O mundo inicia 2026 sob o eco de um alerta urgente. Em sua mensagem de Ano Novo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, foi enfático ao descrever uma “encruzilhada” global: enquanto os gastos militares atingem a marca astronômica de 2,7 trilhões de dólares, o colapso climático e as desigualdades sociais avançam sem trégua.

O apelo “escolham as pessoas e o planeta em vez da dor” ressoa não apenas como um pedido diplomático, mas como uma questão de sobrevivência que passa pela Saúde Única (One Health) – conceito que norteia a linha editorial do Portal Vida e Ação, em seu mantra ‘saúde, bem-estar e equilíbrio’.

Um planeta febril e a urgência da ação

O ano que passou deixou cicatrizes profundas. O Brasil e o mundo enfrentaram ondas de calor extremo que romperam recordes históricos, evidenciando que a crise climática não é uma ameaça futura, mas uma realidade presente.

Das enchentes devastadoras às secas prolongadas que afetaram a produção de alimentos e o acesso à água potável, as tragédias de 2025 mostraram que a saúde humana está intrinsecamente ligada à saúde do ecossistema e dos animais.

Quando o planeta adoece, nós adoecemos juntos. Reforçar a importância da Saúde Única torna-se o norte necessário para 2026, integrando o cuidado com o meio ambiente ao nosso bem-estar físico e mental. O desequilíbrio ambiental gera pandemias, agrava doenças respiratórias e amplia a insegurança alimentar.

Assista à mensagem em vídeo no canal da ONU Brasil no YouTube

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O Brasil de volta ao centro: balanço ambiental 2023-2025

Preservação, conservação, fiscalização, sustentabilidade e cuidado: país voltou a ser protagonista nas discussões sobre meio ambiente (Fotos: Governo Federal)

É fundamental olharmos para os alicerces construídos nos últimos três anos no Brasil. O balanço do triênio 2023-2025 do Governo Federal revela que o país não apenas “voltou ao jogo”, mas assumiu a capitania da agenda ambiental global, transformando a preservação em um motor de desenvolvimento econômico.

A reconstrução das políticas ambientais brasileiras nos últimos três anos foi pautada pela transversalidade: o meio ambiente deixou de ser uma pasta isolada para se tornar prioridade em todos os setores do governo. Abaixo, um resumo dos avanços que reconectam o país ao equilíbrio proposto pela Saúde Única:

1. Queda drástica no desmatamento e fogo

Ações de fiscalização foram reforçadas com contratação de efetivo e equipamentos. (Foto: Fernando Augusto/Ibama)

O combate direto ao crime ambiental gerou resultados expressivos, essenciais para a estabilidade do regime climático que afeta a saúde de todos:

  • Amazônia: Redução de 50% no desmatamento, atingindo a terceira menor taxa da história em 2025.

  • Cerrado: Queda de 32,3%, revertendo cinco anos consecutivos de alta.

  • Combate a Incêndios: A área queimada no Brasil caiu 39,5% em 2025 (comparado à média 2017-2024), com destaque para o Pantanal, onde a redução chegou a impressionantes 93,3%.

2. Justiça social e “Bolsa Verde”

Entendendo que não há preservação sem dignidade humana, o programa Bolsa Verde foi reativado, beneficiando 84 mil famílias com auxílios de R$ 600. O foco são comunidades tradicionais e assentados que atuam como guardiões da floresta — 62% dessas famílias são chefiadas por mulheres.

3. Economia de Baixo Carbono e Bioeconomia

Equipes de brigadistas para combate à incêndio foram recompostas (Foto: Mayangdi Inzaulgarat/Ibama)

O país mobilizou R$ 138,1 bilhões em fundos (como o Fundo Clima e o inovador Fundo Florestas Tropicais para Sempre) para provar que “a floresta em pé vale mais que a derrubada”. O Fundo Amazônia atingiu seu recorde histórico em 2025, aprovando R$ 2 bilhões em projetos de restauração e produção sustentável.

4. Liderança na COP30 e Plano Clima

Belém (PA) foi o centro das atenções do mundo nas discussões sobre meio ambiente e mudança do clima (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

Sediada em Belém, a COP30 consolidou o Brasil como o mediador da transição energética global. O país aprovou o seu Plano Clima, um roteiro democrático para zerar emissões líquidas até 2050 e reduzir em até 67% as emissões até 2035, garantindo segurança hídrica e alimentar para as próximas gerações.

5. Direitos Indígenas

Povos originários passaram a ter voz ativa nas discussões sobre conservação do meio ambiente (Foto: Rafael Medelima)

Com a criação do Ministério dos Povos Indígenas e a retomada das demarcações (51 terras indígenas voltaram a receber atenção federal), o Brasil reconheceu formalmente os povos originários como os guardiões mais eficazes da biodiversidade terrestre.

O tripé do futuro: saúde, bem-estar e equilíbrio

Este cenário de reconstrução é o que nos permite olhar para 2026 com a esperança real citada por António Guterres. O Brasil provou que a retomada da fiscalização, aliada ao investimento em bioeconomia, é o caminho para o equilíbrio entre humanidade e natureza.

Para que a mensagem de Guterres se transforme em prática, precisamos adotar o mantra da sustentabilidade em nosso cotidiano. Não se trata apenas de grandes acordos internacionais, mas da “coragem coletiva de agir” mencionada pelo secretário-geral.

