Em 1985, Cazuza compôs e gravou “Codinome Beija–Flor”, um dos maiores sucessos. A canção foi criada enquanto ele se tratava os primeiros sintomas da Aids. Quarenta anos depois, o Hospital São Lucas Copacabana, onde o cantor e compositor ficou internado, inaugurou uma escultura em homenagem à música. A obra interativa, assinada por Mario Pitanguy, celebra os 40 anos da música e a união entre arte, natureza e saúde.
Toda feita em bronze e moldada em formato de beija–flor, a escultura é emoldurada por uma janela, e remete ao quarto onde Cazuza esteve internado em 1985. Era nele que o compositor observava os pássaros que inspiraram a canção do álbum Exagerado, lançado em 1985.
Cercado pela densa vegetação da Mata Atlântica nos fundos do prédio, o compositor via diariamente beija-flores na janela do seu leito. Foi assim, que esses pequenos visitantes, vindos do parque, se eternizaram na letra da canção.
Cazuza foi um dos primeiros artistas famosos no Brasil a assumir publicamente a doença, transformando-se em um símbolo da luta contra o estigma da Aids e conscientizando o público sobre o HIV, algo muito importante na época em que a doença ainda era um tabu.
Mãe de Cazuza se emociona com homenagem
Lucinha Araújo, mãe do artista, participou da inauguração e se emocionou ao relembrar o período.
Codinome Beija–Flor era um beija–flor que vinha todo dia quando ele ficou internado aqui. O Cazuza colocou açúcar na água para ele beber e depois fez a canção. Espero que os beija-flores, que o inspiraram a compor a canção continuem a levar esperança para os pacientes internados, suas famílias e funcionários do hospital”, disse.
A homenagem acontece em pleno Dezembro Vermelho, mês que marca a campanha de prevenção ao HIV/Aids. Nos anos 90, quando Cazuza morreu, a doença era vista como uma sentença de morte. Sua morte foi um marco, encerrando uma breve mas intensa carreira, e sua obra, com músicas como Codinome Beija-Flor continua relevante e sua história foi fundamental para a conscientização sobre a Aids no Brasil.
Esse projeto me deixa muito feliz por ajudar a perpetuar a obra do Cazuza. A cada homenagem é um renascer; sinto que ele não morreu. Não poderia haver homenagem mais bonita”, completou Lucinha.
Os primeiros sintomas da doença, como febre e convulsões, surgiram em 1985, mas Cazuza foi diagnosticado com Aids somente em 1987 e manteve o diagnóstico em segredo por dois anos, revelando-o publicamente em 1989, quando gravou a icônica canção “Brasil e deu a famosa entrevista a Zeca Camargo Folha de S. Paulo.
O cantor e compositor usou sua fama para falar abertamente sobre o vírus e a condição, inspirando muitas pessoas. Ele morreu em 7 de julho de 1990, aos 32 anos, em sua casa em Ipanema, ao lado dos seus pais, em decorrência de um choque séptico causado pela Aids.

Leia mais
Tudo o que você precisa saber sobre o HIV e a Aids
Aids: casos aumentam desde 2013, mas mortalidade é menor
8 brasileiros que marcaram as 4 décadas de epidemia da Aids
Artista que criou a obra é fã de Cazuza
Para o artista plástico Mario Pitanguy, que é fã do cantor e compositor, a escultura criará mais uma oportunidade de unir as pessoas, transformando a memória de uma obra-prima em um refúgio de bem-estar.
Sou um grande fã de Cazuza; poder criar essa homenagem me permite uma aproximação única – é como sentir a presença de alguém que, embora eterno na arte e na memória, já não está entre nós fisicamente. Agradeço ao hospital a confiança e a oportunidade”, diz.

Para Dulce Pugliese, presidente do Conselho da Rede Américas, que administra o hospital, o tributo faz jus à importância de Cazuza: “O que ele fez tem altíssima qualidade musical e poética. Nunca é demais homenagear alguém que deixou tanta beleza. É uma oportunidade de resgatar essa história e trazê-la para este espaço.”
Segundo Vanessa Queiroz, diretora-geral do Hospital São Lucas Copacabana, o espaço verde, que já é palco de várias abordagens terapêuticas, como fisioterapia, fonoaudiologia e momentos de conexão com a natureza, agora será eternizado pela arte e pela música, consolidando-se como um importante ambiente de acolhimento como aliado do tratamento médico-hospitalar.
Com informações do Hospital São Lucas



