Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas vivem com algum tipo de deficiência no mundo — cerca de 16% da população global. No Brasil, mais de 18,6 milhões de pessoas declaram algum tipo de deficiência, conforme dado da PNAD Contínua de 2022, divulgada pelo IBGE.
Apesar do grande número de pessoas vivendo com alguma deficiência, questões sobre inclusão e acessibilidade ainda são um enorme desafio. De acordo com o Relatório Mundial da Deficiência, elaborado pela OMS e pelo Banco Mundial, pessoas com deficiência têm até três vezes mais chances de enfrentar obstáculos no acesso a serviços de saúde.
Neste contexto, iniciativas de inclusão e redução de barreiras no acesso à saúde ganham centralidade no debate público. A experiência reforça a importância de políticas voltadas à acessibilidade física, comunicação inclusiva e capacitação profissional.
A Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o 3 de dezembro como Dia Internacional da Pessoa com Deficiência em 1992, com o objetivo de promover a conscientização sobre os direitos, dignidade e bem-estar dessas pessoas — incentivando a inclusão em todas as esferas da vida social, econômica, cultural e política. A data tem entre seus objetivos estimular ações de enfrentamento ao capacitismo e ampliar a presença de pessoas com deficiência em políticas públicas.
Também esta semana, acontece o Dia Nacional da Acessibilidade (5 de dezembro), que busca promover a inclusão social, garantir direitos e conscientizar sobre a importância de remover barreiras físicas, de comunicação e digitais para pessoas com deficiência. O objetivo é quebrar barreiras no dia a dia, tanto em espaços físicos quanto na comunicação, garantindo autonomia e oportunidades iguais para todos. A data foi criada para reforçar o que já dizia a Lei Brasileira de Inclusão sobre o atendimento prioritário, projetos arquitetônicos acessíveis, acesso à comunicação e informação.
Há também o Dia Mundial de Conscientização sobre Acessibilidade, comemorado na terceira quinta-feira de maio. Um projeto de lei visa criar o Dia Nacional da Acessibilidade Digital (proposto para 11 de março): para focar especificamente na acessibilidade de websites e aplicativos, estabelecendo padrões nacionais para eles.
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Para discutir os desafios enfrentados por pessoas com deficiência no sistema de saúde, o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), no Rio de Janeiro, promove nesta quinta-feira (4) uma programação especial alusiva a. A partir das 9h, o evento “INTO na Luta Anticapacitista” reúne representantes do Ministério da Saúde, da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e profissionais da própria instituição.
O evento é organizado pelo Comitê de Diversidade, Equidade e Inclusão do INTO, com apoio de equipes de reabilitação, humanização e do Centro de Amputados. A abertura contará com a participação do Codeu e equipes ligadas à reabilitação e humanização.
Para Aydee Valério, coordenadora do Comitê de Diversidade, Equidade e Inclusão do , a data chama atenção para a necessidade de mudanças estruturais.
O Dia Internacional da Pessoa com Deficiência é um lembrete anual de que a garantia de direitos não se faz apenas com boas práticas, mas com formação contínua e escuta ativa das pessoas atendidas. Avançar na agenda anticapacitista significa aprimorar o cuidado em todos os níveis”, afirma.
O debate irá abordar um panorama geral dos avanços e das dificuldades enfrentadas na luta anticapacitista, a partir da atuação da Coordenação de Saúde da Pessoa com Deficiência do Ministério da Saúde e das políticas desenvolvidas pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência.
A primeira mesa do dia discutirá os avanços e entraves das políticas anticapacitistas no país, com a presença de Arthur Medeiros (Ministério da Saúde) e Karla Simões (Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência).
Ao longo da manhã, o Into também apresentará projetos institucionais voltados ao aprimoramento do atendimento à pessoa com deficiência, incluindo iniciativas de acolhimento, comunicação inclusiva e práticas de humanização. A programação se encerra com a exibição do teaser do filme Mover e uma conversa com os produtores.
ABBR reúne público para discutir discriminação estrutural e invisível
Especialistas destacam que inclusão exige mudança cultural, reconhecimento de capacidades e direitos garantidos
Também como parte das atividades organizadas para marcar o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, na tarde desta quarta-feira (03/12), a Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) promoveu a palestra “A Sutil Discriminação Contra a Pessoa com Deficiência”, no auditório da instituição, no Jardim Botânico.
Durante a palestra, a assistente social Tamara Mesquita destacou que “muitas vezes a discriminação não se dá por atos explícitos, mas por atitudes e olhares que invisibilizam — e reforçam o isolamento da pessoa com deficiência”. Também enfatizou a importância de enxergar a pessoa para além da deficiência: “inclusão não é apenas adaptação estrutural: é reconhecimento de capacidades, oportunidades e respeito à dignidade humana.”
No evento, foram lembrados dados que mostram a urgência da pauta: Além da necessidade de acessibilidade física, Tamara lembrou que barreiras atitudinais e culturais continuam sendo, para muitos, os maiores obstáculos à inclusão verdadeira. A palestra atraiu um público diverso, reunindo pessoas com e sem deficiência, profissionais de saúde, representantes da sociedade civil e interessados na causa — promovendo diálogo e sensibilização.
O diretor médico da ABBR, João Grangeiro, ao fazer a abertura do evento, reforçou o compromisso da instituição com a promoção da igualdade: “a ABBR entende que o cuidado com a saúde e o bem-estar social envolve garantir que todas as pessoas, independentemente de suas condições, tenham acesso pleno aos seus direitos e à participação na vida comunitária”.
Para ele, a ABBR reafirmou seu papel de promover não apenas cuidados médicos, mas também de atuar na promoção de direitos, dignidade e inclusão social. Em um dia simbólico, a ação reforça que a luta por equidade não pode se limitar a datas: precisa estar presente no cotidiano. A ABBR trabalha para fazer do dia 3 de dezembro — e de todos os outros dias — um momento de reflexão, respeito e ação concreta.
Com Assessorias





