A catarata é a principal causa de cegueira reversível no mundo, respondendo por 51% dos casos globais, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, embora a cirurgia de catarata seja segura e apresente alto índice de sucesso, o acesso ao procedimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) revela uma profunda disparidade em relação ao setor privado.
De acordo com o estudo Radar da Demografia Médica, os planos de saúde realizam proporcionalmente 73,4% mais cirurgias de catarata que o SUS. Enquanto a rede privada alcança uma taxa de 1.276,8 procedimentos por 100 mil habitantes, na rede pública esse número cai para 736,3. Clique aqui e acesse o estudo completo.
Em 2024, o Brasil realizou cerca de 1,8 milhão de cirurgias de catarata, com o SUS sendo responsável por 64% do volume absoluto. No entanto, a alta demanda e a gestão de recursos geram um gargalo crítico: a cirurgia de catarata com implante de lente intraocular foi o procedimento com a maior demanda reprimida no SUS no último ano, com mais de 168 mil solicitações pendentes
Entenda as disparidades:
-
Total de cirurgias no Brasil (2024): Cerca de 1,8 milhão.
-
Participação do SUS: 64% do volume total absoluto.
-
Fila de espera: A cirurgia de catarata foi o procedimento com maior demanda reprimida no SUS em 2024, com mais de 168 mil solicitações pendentes.
Má distribuição de especialistas agrava o cenário
O estudo aponta que o Brasil possui 16.784 oftalmologistas, o que resultaria em uma média nacional confortável de 8,96 profissionais por 100 mil habitantes. Contudo, 65% desses especialistas estão concentrados em apenas 48 grandes cidades.
Essa distribuição desigual gera contrastes extremos:
-
O Distrito Federal possui a maior taxa (19,18 médicos por 100 mil habitantes), mas registra uma média de apenas 21,54 cirurgias por profissional ao ano.
-
No Piauí, cada especialista realiza cerca de 180,38 procedimentos anuais, evidenciando uma carga de trabalho muito superior.
-
Estados como Amazonas (3,60) e Maranhão (4,22) sofrem com os menores índices de médicos por habitante.
Leia mais
‘A fila que ninguém vê’: a espera invisível pela cirurgia de catarata
Estado do Rio quer zerar a fila por cirurgia de catarata pelo SUS
Mutirões de catarata: guia orienta sobre procedimentos
Propostas para democratizar o acesso
Conheça os riscos da demora na cirurgia
A desigualdade na oferta de cirurgia de catarata afeta diretamente a qualidade de vida da população. O atraso no tratamento prolonga a incapacidade visual, dificulta a realização de atividades cotidianas e pode levar à perda progressiva da visão.
O Prof. Dr. Mário Scheffer, pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), classifica a situação como inadmissível, reforçando que não há falta de oftalmologistas no país para suprir essa necessidade, mas sim uma falha na organização do sistema.
Para reduzir as filas e equilibrar a oferta, especialistas sugerem medidas urgentes, como a coordenação mais eficiente entre governos federal, estaduais e municipais, a utilização da capacidade ociosa da rede privada pelo SUS e a garantia de melhores condições de trabalho e remuneração para atrair médicos para as regiões hoje desassistidas.
Entre as medidas para encarar o problema e ampliar enormemente o acesso ao tratamento da catarata ele destaca:
- coordenação de iniciativas e recursos entre esferas governamentais,
- aproveitamento de parte da capacidade privada na rede pública,
- padronização de práticas e preços, e
- convocação de oftalmologistas mediante garantias de remuneração e condições de trabalho adequadas
Uma doença silenciosa com solução definitiva
Principal causa de cegueira no mundo tem tratamento no SUS. Procedimento é o mais realizado no Brasil
Silenciosa e traiçoeira, a doença avança de forma lenta e muitas vezes imperceptível, até que a visão já esteja tão comprometida que tarefas simples, como dirigir, ler ou até reconhecer o rosto de familiares, se tornam impossíveis.
A catarata é caracterizada pela perda da transparência do cristalino, a lente natural do olho. Por avançar de forma lenta, muitas vezes o paciente se acostuma com a perda gradual da visão. “O perigo está justamente nesse avanço silencioso. A pessoa pode chegar à cegueira sem perceber que a visão está tão comprometida”, explica o oftalmologista Daniel Fulgêncio, do Instituto de Olhos de Belo Horizonte (IOBH).
O médico reforça que não existem tratamentos alternativos, como colírios ou exercícios; o único recurso eficaz é a cirurgia. O procedimento é rápido e a recuperação costuma ser tranquila, permitindo que o paciente retome atividades cotidianas em poucos dias e, dependendo da lente utilizada, reduza a necessidade de óculos.
Principal causa de cegueira no mundo pode ser evitada com cirurgia
Especialista alerta que a catarata avança de forma silenciosa e pode levar à perda total da visão
A catarata é a principal causa de cegueira no mundo.
A catarata é a perda da transparência da lente natural que temos dentro dos olhos. Essa opacificação impede a passagem da luz e leva à baixa visão, que em casos mais avançados pode resultar em cegueira. Muitas vezes, a pessoa nem percebe que está enxergando mal, porque se acostuma com aquela visão ruim”, alerta o oftalmologista Daniel Fulgêncio, especialista em catarata do IOBH – Instituto de Olhos de Belo Horizonte.
O perigo da catarata está justamente no fato de se instalar de forma silenciosa. “A visão vai embaçando de maneira lenta, insidiosa. Muitas vezes, a pessoa nem percebe que está enxergando mal, porque se acostuma com aquela visão ruim”, explica o especialista. Por isso, consultas regulares com o oftalmologista são fundamentais para o diagnóstico precoce.
“A maior parte da população vai desenvolver catarata em algum momento da vida. Infelizmente, não existe prevenção. Não há tratamento alternativo: colírios, pomadas, laser, exercícios ou chás não funcionam contra a catarata. O único recurso eficaz é a cirurgia”, reforça o médico.
A boa notícia é que a cegueira causada pela catarata é reversível. “Com a cirurgia, o paciente volta a enxergar”, destaca o Dr. Daniel. O procedimento, considerado um dos mais realizados no mundo, é rápido, seguro e de alta precisão.
Em alguns casos, dependendo da lente intraocular escolhida, é possível reduzir bastante – ou até eliminar – a necessidade de usar óculos. “Hoje existe uma quantidade muito grande de opções de lentes intraoculares, que corrigem a visão para distâncias diferentes. Apesar dos resultados variarem individualmente, as lentes mais modernas podem proporcionar uma grande independência dos óculos”, explica o médico.
O processo de recuperação também costuma ser tranquilo. “Em geral, com uma semana o paciente já enxerga bem, embora a recuperação completa leve cerca de um mês. Os principais cuidados no pós-operatório são evitar esforço físico, contato com sujeira e água nos olhos”, orienta Dr. Daniel.
Diante disso, a recomendação dos especialistas é clara: não espere a catarata avançar para buscar ajuda. Quanto antes o diagnóstico for feito e a cirurgia realizada, menores os riscos e maiores as chances de o paciente recuperar a visão com qualidade e segurança.




