Celebrado sempre na segunda segunda-feira de fevereiro, o Dia Internacional da Epilepsia joga luz sobre uma das condições neurológicas mais prevalentes e incompreendidas do mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 50 milhões de pessoas vivem com a condição globalmente.

No Brasil, o cenário é igualmente desafiador: dados do Datasus revelam que, entre 2019 e 2024, foram registrados 296.017 casos da doença, reforçando a necessidade de diagnóstico precoce e combate ao estigma.

Estudos apontam um dado alarmante: pessoas com epilepsia têm um risco de morte prematura até três vezes maior que a população geral, sendo a Sudep (Morte Súbita Inesperada na Epilepsia) uma das principais causas.

Um estudo recente da revista The Lancet indica que essa condição associada a pausas respiratórias pós-crise de epilepsia pode representar 20% das mortes súbitas em menores de 50 anos. O estudo destaca que homens com obesidade e pacientes com crises noturnas possuem risco significativamente maior.

70% dos pacientes podem levar uma vida normal

 

A epilepsia pode ser sutil. Segundo o professor Heitor Felipe, da Afya Goiânia, ela pode se manifestar apenas como lapsos de atenção (crises de ausência) ou movimentos automáticos. “Cerca de 70% dos pacientes conseguem levar uma vida normal e ativa com o tratamento correto”, pontua.

O neurologista da Afya Montes Claros, Marcelo José da Silva de Magalhães, afirma que o controle rigoroso das crises com anticonvulsivantes e o uso de tecnologias como sensores de colchão e pulseiras inteligentes (como a Embrace2) são ferramentas vitais para aumentar a segurança durante o sono.

6 fatos sobre a epilepsia que muita gente ainda não sabe

O Dia Internacional da Epilepsia, que este ano é lembrado em 9 de fevereiro, é um momento fundamental para promover informação, empatia e conscientização. Para ajudar a esclarecer dúvidas e combater preconceitos, o neurologista Heitor Felipe, da Afya Goiânia, lista pontos fundamentais sobre a condição:

  1. Nem toda crise envolve convulsão: Existem crises que se manifestam apenas como lapsos de atenção, olhar fixo ou movimentos automáticos.

  2. A epilepsia não é uma doença rara: Atinge cerca de 1% da população mundial e pode surgir em qualquer fase da vida.

  3. Crises podem durar poucos segundos: Algumas são tão breves que passam despercebidas, sendo confundidas com distração ou ansiedade.

  4. Vida normal é possível: Com tratamento adequado, cerca de 70% dos pacientes controlam as crises e mantêm rotinas de trabalho, estudo e lazer.

  5. Gatilhos comuns: Estresse, privação de sono e consumo excessivo de álcool são fatores que facilitam o surgimento de crises em pessoas predispostas.

  6. Primeiros socorros fazem a diferença: Saber o que não fazer (como não colocar objetos na boca) é crucial para a segurança do paciente.

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Nem toda convulsão é sinal de epilepsia

Recentemente, a discussão ganhou força nas redes sociais após o ator Henri Castelli, de 47 anos, participante da sexta edição do Big Brother Brasil (BBB26), sofrer duas crises convulsivas dentro do reality. Após o primeiro episódio, ele foi atendido e liberado, mas, após uma nova crise, deixou o programa para acompanhamento médico. Ele não chegou a ser diagnosticado com epilepsia.

Exames médicos de sangue e neuroimagem realizados após o ocorrido não apontaram alterações cerebrais, indicando que os episódios foram relativos à alta demanda da prova de resistência e ao seu estilo de vida pré-confinamento. Segundo a equipe médica, o quadro foi provocado por estresse extremo, noites sem dormir (insônia crônica relatada) e a exigência física do reality show

O caso gerou um debate sobre saúde mental, a importância do sono e o impacto físico de provas de resistência, ressaltando que, embora assustadora, a convulsão foi um evento agudo e não uma condição neurológica crônica.

O que pode causar uma crise convulsiva?

Uma crise convulsiva é uma manifestação elétrica anormal no cérebro, que também provoca e espasmos musculares, mas nem sempre significa que o paciente é epiléptico. O quadro pode ser desencadeado por fatores isolados como:

  • Febre alta (comum em crianças);

  • Traumatismo craniano;

  • Alterações metabólicas (glicose ou eletrólitos baixos);

  • Privação extrema de sono e estresse intenso;

  • Consumo excessivo de substâncias.

