As primeiras informações dão conta que o autor dos disparos vinha sendo constantemente afastado por questões médicas. Essas sucessivas licenças médicas seriam, inclusive, um dos motivos de divergência entre o atirador e as duas mulheres que foram mortas.

Professora também era querida no mundo do samba
Allane era formada em Pedagogia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutora em Letras pela PUC-Rio, com pesquisa em Linguística Aplicada e especialização em Psicomotricidade. Ela realizou parte de seus estudos na Universidade de Copenhagen, na Dinamarca, onde chegou a lecionar como professora convidada.
Allane acumulava experiência em diferentes comissões e coordenações ligadas ao Ensino Profissional Técnico de Nível Médio (EPTNM).A professora PHD trabalhava como chefe da equipe pedagógica e acadêmica da Direção de Ensino do Cefet-RJ, atuando com assessoria pedagógica e acadêmica ao Ensino Superior e à EPTNM dos 8 campi do Estado do RJ.
Allane também era mãe, nascida no Morro do Pinto, tradicional comunidade do Rio, e atuava como cantora, compositora e pandeirista, como se apresentava em suas redes sociais. Atualmente no Grupo Quilombo Urbano, ela se apresentava com frequência no Renascença, tradicional clube do Andaraí dedicado a rodas de samba. Ela tinha show marcado para dia 14 de dezembro na Taberna da Vila, outro ponto de encontro de sambistas em Vila Isabel.
Allane era uma mulher incrível, jovem, e muito resiliente. Cheio de sonhos, dona de uma voz linda e presença de palco que encantava. Que ela possa descansar em paz. Nossos sentimos a toda família e amigos. Uma perda que sentimos muito”, postou o perfil do Taberna da Vila no instagram.
O grupo de samba Quilombo Urbano, no qual Aline era cantora, publicou nota de pesar em suas redes sociais. “Allane era maravilhosa, doce, amiga e minha parceira. Apesar de ser funcionária do Cefet, o seu sonho era viver da música. A música era sua paixão”.
O Renascença Clube, onde ela se apresentava às quartas-feiras, lamentou sua morte e destacou que sua voz e alegria “deixam marcas no coração” da comunidade. “A notícia nos entristece e deixa um vazio entre amigos, frequentadores e toda a nossa comunidade”, diz nota divulgada pela entidade.
Psicóloga era especialista em Gestão de Pessoas
Layse Costa Pinheiro era psicóloga e servidora pública federal no Cefet-RJ desde 2017, atuando na área de psicologia escolar, e também tinha forte atuação no Cefet e na área acadêmica. Servidora federal desde 2014, ela foi aprovada em primeiro lugar no concurso para psicóloga. Entre 2014 e 2017, atuou na gestão de pessoas e, a partir de 2017, passou a trabalhar na Psicologia Escolar.
Formada pela Uerj e pós-graduada em Gestão de Pessoas, ela iniciou mestrado em Psicologia Social, interrompido em 2017. Também dava aulas no curso de extensão “Psicologia das Organizações”, vinculado ao Centro de Produção da Uerj, e também atendia adolescentes e adultos em consultório e realizava palestras e consultorias.
Em suas redes sociais, Layse se apresentava como psicóloga feminista, antirracista e comprometida com a defesa de minorias. Dizia ser apaixonada por música e dança de salão. Amigos e conhecidos lamentaram sua morte. “Gente, eu não acredito! Passei pelo Cefet e fiz um vínculo forte com ela. Estou em choque!”
Luto oficial de três dias na escola
O Cefet decretou luto oficial de cinco dias pela morte das duas funcionárias de carreira. “A direção-geral do Cefet/RJ lamenta profundamente essa tragédia que chocou a comunidade acadêmica e decreta luto oficial por cinco dias na instituição a partir da próxima segunda-feira (1º)”.
Em nota, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) manifestou profundo pesar pelas mortes das servidoras.
