O mês de fevereiro ganha a cor roxa para conscientizar a população sobre doenças crônicas e autoimunes, entre elas o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES). Essa condição heterogênea afeta entre 150 mil e 300 mil brasileiros, na maioria mulheres, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). e ataca múltiplos órgãos — como rins, coração e pulmões.
Embora o sol seja o vilão mais conhecido dos pacientes, um perigo silencioso reside dentro de escritórios e residências: a luz artificial. A radiação emitida por lâmpadas fluorescentes e telas de dispositivos eletrônicos pode desencadear crises graves, exigindo cuidados rigorosos com a fotoproteção em ambientes internos.
A fotossensibilidade atinge cerca de 80% das pessoas que convivem com o lúpus. O que muitos desconhecem é que as lâmpadas e as telas de computadores e celulares também emitem radiações capazes de interagir com as células da pele, provocando uma resposta inflamatória.
A exposição contínua à luz artificial pode atuar como um gatilho inflamatório para o paciente com lúpus, principalmente quando essa exposição ocorre sem proteção adequada”, explica a reumatologista Cláudia Goldenstein Schainberg.
Segundo a especialista, quem passa muitas horas diante de dispositivos eletrônicos deve adotar precauções como o uso de filtros protetores de tela e óculos com proteção contra a luz azul.
A importância do protetor solar em ambientes fechados
Para quem convive com o lúpus, o uso do protetor solar não é um hábito de verão, mas uma necessidade terapêutica diária. A recomendação médica é clara: a aplicação deve ocorrer mesmo em dias nublados e dentro de casa. O filtro solar cria uma barreira contra as ondas eletromagnéticas que, ao penetrarem na pele, estimulam o sistema imunológico a atacar o próprio organismo.
Além do filtro, roupas com fator de proteção UV e a escolha de iluminação mais suave (como lâmpadas LED de tonalidades quentes em vez de fluorescentes brancas) são estratégias fundamentais para evitar a fadiga, febre baixa e dores articulares típicas da atividade da doença.
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Desafios na saúde da mulher e gravidez
A incidência da doença é significativamente maior em mulheres em idade fértil (dos 15 aos 45 anos). De acordo com Carolina Orlandi, ginecologista e especialista em nutrologia, o planejamento familiar é vital. “Na gravidez, mulheres com lúpus têm maior risco de abortos e partos prematuros. É essencial esperar pelo menos seis meses com a doença controlada antes de engravidar”, alerta.
A integração entre reumatologistas, patologistas e ginecologistas é o que garante que, mesmo sem cura, o paciente tenha qualidade de vida. Como reforça Hugo Magalhães, da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), a integração entre exames laboratoriais e biópsias é o que permite identificar o processo inflamatório precocemente, reduzindo a mortalidade, que ainda é de 3 a 5 vezes maior que a da população geral.
O que é o Fevereiro Roxo?
Criado para sensibilizar a população sobre doenças crônicas e progressivas, o Fevereiro Roxo traz um alerta essencial: “Se não há cura, que haja conforto!” O lema reforça a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado para reduzir os impactos dessas enfermidades no dia a dia dos pacientes.
As três doenças abordadas pela campanha são:
- Doença de Alzheimer: Uma condição neurodegenerativa que causa perda progressiva da memória e comprometimento cognitivo.
- Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES): Doença autoimune inflamatória que pode afetar a pele, articulações, órgãos internos e o sistema nervoso.
- Fibromialgia: Síndrome caracterizada por dores crônicas generalizadas, fadiga e distúrbios do sono.
Embora tenham causas e impactos diferentes, essas doenças compartilham um fator crucial: o diagnóstico precoce e a adoção de um estilo de vida saudável podem fazer toda a diferença na qualidade de vida dos pacientes”, informa o médico Ronan Araujo.
Prevenção e controle: como reduzir os riscos?
A ciência ainda não descobriu formas definitivas de prevenir essas doenças, mas pesquisas indicam que certos hábitos podem reduzir o risco de desenvolvimento e amenizar os sintomas. Veja o que a medicina recomenda para cada uma delas:
“Apesar de não terem cura, Alzheimer, Lúpus e Fibromialgia podem ser controlados com acompanhamento médico e ajustes na rotina. Quanto mais cedo as doenças forem diagnosticadas, melhor será o manejo dos sintomas e a qualidade de vida do paciente”, destaca o Dr. Ronan Araujo.
Se você ou alguém próximo apresenta sinais dessas doenças, busque ajuda médica e adote hábitos que favorecem o equilíbrio do corpo e da mente. Afinal, se não há cura, que haja conforto e qualidade de vida.
Lúpus: como controlar a inflamação e evitar crises
O Lúpus é uma doença autoimune que pode desencadear inflamações severas em diferentes órgãos. Embora não tenha cura, alguns cuidados ajudam a reduzir o risco de surtos e controlar os sintomas:
- Evitar exposição solar excessiva: A radiação UV pode desencadear crises em pacientes com lúpus. O uso de protetor solar diário é fundamental.
- Dieta equilibrada: Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e ricos em açúcar ajuda a modular a resposta inflamatória. Alimentos ricos em polifenois e ômega-3, como cúrcuma, gengibre e peixes, auxiliam no controle da inflamação.
- Controle do estresse: O estresse pode desencadear crises de lúpus. Técnicas de relaxamento, como meditação e ioga, são aliadas importantes.
- Acompanhamento médico contínuo: O uso adequado de medicamentos imunomoduladores e anti-inflamatórios pode minimizar os impactos da doença no organismo.
Com Assessorias

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