Com a chegada da Páscoa, tradicionalmente associada à abundância e ao consumo de chocolate, cresce também a atenção de especialistas para os impactos emocionais desse período. Embora para muitos a data esteja ligada ao prazer e à celebração, para outros pode representar um gatilho para ansiedade, culpa, compulsão alimentar e sensação de perda de controle.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos alimentares estão entre as condições de saúde mental que mais crescem no mundo, afetando milhões de pessoas e frequentemente associados a quadros de ansiedade, depressão e estresse. No Brasil, dados da Associação Brasileira de Psiquiatria mostram aumento na incidência de transtornos alimentares e comportamentos compulsivos, especialmente em contextos de maior pressão emocional e social.
Um levantamento publicado na revista científica Journal of Eating Disorders aponta que episódios de compulsão alimentar estão fortemente relacionados à dificuldade de regulação emocional, sendo a comida utilizada como mecanismo de enfrentamento para lidar com sentimentos negativos. Já a Harvard Medical School destaca que fatores emocionais estão entre os principais gatilhos para padrões alimentares disfuncionais, reforçando a conexão entre saúde mental e comportamento alimentar.
Segundo a psicóloga Andrea Beltran, o aumento do consumo de doces durante a Páscoa pode funcionar como um amplificador de questões emocionais já existentes. “Para muitas pessoas, o chocolate e os encontros em torno da comida não representam apenas prazer, mas também ansiedade, culpa, vazio e perda de controle. Esse período pode intensificar uma relação já fragilizada com o alimento”, afirma.
Na perspectiva da psicologia junguiana, desenvolvida por Carl Gustav Jung, a forma como o indivíduo se relaciona com a comida pode revelar aspectos profundos da vida psíquica. “Quando comer deixa de ser uma escolha consciente e passa a funcionar como uma tentativa de aliviar dores internas, estamos diante de um sinal importante. A compulsão alimentar, muitas vezes, não está ligada apenas à fome do corpo, mas a uma fome emocional e simbólica”, explica a especialista.
Esse comportamento pode estar associado a uma série de fatores emocionais. “Por trás da compulsão podem existir sentimentos não reconhecidos, frustrações acumuladas, solidão, carência afetiva, estresse e até uma dificuldade de entrar em contato com aquilo que realmente falta. Em vez de nomear a dor, a pessoa tenta silenciá-la com o excesso”, diz a especialista.
A psicóloga reforça que, do ponto de vista psicológico, sintomas como a compulsão não surgem de forma aleatória. “Aquilo que foi reprimido, negado ou vivido de forma automática pode encontrar uma saída no corpo e nos impulsos. Muitas vezes, a compulsão aparece como uma tentativa inconsciente de suportar emoções difíceis ou de buscar um conforto imediato diante de conflitos que ainda não foram elaborados”, afirma.
Além dos impactos emocionais, a compulsão alimentar também pode trazer consequências físicas e agravar quadros de saúde. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, comportamentos alimentares desregulados estão associados a riscos aumentados de obesidade, doenças metabólicas e piora da saúde mental, criando um ciclo difícil de interromper sem acompanhamento adequado.
Diante desse cenário, o papel da terapia ganha destaque. “O processo terapêutico ajuda a dar sentido a esse sofrimento. Em vez de olhar apenas para o comportamento alimentar, buscamos compreender a história emocional da pessoa, seus gatilhos, padrões, dores e faltas. Ao longo desse caminho, ela pode aprender a reconhecer o que sente, diferenciar fome física de fome emocional e desenvolver formas mais saudáveis de lidar com o próprio sofrimento”, explica.
Para Andrea, a Páscoa também pode ser ressignificada como um momento de reflexão e cuidado emocional. “Talvez seja uma oportunidade de viver esse período com mais consciência, menos culpa e mais escuta interna. Quando a pessoa entende que a compulsão não define quem ela é, mas sinaliza algo que precisa ser cuidado, abre-se a possibilidade de transformação”, conclui.
Pensamento de formiga ou vontade controlada?
Aquela vontade descontrolada de se acabar em chocolate na abundância? Páscoa pode ser uma resposta do organismo com falta de energia necessitando uma reposição de emergência
Uma das consequências da exaustão física e mental é o cérebro pedir o consumo de doces e com a chegada da Páscoa, a tendência deste alto consumo é disparar ainda mais. Isso porque, o açúcar é o alimento dos neurônios, as células cerebrais. E, para se manter vivo, o corpo humano precisa dessa substância. Após 5 minutos sem glicose, uma pessoa morre. E a fraqueza pode ser um sinal de alerta. Por isso que muitas vezes, pessoas que trabalham muito e usam muito a energia cerebral sentem tanta falta de doces.
O farmacêutico homeopata Jamar Tejada (Tejard), da capital paulista, explica que nem sempre ansiedade está ligada a isso. “Ansiedade na medida é fundamental para trabalhar, cumprir as tarefas do dia a dia e impulsionar a vida de uma maneira geral. Mas, ela sozinha não pode ser a única culpada pelos ataques descontrolados às barras de chocolate”.
