No dia 23 de setembro, a uma semana de iniciar a campanha alusiva ao mês mundial de conscientização sobre o câncer de mama, o Ministério da Saúde anunciou a nova estratégia de rastreamento de câncer de mama no SuS. Mulheres entre 40 a 49 anos concentram 22,6% dos casos da doença e a detecção precoce aumenta as chances de cura.
A partir de agora, mulheres, sem história pessoal ou familiar de câncer, passem a realizar a primeira mamografia aos 40 anos, com o objetivo de ampliar a oportunidade de diagnosticar tumores malignos em fases mais precoces, quando há maior chance de tratamentos mais conversadores e com chance de cura que supera os 90%.
O Outubro Rosa simboliza vida, esperança e cuidado. E esse cuidado no Brasil tem nome, o Sistema Único de Saúde, o nosso SUS”, disse a ministra das Mulheres, Marcia Lopes, ao abrir o terceiro e último dia da 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (5ª CNPM), em Brasília.
Ela ainda orientou as mulheres a fazerem mamografia pelo SUS.
Mastologistas recomendam a mamografia a partir dos 40 anos
O Ministério da Saúde passa a recomendar agora a realização “sob demanda” da mamografia a partir dos 40 anos de idade no SUS. Para a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), “esta indicação se alia aos esforços das principais associações médicas brasileiras na definição de diretrizes para o enfrentamento efetivo do câncer de mama no Brasil”.
O empenho em demonstrar a necessidade do início do rastreamento mamográfico aos 40 anos conta com a elaboração de estudos científicos conduzidos pela SBM e apresentados em eventos de importantes sociedades médicas internacionais, a exemplo da ASCO (American Society of Clinical Oncology).
Uma dessas pesquisas, realizada em conjunto com o Centro Avançado de Diagnóstico de Doenças da Mama (CORA) da Universidade Federal de Goiás, mostrou um panorama inédito sobre o rastreamento da doença no Brasil na última década.
Com base em informações extraídas de bancos de dados do SUS (DataSUS), no período de 2013 a 2022, o estudo constata que entre mulheres com 40 a 49 anos, faixa etária para a qual a Sociedade Brasileira de Mastologia indica o início do rastreamento mamográfico, a média de exames realizados chegou a 22% em uma década. No mesmo período analisado, 54% dos casos diagnosticados são dos estadios III e IV, os mais avançados da doença.
O estudo também traz dados sobre mulheres de 50 a 69 anos, faixa que o Ministério da Saúde prioriza para a realização da mamografia. Neste grupo, 33% estão incluídas no rastreamento mamográfico, com 48% dos diagnósticos nos estadios III e IV.
O Ministério da Saúde passa a oferecer acesso garantido à mamografia no SUS para mulheres de 40 a 49 anos de idade, sem rastreamento obrigatório a cada dois anos. Para a faixa de 50 a 74 anos, o rastreamento é bienal. Acima dos 74 anos, a decisão é individualizada, de acordo com comorbidades e expectativa de vida.
Antes restrito a mulheres de 69 anos, a expansão da faixa até 74 anos sinaliza, segundo Tufi Hassan, é um benefício importante para uma população, que tem agora a oportunidade de acesso ao exame.
Cirurgiões oncológicos também apoiam a medida
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) acompanha a decisão, sendo favorável à orientação do Ministério da Saúde. A mamografia passa a ser recomendada para mulheres de 40 a 49 anos, mediante indicação médica e/ou desejo da paciente.
Segundo o cirurgião oncológico e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), Rodrigo Nascimento Pinheiro, no Brasil já não era proibida a realização da mamografia antes dos 40 anos, mas não havia uma recomendação formal do Ministério da Saúde para essa realização.
Um percentual grande das mulheres brasileiras, cerca de 30%, apresentam câncer de mama com idade inferior aos 50 anos. Por isso, é muito importante reforçar o rastreamento em idades mais jovens, pois podemos beneficiar muitas pacientes no país trazendo diagnósticos precoces e, consequentemente, tratamentos mais efetivos”, explica.
O que muda com a nova recomendação
Além da ampliação da faixa etária do rastreamento ativo com mamografia, que antes começava aos 50 anos, a nova estratégia do governo inclui a criação de uma linha de cuidado que visa garantir o acesso ao exame mesmo para mulheres sem sinais ou sintomas da doença. Haverá também o chamado rastreamento sob demanda, no qual profissionais de saúde orientam as pacientes sobre os benefícios e as possíveis desvantagens da realização da mamografia.
As ações envolvem ainda a expansão da rede de serviços, com as carretas de saúde da mulher, o fortalecimento da atenção primária por meio de guias de rastreamento, a incorporação de novos medicamentos, além de investimentos em pesquisa, capacitação de equipes e na qualificação dos equipamentos de mamografia.
Segundo a diretriz publicada, o objetivo do Ministério da Saúde é aumentar a sobrevida, ampliar as chances de cura, oferecer mais opções de tratamento e garantir melhor qualidade de vida às pacientes.
