aglomerado de tecido tireoidiano ou um cisto, formação preenchida por líquido. A maioria dos nódulos é detectada por exames de imagem, geralmente com um tamanho que não acarreta sintomas. Quando maiores, os nódulos podem gerar queixa de dificuldade para deglutir, falta de ar ao se deitar e desconforto na região cervical.

Os sintomas que chamam atenção para uma lesão maligna são nódulo volumoso ou com rápido crescimento, com sintomas compressivos; lesão endurecida, pouco móvel e aderida a planos profundos; paralisia de corda vocal ipsilateral à lesão (acarretando alteração da voz) e adenomegalia (linfonodos aumentados) na região cervical.

Quais são as principais causas e fatores de risco?

A causa de nódulos da tireoide benignos, que representam a maior parte dos casos, ainda não é completamente clara pela ciência. Entretanto, podem ter relação com o aporte de iodo na dieta e fatores genéticos.

Os principais fatores de risco para nódulos malignos (tumores) são: síndromes hereditárias, como a neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (NEM2); história de exposição à irradiação ionizante de cabeça ou pescoço na infância ou na adolescência; irradiação total para transplante de medula óssea; diagnóstico prévio de câncer de tiroide tratado com tiroidectomia parcial e parentes de primeiro grau com câncer de tiroide.

Como fazer o diagnóstico do nódulo?

O primeiro exame a ser feito é o exame físico. Se for palpado nódulo, devemos pedir a função da tireoide (determinante para o seguimento correto da lesão) e exame de imagem. Ao se descobrir um nódulo pelo autoexame, deve-se procurar um endocrinologista o quanto antes. O médico irá solicitar exames para verificar o tipo de nódulo (se funcionante ou não), tamanho e características, além de queixas clínicas.

Quais exames laboratoriais precisam ser feitos?

O primeiro exame é a avaliação de função da tireoide para determinar se o nódulo é hiperfuncionante ou não. Depois, o médico pode solicitar ultrassonografia e/ou cintilografia de tireoide. Dependendo desses resultados, outros exames ainda poderão ser feitos para melhor avaliação da lesão. Pode ser solicitada, por exemplo, citologia de punção aspirativa por agulha fina, que analisa as células do nódulo quanto às características de malignidade ou benignidade.

Exames de sangue são mais indicados que o ultrassom?

Para fazer o diagnóstico da disfunção da tireoide, é solicitado inicialmente o exame de TSH. Em caso de alteração, o médico pode solicitar o T4 Livre para confirmar se há hipotireoidismo ou hipertireoidismo. Todos eles são realizados por meio de uma amostra de sangue, após avaliação do médico.O ultrassom só avalia a forma da tireoide e a presença de nódulos. Como ele é bastante sensível acaba mostrando nódulos, que são muito frequentes e raramente são malignos, o que pode levar a preocupações desnecessárias.

MITOS E VERDADES

Abaixo, médicos da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo – SBEM-SP falam sobre os mitos e verdades em torno da tireoide.

O hipotireoidismo é muito comum

VERDADEIRO: O hipotireoidismo é uma doença comum que afeta 8% a 12% dos brasileiros, principalmente mulheres e indivíduos mais idosos.

Hipotireoidismo engorda

FALSO: O hipotireoidismo não causa obesidade. A falta de hormônio tireoidiano pode causar um leve aumento do peso, em geral por retenção de líquidos, que é prontamente revertido com o tratamento adequado.o hipotireoidismo não tratado associa-se apenas a um ganho leve de peso, em geral, por retenção de líquidos.

Tomar hormônio da tireoide ajuda a emagrecer

FALSO: O hipertireoidismo realmente emagrece, mas à custa de massa magra, com diminuição de força muscular. Usar T4 ou, pior ainda, T3 pode causar arritmias, hipertensão, diarreia e outras manifestações muito graves, ou até fatais.

Mamografia causa câncer na tireoide

FALSO: “Essa falsa notícia circulou pelas redes sociais acusando a mamografia – um exame fundamental para detectar o câncer de mama – de aumentar o risco de sofrer um tumor de tireoide. Os raios emitidos pelo aparelho atingem sobretudo os seios e a dose que se espalha para outras regiões é considerada insignificante”, comenta a Dra. Rosita. Existe um protetor de tireoide – um colar largo de chumbo – que é indicado para pacientes que se submetem a exames rotineiros com radiação direta no pescoço.

Posso saber se tenho problema na tireoide fazendo um exame de sangue

VERDADEIRO: Os exames para diagnóstico de alteração da função tireoidiana são as dosagens do TSH e da T4 livre. O médico pode ainda solicitar outros exames, se necessário.

O ultrassom de tireoide é importante para a detecção do nódulo

FALSO: Nódulos de tireoide são muito frequentes no ultrassom, por isso ele só deve ser solicitado quando o médico suspeita de algo. A maior parte dos nódulos é benigna, não se caracteriza como câncer e não necessita de cirurgia.

