A estratégia será realizada em três etapas e a primeira começa no sábado, 7 de abril, com foco em escolas e creches (alunos e trabalhadores da educação), serviços de saúde (rotina e trabalhadores da saúde), rede de turismo (hotéis, motéis, guias de turismo, trabalhadores da praia), trabalhadores de transporte individual e coletivo, forças de segurança e pessoas em situação de rua.
A segunda etapa está prevista para o final de abril em universidades, escolas de ensino técnico e trabalhadores da saúde. A terceira e última etapa deve iniciar até a segunda semana de maio com prioridade para pontos volantes de vacinação, locais públicos e de grande movimentação, estações e terminais (passageiros e trabalhadores), áreas comerciais e praças públicas.
Objetivo é manter certificado de país livre do sarampo
A ação conjunta foi definida nesta terça-feira (1º), em reunião com representantes do Ministério da Saúde, do Estado e dos municípios, com a participação do ministro Alexandre Padilha.
Vamos reafirmar a capacidade de resposta do SUS, do nosso país, e mostrar que podemos e vamos manter o certificado de eliminação do sarampo”, disse Padilha.
Segundo ele, a estratégia de vacinação no Rio de Janeiro é uma oportunidade de ampliar a cobertura vacinal no Estado e em todo o país. Cinco anos após perder o certificado de eliminação do sarampo, em 2019, o Brasil reconquistou o status de país livre da doença.
No Rio de Janeiro, o diretor do Programa Nacional de Imunizações (DPNI), Eder Gatti. falou do risco que o país corre de reintrodução da doença, diante da ocorrência de casos em outras partes do mundo.
Tivemos problemas com o sarampo dos anos de 2018 até 2022. Brasil perdeu certificação de área livre. Ano passado nós reconquistamos, graças a um trabalho de vigilância e intensificamos a vacinação no país nos últimos dois anos. E agora temos o desafio de manter o país livre. O problema é que o sarampo é uma questão de saúde pública global”, disse Eder Gatti.
Dose zero para reforçar proteção de crianças
O Ministério da Saúde entende que os registros de sarampo no país ainda são casos isolados, mas decidiu reforçar a vacinação em municípios do Rio de Janeiro que têm risco de transmissão. Duas crianças em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, foram diagnosticadas com a doença. O terceiro caso foi uma mulher adulta no Distrito Federal.
A partir do dia 7 de abril vamos fazer um grande chamado para a população desses municípios. Vamos aumentar o abastecimento de vacinas para o estado do Rio e chamar a população de 6 meses até 59 anos para passar por uma atualização da caderneta e ver se ela está em dia. E se tiver faltando vacina de sarampo, a gente vai atualizar”, explicou Eder Gatti.
Segundo Gatti, além de reforçar a imunização da população, as ações também têm por objetivo fortalecer ações de vigilância, alinhar iniciativas conjuntas com os municípios e reforçar a integração dos sistemas de dados. No estado do Rio, os municípios foram orientados a construir estratégias para mobilizar as pessoas que ainda não foram vacinadas contra o sarampo.
Também houve uma mudança em relação à aplicação da primeira dose nesses municípios. Atualmente, a vacinada é aplicada no Sistema Único de Saúde (SUS) como parte do imunizante Tríplice Viral, que também protege contra a caxumba e a rubéola. A primeira dose deve ser aplicada aos 12 meses de idade, e a segunda, aos 15 meses.
Com esse risco de introdução do sarampo, vamos ter que fazer um esforço de vacinar com dose zero. Ou seja, a vacina que é feita de 6 meses a 1 ano. Que não é uma recomendação usual, mas vamos adiantar para proteger as crianças de uma forma mais precoce na região do Rio”, disse Eder Gatti.
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‘Estado do Rio recebe muitos turistas’
Ainda segundo ele, casos pontuais não comprometem a certificação do país, mas o sarampo ainda circula em outras partes do mundo, podendo eventualmente ser reintroduzido no território nacional. “O Estado do Rio de Janeiro recebe muitos turistas. É fundamental essa articulação para evitarmos novos casos e impedir a transmissão do vírus”, apontou.
Ele lembrou que o Brasil foi reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como país livre do sarampo em 2024. Por enquanto, os três casos confirmados no país em 2025 não comprometem o certificado de país livre da doença, reconquistado no ano passado. Isso ocorre quando há cadeias de transmissão com o mesmo genótipo do vírus circulando durante um ano.