O câncer de mama é o mais incidente entre as mulheres. Com essa nova diretriz, o diagnóstico passa a ser fortalecido como prioridade no SUS, permitindo que mais brasileiras tenham acesso precoce ao rastreamento e, consequentemente, iniciem o tratamento em estágios iniciais da doença, quando as chances de sucesso são maiores”, destaca.
Marco no rastreamento do câncer de mama no Brasil
A Jornada Paulista de Mastologia 2025 – que acontece de 1 a 4 de outubro – também celebra uma conquista histórica: a recomendação oficial do Ministério da Saúde para o início do rastreamento mamográfico aos 40 anos, sob demanda, no SUS (Sistema Único de Saúde).
Uma luta antiga da SBM, que desde 2008 defende essa antecipação com base em evidências e estudos clínicos. “Essa mudança representa um avanço real no combate ao câncer de mama no país. Mas ainda temos muitos desafios pela frente.”
A nova diretriz também amplia o rastreamento bienal obrigatório para mulheres de 50 a 74 anos e, acima dessa faixa, permite decisões individualizadas conforme a saúde da paciente.
Dados que justificam a mudança
Estudos da SBM e dados do DataSUS entre 2013 e 2022 apontam que:
– 22% dos exames de mamografia no SUS foram realizados em mulheres de 40 a 49 anos.
– 54% dos casos diagnosticados estavam nos estágios III e IV, considerados os mais avançados.
– Em São Paulo, 34% dos diagnósticos ocorrem antes dos 50 anos.
Esses números reforçam a urgência de políticas públicas mais eficazes e rastreamento mais precoce.
CIRURGIA EM CÂNCER DE MAMA
A indicação de cirurgia do câncer de mama depende do estágio em que a doença foi diagnosticada. Quanto mais precoce for feito o diagnóstico, maior é a probabilidade de uma cirurgia mais conservadora. De maneira geral, a maioria das pacientes passa por algum tipo de cirurgia, ainda que com objetivos distintos. Essa definição com relação ao tipo de cirurgia mais indicado fica a cargo do cirurgião oncológico ou do mastologista e de sua equipe, que avaliam cuidadosamente a extensão da doença e quais são as medidas de tratamento a serem adotadas.
Pinheiro ressalta que é importante contar com o acompanhamento de profissionais qualificados, em centros oncológicos de referência para o tratamento do câncer de mama: “Há diferentes tipos de cirurgia do câncer de mama. A definição ocorre de acordo com o objetivo do procedimento e com as condições – tanto da paciente, quanto do tumor – levando assim a uma cirurgia mais adequada e personalizada a cada caso/paciente”, explica.
CIRURGIA CONSERVADORA
Esse procedimento é conhecido como lumpectomia ou quadrantectomia. A quantidade de tecido mamário removido varia de acordo com o tamanho e a localização do tumor, além de outros fatores, como a probabilidade de dissipação de células tumorais. Na prática, se dá pela retirada do segmento ou do setor da mama onde está localizado o tumor. Neste caso, o cirurgião oncológico deve extrair o tumor com uma porção de tecido saudável adjacente, como margem de segurança.
MASTECTOMIA
Nesse procedimento é feita a retirada completa da mama, incluindo todo o tecido mamário. No caso da chamada mastectomia radical, podem ser removidos outros tecidos próximos como os músculos que se localizam abaixo da mama com os gânglios axilares – geralmente indicada para grandes tumores em que já há ínguas comprometidas ou o risco de disseminação é elevado.
Há, ainda, a chamada Mastectomia Total com utilização da pesquisa de linfonodo sentinela (a “íngua” que inicialmente drena estes tumores). O objetivo é minimizar os efeitos colaterais do tratamento oncológico.
Principais sintomas do câncer de mama
Um dos sintomas mais comuns da doença é o surgimento de um nódulo no seio, geralmente detectado durante o autoexame ou em uma consulta de rotina. Além do caroço no seio, existem outros sinais de alerta aos quais é importante estar atenta
– pele da mama avermelhada ou retraída;
– aspecto de casca de laranja nas mamas;
– alterações no mamilo, como inversão ou descamação;
– pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço
– secreção anormal, geralmente sanguinolenta, nos mamilos.
É possível prevenir o câncer de mama?
Entre as práticas saudáveis e preventivas, que ajudam a reduzir o risco para desenvolver câncer de mama, a SBCO destaca:
– redução e manutenção do peso corporal saudável;
– prática de atividade física por, pelo menos, 150 minutos semanais;
– acompanhamento adequado em casos de reposição hormonal pós-menopausa;
– limitação no consumo de bebidas alcoólicas;
– não fumar;
– visitas regulares ao médico, com realização de exames preventivos;
– adotar uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes e com menos alimentos ultraprocessados
Com assessorias


Ela ainda orientou as mulheres a fazerem mamografia pelo SUS.