O iodo faz bem para a tireoide

FALSO: O iodo da alimentação, geralmente, é suficiente para produção dos hormônios tireoidianos em qualquer faixa etária. Em excesso, o iodo pode produzir sérios danos, inclusive piorar ou causar hipo ou hipertireoidismo. A indicação de suplementação de iodo na gravidez também deve ser individualmente avaliada, levando em conta alimentação e outros fatores. Alguns dos suplementos vitamínicos oferecidos às gestantes contêm pequenas quantidades de iodo.

O cansaço pode ser causado por hipotireoidismo

VERDADEIRO: Os principais sintomas do hipotireoidismo são sonolência excessiva, cansaço e falta de disposição, lentidão e dificuldade para exercer as tarefas e funções habituais, esquecimento fácil, tristeza, intestino preso, ressecamento da pele e dos cabelos, unhas fracas e ganho de peso inexplicável. Mas esses sintomas podem aparecer em muitas outras doenças.

A T3 (tri-iodotironina) é útil no tratamento de estresse, cansaço ou desânimo

FALSO: Não há indicação de uso de T3 nessas situações. Ela pode causar riscos à sua saúde.

A T3 (tri-iodotironina) pode ser formulada com segurança

FALSO: A maioria das farmácias de manipulação não atinge alta precisão ao formular o hormônio em microgramas. Os hormônios formulados não estão sujeitos aos mesmos controles de qualidade dos medicamentos industrializados nem ao monitoramento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Bebês e crianças não têm doença da tireoide

FALSO: crianças podem ter uma doença da tireoide, que pode levá-las a parar de crescer e a ter baixo rendimento escolar. A forma mais grave de hipotireoidismo é a congênita, que ocorre no recém-nascido quando a glândula não é capaz de produzir os hormônios da tireoide, fundamentais para o desenvolvimento do bebê. Se não diagnosticado e não tratado, pode causar retardo mental irreversível.

Gravidez x tireOide: como prevenir os riscos

A tireoide é uma glândula que fica na base do pescoço, na região anterior, e produz dois hormônios: a tri-iodotironina (T3) e a tiroxina (T4). Esses hormônios são essenciais para a saúde da mãe e do feto na gestação.

Não à toa ‘Tireoide e Gestação’ é o tema escolhido este ano pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) para chamar atenção sobre a importância desta glândula. O objetivo é alertar sobre os sinais e sintomas que acometem, em média, de 5% a 10% das gestantes.

De acordo com os especialistas, tanto o hipertireoidismo quanto o hipotireoidismo podem afetar a fertilidade e, se não tratados adequadamente, podem se associar a complicações da gestação e a problemas para o feto.

Nos primeiros meses da gestação, o desenvolvimento neurológico do bebê depende de níveis adequados de hormônios tireoidianos vindos da mãe. Especialmente nas 12 primeiras semanas, período em que o bebê ainda não tem a sua própria tireoide funcionando, a produção de hormônios da mãe é fundamental para o desenvolvimento normal do seu bebê.

Enquanto a tireoide do feto não está totalmente formada (o início se dá a partir da oitava semana de gestação) ele depende totalmente do hormônio materno”, declara Carolina Ferraz, endocrinologista da Sbem-SP.

Na mãe, as disfunções da tireoide podem alterar a pressão arterial e aumentar o risco de abortos e partos prematuros. “A falta de cuidado de quem já tem doença da tireoide pode promover alterações na pressão arterial e, principalmente no caso do hipotireoidismo, pode causar parto prematuro, QI abaixo do normal, problemas neurológicos e até aborto”, revela.

MÃE COM DISFUNÇÃO NA TIREOIDE, FILHO NEM SEMPRE

O fato de a mãe ter doença da tireoide não quer dizer que o bebê também a terá. Mas é importante o acompanhamento da mãe também após o parto em conjunto com o bebê, que será avaliado por um pediatra, para poder identificar com antecedência qualquer alteração no recém-nascido. Por isso é muito importante fazer o teste do pezinho.

“É essencial realizar o teste de triagem neonatal nos primeiros dias após o nascimento, o Teste do Pezinho, que diagnostica o hipotireoidismo congênito e outras doenças”, esclarece a endocrinologista. Caso confirmado o diagnóstico, o especialista inicia imediatamente o tratamento.

A paciente que sabe possuir disfunções na tireoide deve informar o médico logo que descobrir a gestação ou, melhor ainda, informar com antecedência a intenção de engravidar, para que as doses dos medicamentos sejam devidamente ajustadas. Com o ajuste e acompanhamento adequados, pode-se reduzir o risco de complicações para a mãe e o bebê.

É importante que a mãe com doença tireoidiana seja reavaliada no segundo mês após o parto. Para tanto, deve retornar ao médico nesse período para que ele solicite os exames necessários.

Para esclarecer sobre a questão, várias ações da Campanha da Tireoide 2019 estão sendo feitas por São Paulo capital, interior e litoral neste mês de maio.

Com Assessorias da Sbem e dos Grupos Dasa e Fleury

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