A violência de gênero no Rio de Janeiro apresenta números que desafiam o poder público e a sociedade. Na capital, uma mulher vítima de violência é atendida a cada 36 minutos no Sistema Único de Saúde (SUS). Esta nova reportagem da seção ‘Mulher’ no portal VIDA E AÇÃO cruza dados da Prefeitura e do Estado para traçar o cenário e destaca o papel vital do SUS como porta de entrada para a rede de proteção.
Em 2025, a rede municipal de saúde do Rio de Janeiro atendeu uma mulher vítima de violência a cada 36 minutos. O dado, extraído do portal EpiRio, da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em 2025, reforça que as unidades de saúde são, muitas vezes, o primeiro e único refúgio dessas mulheres. Ao todo, foram 17.638 atendimentos na capital no último ano — um aumento significativo frente aos 15.387 de 2024.
O perfil das vítimas evidencia o recorte racial: 72% se identificam como negras. O levantamento municipal aponta ainda que 60% das agressões ocorrem no ambiente doméstico, sendo que, em 80% dos casos, o agressor é um homem (maridos, namorados ou ex-parceiros). Além disso, a letalidade cresceu: as mortes violentas de mulheres saltaram de 103 para 124 no mesmo período.
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O perigo dentro de casa e na tela do celular
Já o Estado anunciou uma queda de 19,6% nos registros oficiais de tentativas de feminicídio e de 2,8% nos casos consumados no ano de 2025, conforme apontou o Panorama da Violência contra a Mulher, lançado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP).
O estudo, porém, mostra que a violência contra a mulher também ganhou um novo território: o mundo digital. O ISP revela que 3.417 mulheres foram vítimas de violência psicológica online em 2025, um aumento de 20,6%. No total, o Estado registrou uma média de 163 vítimas de violência psicológica por dia, o maior número da série histórica iniciada em 2015.
Para o governo estadual, a queda nos indicadores de feminicídio e tentativas atribui os resultados a políticas integradas, como o Aplicativo Rede Mulher, a Patrulha Maria da Penha e a atuação da Secretaria de Estado da Mulher (SEM). Outro destaque é o programa de educação para homens agressores no Presídio Juíza Patrícia Acioli, que reduziu a reincidência de 17% para apenas 2%.
Leia também no Especial Mulher: Saúde mental no SUS: Teleatendimento para mulheres vítimas de violência chega ao Rio
Radiografia da violência no Rio (2025/2026)
| Indicador | Dado Municipal (Capital) | Dado Estadual (RJ) |
| Frequência de Atendimento | 1 a cada 36 minutos | 163 casos psicológicos/dia |
| Ambiente da Agressão | 60% Residência | Crescimento no Virtual (+20%) |
| Perfil Étnico-Racial | 72% Mulheres Negras | – |
| Violência Física | 74,3% das notificações | 43.309 vítimas |
👉 Confira a cobertura completa sobre direitos e bem-estar feminino em: Especial Mulher – Vida e Ação
Niterói atinge marco histórico de 13 meses sem feminicídios
Enquanto a capital registra alta na violência, cidade vizinha completa mais de um ano sem mortes de mulheres e promove show gratuito com Iza
Enquanto a capital enfrenta o desafio de conter a violência física e digital, que teve alta em 2025, Niterói celebra o índice zero de feminicídios. Em um cenário nacional onde quatro mulheres são mortas por dia, a cidade da Região Metropolitana apresenta um dado que serve de esperança para as políticas públicas de proteção.
Na última quarta-feira (4), o município completou 13 meses sem registrar um único caso de feminicídio. O marco, alcançado por uma cidade de quase 500 mil habitantes, contrasta com o panorama alarmante da capital fluminense, onde a rede de saúde atende uma vítima de violência a cada 36 minutos.
A integração entre as secretarias de Saúde, Mulher e Segurança Pública tem se mostrado o caminho mais eficaz para que outras cidades fluminenses alcancem a mesma segurança da vizinha niteroiense.
Para celebrar a conquista e marcar o Dia Internacional da Mulher, a Prefeitura de Niterói promove neste domingo (8) um show gratuito da cantora IZA no Caminho Niemeyer. A iniciativa faz parte do Mês das Mulheres e busca reafirmar a potência feminina para além das estatísticas de violência.
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Onde buscar ajuda no Rio de Janeiro
As unidades de saúde (Clínicas da Família, UPAs e Hospitais) estão preparadas para oferecer acolhimento imediato, especialmente em casos de violência sexual, com:
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Profilaxia Pós-Exposição (PEP): Deve ser feita em até 72 horas.
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Contracepção de emergência e testes rápidos para ISTs.
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Suporte multidisciplinar: Acesso a psicólogos, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais.
Áreas com maior incidência na capital: Madureira (AP 3.3), Bangu/Realengo (AP 5.1), Santa Cruz (AP 5.3), Ilha do Governador/Leopoldina (AP 3.1) e Campo Grande (AP 5.2).
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Com informações da SES-RJ e SMS-Rio e Prefeitura de Niterói







