Uma análise inédita publicada na revista científica Nature Medicine, sob a coordenação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), traz um dado esperançoso, mas que exige ação: quase 40% dos novos casos de câncer no mundo estão ligados a fatores de risco modificáveis. Ou seja, aproximadamente 7 milhões de diagnósticos anuais poderiam não existir se houvesse maior controle sobre hábitos e exposições ambientais.
O estudo, divulgado na semana do Dia Mundial do Câncer (4 de fevereiro), avaliou 36 tipos de tumores em 185 países. A conclusão é clara: o enfrentamento da doença não depende apenas de tecnologias de tratamento, mas de políticas públicas que combatam as causas antes mesmo do surgimento da enfermidade.
Os principais vilões da saúde pública: do tabaco às infecções
A pesquisa identificou 30 fatores de risco que podem ser alterados por mudanças de comportamento ou intervenções de saúde. O ranking global dos principais responsáveis por casos evitáveis é liderado por:
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Tabagismo: Responsável por 15,1% de todos os novos diagnósticos mundiais (3,3 milhões de casos).
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Infecções: Vírus e bactérias como HPV, Hepatite B e H. pylori respondem por 10,2% dos casos.
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Álcool: Associado a cerca de 700 mil novos diagnósticos anuais (3,2%).
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Outros fatores: Obesidade, sedentarismo, poluição do ar e exposição excessiva à radiação solar (UV).
Três tipos de câncer concentram metade dos casos evitáveis
De acordo com a OMS, o impacto da prevenção seria massivo em três tipos específicos de tumores:
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Pulmão: O tabaco é a causa principal, mas a poluição do ar já aparece como fator relevante, especialmente entre mulheres.
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Estômago: Grande parte dos casos está ligada à infecção pela bactéria Helicobacter pylori.
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Colo do útero: Mais de 90% dos casos são atribuídos ao vírus HPV, que é totalmente combatível por meio de vacinação e exames de rotina.
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No cenário nacional, os dados da OMS ecoam o alerta feito pelo Inca em sua estimativa para o triênio 2026-2028. O Brasil deve registrar 781 mil novos casos por ano, com o câncer já se consolidando como a segunda causa de morte no país.
A realidade brasileira expõe um “abismo regional”. Enquanto no Sul e Sudeste predominam tumores ligados ao estilo de vida (mama, próstata e colorretal), o Norte e Nordeste ainda sofrem com altas taxas de cânceres causados por agentes infecciosos e falta de saneamento, como os de colo do útero e estômago.
O avanço da doença entre adultos jovens
Um ponto de atenção crescente nas estatísticas é o surgimento de tumores — especialmente o de cólon e reto — em adultos com menos de 50 anos. Especialistas globais associam essa mudança ao consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, obesidade precoce e sedentarismo desde a infância.
Prevenção é a estratégia mais eficiente e econômica
A mensagem da OMS para este Dia Mundial do Câncer é que a prevenção não é apenas a estratégia mais humana, mas também a mais sustentável para os sistemas de saúde. A ampliação da cobertura vacinal (HPV e Hepatite), o controle rigoroso do tabaco e a promoção de hábitos alimentares saudáveis são capazes de salvar milhões de vidas nas próximas décadas.
Links oficiais para consulta:
*Matéria atualizada em 04/02/26 para incluir dados do Inca