Como contribuir para um planeta mais sustentável em 2026:

  • Consumo consciente e local: Reduza a pegada de carbono priorizando produtores locais e alimentos da estação. Isso fortalece a economia da sua região e diminui o impacto do transporte de mercadorias.

  • Eficiência energética e hídrica: Com o calor extremo, o uso de recursos aumenta. Adote tecnologias de baixo consumo e reaproveite a água sempre que possível. O equilíbrio começa no uso racional do que é finito.

  • Redução de resíduos: O plástico é um dos maiores vilões da saúde dos oceanos e, consequentemente, da nossa. Recuse descartáveis e pratique a separação correta do lixo.

  • Mobilidade ativa: Sempre que possível, escolha caminhar, pedalar ou usar transporte público. Menos carros nas ruas significam ar mais limpo e melhor saúde cardiovascular.

  • Conexão com a natureza: O bem-estar mental é parte fundamental da sustentabilidade. Preservar áreas verdes urbanas é garantir espaços de descompressão e regulação térmica para as cidades.

A hora da escolha

Como apontou Guterres, o mundo possui recursos; o que falta é a priorização do que realmente importa. Investir na cura do planeta é, em última análise, investir na paz e na justiça social. Em 2026, a meta deve ser o equilíbrio.

Que possamos olhar para os números trágicos do passado como um combustível para a mudança, transformando a dor em ação e o caos em um novo compromisso com a vida. A Saúde Única nos ensina que não há fronteiras para o impacto ambiental. Que neste novo ano, nossa escolha seja pela humanidade, pela regeneração da Terra e pelo nosso bem-estar coletivo.

Para facilitar a jornada rumo a um 2026 mais equilibrado, preparamos este guia prático com uma meta para cada semana do primeiro mês do ano. O foco é integrar o conceito de Saúde Única  na rotina, conectando a nossa saúde pessoal à saúde do planeta.

🌿 Guia de Bolso para um 2026 mais sustentável e equilibrado

Semana 1: O Equilíbrio do Descarte

  • Ação: Implemente a separação rigorosa de resíduos orgânicos e recicláveis em casa.

  • Por que fazer: Reduz a pressão sobre aterros sanitários e evita a contaminação do solo e da água, protegendo o ecossistema local.

  • Dica: Se a sua cidade não tem recolha seletiva, procure o ponto de entrega voluntária mais próximo para o seu plástico e papel.

Semana 2: Saúde no Prato, Saúde na Terra

  • Ação: Institua a “Segunda sem Carne” e priorize alimentos de produtores locais nesta semana.

  • Por que fazer: A produção de carne é um dos maiores emissores de gases de efeito estufa. Consumir local reduz a emissão de CO2 do transporte.

  • Dica: Visite uma feira livre; os alimentos da estação são mais nutritivos e baratos.

Semana 3: Bem-estar Energético

  • Ação: Reduza o consumo de energia “fantasma” (aparelhos em standby) e ajuste o uso de climatizadores.

  • Por que fazer: O calor extremo de 2025 sobrecarregou as redes elétricas. Economizar energia ajuda a reduzir a necessidade de fontes poluentes.

  • Dica: Aproveite ao máximo a luz natural e a ventilação cruzada para refrescar a casa.

Semana 4: Movimento e Ar Limpo

  • Ação: Substitua o carro por caminhada, bicicleta ou transporte público em pelo menos três trajetos curtos da sua semana.

  • Por que fazer: Melhora a sua saúde cardiovascular (Bem-estar) e diminui a poluição atmosférica que causa doenças respiratórias na população.

  • Dica: Use o tempo da caminhada para observar a arborização do seu bairro; o contato com o verde reduz o stress.

Mantra para 2026: Cuidar de mim é cuidar do mundo. Saúde humana, animal e ambiental são uma só.

Esperamos que este guia ajude os seus leitores a dar o primeiro passo prático após a mensagem inspiradora do secretário-geral da ONU!

Confira abaixo a mensagem da ONU na íntegra

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres (Foto: ONU/Evan Schneide)

Ao entrarmos no novo ano, o mundo encontra-se numa encruzilhada.

O caos e a incerteza rodeiam-nos.

Divisão. Violência. Colapso climático. E violações sistemáticas do direito internacional.

Um retrocesso em relação aos princípios que nos unem enquanto família humana.

As pessoas em todo o mundo perguntam-se: os líderes estão ouvindo? Estão prontos para agir?

Ao virarmos a página de um ano turbulento, um fato fala mais alto do que palavras:

Os gastos militares globais dispararam para 2,7 bilhões de dólares, aumentando quase 10%.

Isto é treze vezes mais do que toda a ajuda ao desenvolvimento, equivalente a todo o Produto Interno Bruto de África.

Tudo isto, enquanto os conflitos atingem níveis nunca antes vistos desde a Segunda Guerra Mundial.

Neste novo ano, resolvamos definir bem as nossas prioridades.

Um mundo mais seguro começa por investir mais no combate à pobreza e menos no combate nas guerras. A paz deve prevalecer.

Está evidente que o mundo tem recursos para salvar vidas, curar o planeta e garantir um futuro de paz e justiça.

Em 2026, apelo a todos os líderes: levem isto a sério. Escolham as pessoas e o planeta em vez da dor.

E exorto todas as pessoas que ouvem esta mensagem: façam a sua parte.

O nosso futuro depende da coragem coletiva de agir.

Neste novo ano, ergamo-nos juntos:

Pela justiça. Pela humanidade. Pela paz.

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