Para detalhar a implementação da estratégia, o diretor do PNI e técnicos da pasta se reuniram com o subsecretário estadual de Vigilância e Atenção à Saúde, Mário Sergio Ribeiro. Eles fizeram uma reunião por videoconferência com representantes dos municípios prioritários para definição da estratégia de vacinação..
Temos uma cobertura que está aquém do desejado, da meta nacional, então estamos trabalhando para mobilizar os municípios para que eles melhorem essa cobertura. Isso é uma ação estratégica”, disse Mário Sérgio Ribeiro, subsecretário de Saúde do estado do Rio.
Parceria entre Ministério da Saúde e Governo do Estado
Na reunião, o ministro Alexandre Padilha reforçou o diálogo próximo que tem mantido com o Estado do Rio de Janeiro, prefeitos e parlamentares locais e reforçou sua confiança no trabalho das equipes de vigilância nas três esferas de governo.
Esse é um trabalho de parceria. A Organização Mundial de Saúde acredita na capacidade do Brasil em aumentar a cobertura vacinal, além da pronta resposta aos casos esporádicos”, explicou, detalhando que ações específicas estão sendo estruturadas para diversos segmentos, como crianças e jovens.
A secretária de Saúde do Rio de Janeiro, Claudia Mello, também ressaltou a importância da ação conjunta para manter o país livre do sarampo. Ao lado do Ministério da Saúde, Claudia reforçou a importância de ampliar a cobertura vacinal e colocou o Estado à disposição para ajudar os municípios prioritários a executarem as ações previstas de bloqueio ao sarampo.
Junto do Ministério da Saúde vamos somar forças com cada município do estado para garantir a imunização plena. Seguimos investigando as circunstâncias dos dois casos esporádicos registrados em São João de Meriti, e a próxima fase é expandir o raio da vacinação de bloqueio”, disse.
Acompanhamento de casos em Meriti (RJ) e Brasília
Em março, uma equipe do Departamento do Programa Nacional de Imunizações esteve em São João de Meriti (RJ), onde duas crianças foram diagnosticadas com sarampo. Junto com a equipe local, foi feito o bloqueio vacinal na cidade – a imunização de pessoas que tiveram contato com os infectados.
Quatro técnicos permanecem no município para dar prosseguimento às ações de prevenção e controle. Como parte das ações, também foi mapeado o território onde residem os infectados para que profissionais de saúde realizassem a varredura para impedir a transmissão na vizinhança.
Na capital federal, um caso de sarampo foi importado. A paciente retornou de uma viagem internacional, na qual visitou cinco países, e realizou diversos voos antes de retornar à Brasília, no período do Carnaval. A resposta dada à doença incluiu isolamento, bloqueio vacinal, investigação epidemiológica e monitoramento de contatos.
O Ministério da Saúde permanece acompanhando junto à Secretaria de Saúde do Distrito Federal, mas em Brasília e nas regiões do entorno, o entendimento de que não é necessária uma campanha de reforço nesse momento.
No Distrito Federal, o caso foi importado, e houve um bloqueio. Mas temos olhado com muita atenção para outras regiões. Temos áreas de fronteira, com alta circulação de pessoas, como a região do Oiapoque, no Amapá. Temos também Belém, que está prestes a receber um grande evento, a COP 30. Estamos com um trabalho específico de vacinação contra a febre amarela e contra o sarampo lá”, disse Eder Gatti.
Casos nas Américas
O risco de transmissão do sarampo se intensifica quando há surtos em outros países. Relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), divulgado em 24 de março, aponta que, em 2025, 507 casos foram confirmados em outros países do continente, superando a contagem de todo o ano passado. São 301 nos Estados Unidos, com duas mortes; 173 no Canadá; 22 no México e 11 na Argentina. A Opas avalia que o risco de disseminação da doença, com ameaça à saúde, é alto.
O último grande surto vivido no Brasil foi em 2017, quando o país estava recebendo muitos cidadãos da Venezuela, onde os casos de sarampo estavam altos. No ano seguinte, os registros explodiram nos estados próximos à fronteira, e começaram a surgir também em outros locais.
Os casos suspeitos de sarampo são de notificação compulsória, ou seja, devem ser comunicados imediatamente às autoridades de saúde. Há um protocolo rígido para quando são confirmados, que inclui a identificação e o monitoramento de todas as pessoas que podem ter sido infectadas pelo doente, e o bloqueio vacinal, que é o reforço da vacinação nos locais que essa pessoa frequentou, como escola e local de trabalho.
Com informações do Ministério da Saúde, SES-RJ e Agência Brasil