O desejo por um futuro mais saudável e digno é o que move a maioria dos moradores das favelas brasileiras. Segundo a pesquisa Sonhos da Favela, realizada pelo Data Favela com 4.471 entrevistados em todo o país, a busca por uma saúde de qualidade (22%) e por saneamento básico (26%) está no topo das urgências para o ano de 2026.

Os dados, coletados entre 11 e 16 de dezembro de 2025, traçam um perfil de uma população majoritariamente negra (82%) e trabalhadora, que enxerga na infraestrutura básica o caminho para a prosperidade. No Rio de Janeiro e em São Paulo, focos centrais do estudo, a carência de serviços públicos essenciais reflete diretamente na qualidade de vida e na longevidade dos moradores.

Para a copresidente do Data Favela, Cléo Santana, os dados servem como um alerta para o poder público. “Ouvir quem vive a favela todos os dias muda o centro da narrativa. Não se trata apenas de ‘falar sobre’, mas de construir dados a partir do que elas consideram urgente”, afirma.

Desafios de gênero e o cuidado com a mulher

A pesquisa também joga luz sobre a vulnerabilidade das mulheres, que representam 60% dos entrevistados. Entre as políticas públicas consideradas mais urgentes para este grupo, o cuidado com a saúde da mulher foi citado por 39% dos participantes, ficando atrás apenas de programas de inserção no mercado de trabalho e combate ao machismo.

A questão da segurança também é um entrave para o bem-estar: 70% apontam a violência doméstica como o principal desafio enfrentado pelas mulheres no território. A sensação de insegurança é ratificada pelo dado de que 36% dos moradores não confiam em nenhuma instituição (policial ou local) para sua proteção.

Infraestrutura e o direito à cidade

Quando o assunto é a transformação do território, as prioridades são claras:

  • Saneamento básico: 26%

  • Educação: 22%

  • Saúde: 20%

  • Transporte: 13%

O levantamento reforça que a favela não é apenas um espaço de carências, mas um polo de “inteligência coletiva e inovação”. No entanto, sem a garantia do “ir e vir com tranquilidade” — desejo de 47% dos entrevistados — e sem o acesso básico à saúde e ao meio ambiente equilibrado, o potencial desses territórios permanece limitado por negligências históricas.

A demanda por saneamento básico e saúde de qualidade nas comunidades não é apenas uma questão de infraestrutura, mas um pilar fundamental do conceito de Saúde Única (One Health). A integração entre a saúde humana, animal e ambiental é evidente no contexto das favelas: a ausência de esgoto tratado e o acúmulo de resíduos favorecem a proliferação de zoonoses e doenças infectocontagiosas, impactando todo o ecossistema urbano.

Para conferir o levantamento completo e outros dados da Agência Brasil, acesse o link oficial da pesquisa Sonhos da Favela.

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