A violência, sobretudo em um ambiente dedicado à educação, fere não apenas as vítimas e seus(suas) familiares, mas também toda a comunidade acadêmica. Reafirmamos que instituições de ensino devem ser espaços de paz, aprendizado, convivência, solidariedade e respeito. O IFRJ expressa sua irrestrita solidariedade aos(às) servidores(as), estudantes, colegas e familiares da comunidade do Cefet-RJ. Que encontrem, neste momento tão doloroso, conforto, acolhimento e a certeza de que não estão sozinhos(as)”, diz.
Ministros se manifestam
O ministro da Educação, Camilo Santana, lamentou a tragédia e se solidarizou com as vítimas em publicação nas redes sociais. “Minha solidariedade a toda a comunidade do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ), do Rio de Janeiro, cenário da tragédia que culminou na morte de três servidores da instituição na tarde de hoje”, escreveu.
Nós estamos em contato com a direção do Cefet-RJ e as estruturas do MEC já estão mobilizadas para prestar todo o apoio necessário nesse momento de perplexidade e dor. Aos familiares e amigos das vítimas, meus profundos sentimentos”, disse o ministro.
A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, também falou sobre o ataque a tiros em seu perfil nas redes sociais. “Profunda solidariedade às vítimas e às suas famílias pelo ataque no CEFET do Maracanã. É inaceitável que espaços de estudo se tornem alvo de violência. Defender direitos humanos é também construir uma cultura de paz e garantir segurança real em todas as instituições de ensino”, afirmou.
A deputada estadual Elika Takimoto (PT-RJ), que também é professora no Cefet, afirmou em publicação nas redes sociais que conhecia as duas vítimas e classificou o episódio como “devastador”. “Minha solidariedade às famílias e a todo CEFET. Que recebam o conforto que precisam. Estamos em choque e em luto”, escreveu.
Ataque causa pânico e polícia evacua escola
De acordo com relatos colhidos pela polícia, João entrou primeiro na sala onde estava Allane e efetuou disparos à queima-roupa, atingindo a diretora na nuca e no ombro. Em seguida, ele seguiu para outra sala e atirou contra Layse, que foi baleada na cabeça e no abdômen.
Depois disso, o servidor foi até uma terceira sala, onde cometeu suicídio. Os policiais o encontraram já sem vida, ao lado de uma pistola Glock .380 usada nos disparos. O ataque provocou desespero entre alunos e servidores. As aulas da noite foram canceladas.
Professores e alunos relatam tragédia
Professores choraram ao receber a confirmação das mortes na porta da instituição.
O que sabemos é que ele foi direto para as salas onde elas estavam”, contou o professor Hilário Rodrigues ao portal G1.
Outro docente relatou o momento de aflição durante a aula. “A gente está emocionado, porque você está dando aula… Os alunos ficaram desesperados”, disse. Ele lembrou que o Cefet sempre foi considerado um ambiente seguro. “É lamentável. O Cefet sempre foi um ambiente tão tranquilo para se trabalhar, os colegas, alunos…”.
O estudante Jonathan araújo, de 19 anos, relatou que ouviu barulhos que pareciam disparos, mas só percebeu o que havia acontecido quando outra pessoa entrou na sala avisando que uma funcionária tinha sido baleada.
Eu estava numa aula de reforço e do nada eu escutei uns quatro barulhos (…). Só que eu não botei fé que era tiro”, afirmou. “Aí começou o desespero total”, completou.
A estagiária Adrynni Emannuele, de 26 anos, contou que se escondeu durante o tumulto: “Me escondi na cantina até os policiais dizerem que era seguro sair”.
A estudante Mariah Emanoela da Silva, de 18 anos, também relatou o pânico generalizado enquanto alunos do 3º ano participavam de uma confraternização.
Os funcionários passaram pedindo para ligarmos para a polícia e para o Samu. Todo mundo começou a ficar desesperado, mas sem entender o que fazer”, afirmou.
Com informações da Agência Brasil, G1, CNN, Correio da Bahia e O Tempo