Quando o corpo precisa de substrato um energético imediato, pede doce, e isso pode ser sinal de falta de controle nutricional. “Quando há esse descontrole o cérebro pede glicogênio, e naturalmente quer a glicose de rápida absorção, que são os doces, por isso a vontade desse consumo aumenta. O consumo de alimentos ricos em carboidrato de alto índice glicêmico gera um pico de glicose. Se no momento que você comeu não houve uma atividade que exigisse essa demanda de energia, seu corpo armazena em forma de gordura e pouco tempo depois, com a queda brusca de glicemia, o mecanismo da fome é ativado novamente, vira um ciclo vicioso.”, explica o especialista.
Quando temos resistência à insulina a vontade por açúcar vem logo depois do café, almoço ou do jantar, a insulina precisa se conectar às nossas células para fazer com que a glicose entre no sangue e nos dê energia. Quando nos tornamos resistentes à a essa ação, esse ciclo é interrompido fazendo com que a glicose não nos “reenergize” O organismo então sente que precisa de mais energia ou de uma fonte rápida, daí nosso cérebro pede mais uma vez o açúcar ou acabamos comendo mais do que precisa ou recorre ao açúcar.
Driblando o problema
Uma das maneiras de se esquivar das guloseimas é através da nutrição balanceada e nutrir-se de carboidratos de baixo índice glicêmico. “Manter o equilíbrio nutricional é o que vai diminuir muito o impulso por doces em geral. Mas, antes de tudo é preciso ter atenção ao que desperta essa vontade. É preciso reabilitar o estilo de vida e rotina e rever as reais necessidades. É importante interpretar onde está o seu problema, ninguém te conhece mais do que você mesmo”, ensina Tejard.
A realização de exames laboratoriais como glicemia é fundamental para descobrir se essa compulsão não é devida a uma possível diabetes, assim como exames de T3 e T4 para ver se não há uma disfunção na tireóide entre outros exames orientados por um médico ou nutricionista.
Pelos meios naturais
Se a vontade de doce insistir, uma das alternativas naturais mais indicadas por médicos e demais profissionais de saúde é uma fruta nativa do sul da Ásia chamada Garcinia. Essa fruta possui um efeito regulador do apetite, esse efeito ocorre no fígado, via regulação do nível hepático de glicose, o ácido hidroxicítrico atua como um barômetro nos níveis de glicose no sangue.
“Essa fruta é de escolha primária já que não causa os danos comuns aos supressores do apetite que estimulam o SNC e que podem resultar em distúrbios psicológicos, cardiovasculares entre outros. Você pode fazer uso de spray de tintura dessa planta ou ainda tomar as cápsulas, mas sempre com orientação e indicação de um profissional de saúde”, finaliza Jamar.
Aromas como aliado contra a compulsão por doces
Com a chegada da Páscoa, vitrines recheadas de ovos de chocolate e doces irresistíveis despertam um comportamento comum: a vontade de comer açúcar mesmo sem fome. Mas o que muita gente não sabe é que esse impulso não vem do estômago — e sim do cérebro.
Segundo aromaterapeuta e neurocientista Daiana Petry, é possível usar os aromas como aliados nesse período. Alguns óleos essenciais têm a capacidade de modular áreas cerebrais ligadas ao prazer e à recompensa, ajudando a reduzir a compulsão por doces — inclusive durante a Páscoa.
Como os aromas “enganam” o cérebro
“Quando inalamos um aroma, as moléculas aromáticas estimulam diretamente o sistema límbico — região do cérebro responsável por emoções, memórias e comportamento alimentar. Esse estímulo pode gerar sensações de conforto, saciedade e equilíbrio emocional, diminuindo a necessidade de buscar prazer imediato no açúcar. Em outras palavras, o cérebro pode ser “reprogramado” temporariamente por meio do olfato, reduzindo aquela vontade impulsiva de comer chocolate fora de hora”, explica.
Óleos essenciais que podem ajudar na vontade de consumir chocolate na Páscoa
Durante o período, alguns óleos se destacam como aliados para quem quer aproveitar a data com mais consciência:
- Ylang Ylang: aroma doce e floral que promove relaxamento e reduz a ansiedade — um dos principais gatilhos para o consumo de doces.
- Patchouli: com notas amadeiradas, ajuda a diminuir o estresse e a impulsividade, trazendo mais equilíbrio emocional.
- Bergamota: cítrica e refrescante, melhora o humor e pode ajudar a controlar oscilações emocionais que levam ao consumo exagerado.
- Grapefruit: estudos sugerem que pode auxiliar na regulação do apetite, sendo uma boa opção para quem sente vontade constante de “beliscar”.
Como usar na prática durante a Páscoa
A aplicação é simples e pode ser feita nos momentos de maior tentação:
- Pingue de 2 a 3 gotas em um lenço e respire profundamente por alguns minutos ao sentir vontade de doce
- Use difusores de ambiente com combinações como Ylang Ylang + Bergamota ou Patchouli + Grapefruit
- Priorize sempre óleos essenciais puros e de qualidade
Mais do que substituir o doce, o uso dos aromas ajuda a equilibrar emoções e reduzir a associação automática entre prazer e açúcar — algo especialmente importante em datas como a Páscoa, em que o consumo tende a ser mais elevado. Às vezes, é apenas uma pausa, uma respiração profunda — e o aroma certo para acalmar o cérebro.
Com Assessorias