O sinal de alerta para buscar um neurologista acende quando ocorre a primeira convulsão da vida, quando as crises se repetem ou quando há perda de consciência prolongada.

Como agir em uma crise: lições do caso Henri Castelli

O episódio com o ator no BBB 26 reacendeu dúvidas sobre como agir corretamente durante uma convulsão. Pedro Henrique de Souza Duarte, médico na SegMedic, explica que saber o que não fazer é tão importante quanto saber ajudar. No caso do ator, a mobilização da equipe e a observação foram cruciais.

O que fazer imediatamente:

  1. Mantenha a calma e cronometre: A maioria das crises dura de 1 a 3 minutos. Se passar de 5 minutos, chame o SAMU (192).

  2. Proteja a cabeça: Coloque algo macio embaixo (casaco, travesseiro) e afaste objetos que possam causar ferimentos.

  3. Posição lateral de segurança: Vire a pessoa de lado para evitar que saliva ou vômito obstruam as vias aéreas.

  4. Afrouxe roupas: Desaperte cintos, gravatas e botões apertados.

O que JAMAIS fazer:

  • Não segure a língua: É fisicamente impossível “enrolar a língua” a ponto de engolir; tentar puxá-la pode causar fraturas na mandíbula ou ferimentos graves nos dedos de quem ajuda.

  • Não coloque objetos na boca: Nem panos, nem colheres.

  • Não tente conter os movimentos: Isso pode gerar luxações.

  • Não ofereça água: Somente quando a pessoa estiver totalmente alerta.

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Guia ‘Tecnologia e Epilepsia’: dispositivos que monitoram e salvam vidas

O avanço da tecnologia vestível (wearables) e da inteligência artificial transformou a gestão da epilepsia, permitindo que cuidadores e familiares sejam alertados em tempo real, especialmente durante o sono.

1. Smartwatches e pulseiras inteligentes

Estes são os dispositivos mais populares, pois monitoram movimentos bruscos e alterações na frequência cardíaca, sinais típicos de uma crise tônico-clônica.

  • Embrace2 (Empatica): É a única pulseira de monitoramento de crises com certificação médica da FDA. Ela utiliza sensores de condutividade da pele e acelerômetros para detectar crises e enviar um alerta com a localização GPS para os cuidadores.

  • EpiWatch (Apple Watch): Um aplicativo que utiliza os sensores do relógio da Apple para rastrear a duração e a frequência das crises. Ele permite que o paciente registre a aura (sensação pré-crise) e avisa contatos de emergência.

2. Dispositivos para o sono (Prevenção de SUDEP)

Como as crises noturnas aumentam o risco de morte súbita, estes dispositivos focam na segurança durante a noite.

  • NightWatch: Uma braçadeira confortável para ser usada durante o sono. Estudos indicam que ela detecta até 96% das crises motoras graves, emitindo um alerta sonoro imediato para um receptor no quarto de um cuidador.

  • Sensores de Colchão: Placas sensíveis à vibração que são colocadas sob o colchão. Elas não tocam o paciente e detectam movimentos rítmicos anormais, acionando alarmes se uma crise for identificada.

3. Câmeras com Inteligência Artificial

Diferente das babás eletrônicas comuns, estas câmeras utilizam algoritmos para diferenciar o movimento natural de alguém mudando de posição na cama de uma convulsão real. Ao detectar o padrão de crise, o sistema envia notificações para smartphones.

4. Vantagens do uso de tecnologia

  • Redução da ansiedade: Cuidadores conseguem dormir melhor sabendo que serão avisados.

  • Dados para o médico: Muitos desses dispositivos geram relatórios automáticos que ajudam o neurologista a ajustar a medicação com base na frequência exata das crises.

  • Independência: Permite que adultos com epilepsia vivam sozinhos com uma camada extra de segurança.

Importante: Estes dispositivos são ferramentas complementares. O acompanhamento médico e o uso rigoroso da medicação continuam sendo os pilares principais do tratamento da epilepsia.

A epilepsia pode ser sutil. Segundo o professor Heitor Felipe, da Afya Goiânia, ela pode se manifestar apenas como lapsos de atenção (crises de ausência) ou movimentos automáticos. “Cerca de 70% dos pacientes conseguem levar uma vida normal e ativa com o tratamento correto”, pontua.

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Com Assessorias

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