A luta contra a dengue no Brasil ganhou um impulso histórico nesta segunda-feira (9). Em cerimônia na capital paulista, o Ministério da Saúde deu início à vacinação dos profissionais da Atenção Primária do SUS com a Butantan-DV, a primeira vacina de dose única contra a doença no mundo. Aprovada ano passado pela Anvisa, a vacina foi testada para ser aplicada em pessoas com idade de 12 a 59 anos.
A imunização agora foca em quem está na linha de frente: médicos, enfermeiros, técnicos e agentes comunitários de saúde. A estratégia visa proteger aqueles que realizam visitas domiciliares e atendimentos diretos, garantindo a manutenção da rede de cuidado em um momento de alerta epidemiológico. O governo federal já encomendou 3,9 milhões de doses ao Butatan.
Com a parceria com a fábrica chinesa WuXi Vaccines, que deve ampliar a capacidade produtiva do Butatan em até 30 vezes, o ministro Alexandre Padilha previu que a vacinação do público em geral começará ainda em 2026. A campanha seguirá uma ordem decrescente de idade, iniciando pelos adultos de 59 anos e avançando até os jovens de 15 anos.
Investimento de R$ 1,4 bilhão no Instituto Butantan
O evento de abertura da vacinação para equipes da saúde foi marcado pelo anúncio de um investimento massivo de R$ 1,4 bilhão do Governo Federal, via Novo PAC, para transformar o Instituto Butantan em um dos maiores polos de inovação biotecnológica do planeta. Os recursos serão aplicados na construção de duas novas fábricas do Instituto Butantan e a modernização de outras duas (saiba em detalhes mais abaixo).
Ajudar o Butantan é ajudar 215 milhões de almas que precisam que o Estado brasileiro invista. Enquanto eu tiver possibilidade, não faltará dinheiro para a pesquisa neste país. nem no Butantan e nem em outro instituto de pesquisa“, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a visita ao novo Centro de Produção de Vacina contra a Dengue (PVD).
Segundo ele, o objetivo é reduzir a dependência externa de insumos e preparar o Brasil para futuras emergências sanitárias, diferentemente do que ocorreu durante o governo de seu antecessor, Jair Bolsonaro, marcado pelo negacionismo científico. O presidente alertou sobre as fake news que tentam desacreditar sobre a importância da vacinação e ressaltou que é preciso convencer a sociedade a voltar a tomar vacinas “como era antigamente”.
Ciência brasileira em destaque: menos vírus e mais proteção
Além da praticidade da dose única, novos dados científicos reforçam a robustez da vacina nacional. Uma pesquisa publicada em janeiro de 2026 na revista The Lancet Regional Health – Americas demonstrou que a Butantan-DV reduz significativamente a carga viral em pessoas que, mesmo vacinadas, venham a contrair a doença, o que previne o seu agravamento.
A vacina utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado, presente em outros imunizantes em uso no Brasil e no mundo, como a vacina tríplice viral, a vacina contra a febre amarela, a vacina oral contra a poliomielite e algumas vacinas contra a gripe.
De acordo com a avaliação técnica da Anvisa, a Butantan-DV apresentou eficácia global de 74,7% contra dengue sintomática na população de 12 a 59 anos. Isso significa que, em 74% dos casos, a doença foi evitada por conta da vacina, que atua como um escudo que impede a replicação agressiva do vírus no organismo, prevenindo o agravamento do quadro e hospitalizações.
A dose também demonstrou 89% de proteção contra formas graves da doença e contra formas de dengue com sinais de alarme, conforme publicação na The Lancet Infectious Diseases. Segundo a pesquisa, apesar de algumas pessoas terem sido infectadas após a vacinação, a carga viral nos vacinados foi consideravelmente menor do que em participantes não imunizados.
Isso, conforme avaliaram os pesquisadores, demonstrou a eficácia da vacina em induzir resposta imune e diminuir a replicação do vírus nas células.
Injeção de recursos do Novo PAC e autonomia tecnológica
Recursos ampliam autonomia do SUS na produção de vacinas e sua oferta à população. Brasil terá nova plataforma de RNAm, que permite resposta rápida a novas pandemias
O aporte, que se soma a R$ 400 milhões de contrapartida do próprio Butantan, será destinado à construção e reforma de quatro unidades fabris. Além de garantir a modernização de estruturas que já desenvolvem tecnologias modernas, como vacinas com RNA mensageiro, o investimento em reformas e em novas fábricas tem o objetivo de garantir a autonomia brasileira na fabricação de soros e imunizantes avançados.
O investimento integra a política do Governo Federal voltada ao fortalecimento da indústria com foco nas principais necessidades de saúde da população. Com recursos do Novo PAC Saúde, as obras visam garantir autonomia nacional na fabricação de soros e imunizantes avançados, como os de RNAm, colocando o Brasil em nível de excelência no desenvolvimento de inovação biotecnológica”, informou o Ministério da Saúde.
Os recursos serão investidos na construção de uma fábrica de vacina tetravalente contra o Papilomavírus Humano (HPV) e para a reforma da unidade de produção e desenvolvimento de vacinas com a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) para produção do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA).
Será construída também, com o montante anunciado nesta segunda-feira, uma nova fábrica para produção do IFA da vacina DTPa (difteria, tétano e coqueluche); e a reforma do prédio de produção de soros e a criação de uma nova área de envase e liofilização do produto.
- Fábrica de vacina contra HPV: produção nacional do IFA para 20 milhões de doses ao ano, combatendo o câncer de colo de útero.
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Plataforma de tecnologia RNA mensageiro (mRNA): capacidade para 15 milhões de doses, garantindo resposta rápida a novas pandemias.
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Fábrica de vacina DTPa: produção de 6 milhões de doses anuais para proteção de gestantes e profissionais de saúde.
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Modernização da produção de soros: salto de 600 mil para 1,2 milhão de frascos por ano, dobrando a capacidade de atendimento a acidentes com animais peçonhentos.
Vacinas Salvam Vidas
Para o ministro Alexandre Padilha, além de garantir que o Brasil não dependa de insumos importados para vacinar sua população, esses investimentos fortalecem o Complexo Econômico-Industrial da Saúde. Isso significa mais ciência, mais empregos qualificados e um SUS 100% autossuficiente. Segundo ele, foi um dia histórico para a saúde pública brasileira.
Não tenho dúvida nenhuma de que, hoje, nós estamos presenciando um marco histórico que vai colocar o Butantan entre os maiores complexos de inovação tecnológica e industrial do mundo. Diferentemente de outros grandes complexos econômicos, tecnológicos e industriais, esse aqui [o Instituto Butantan] é 100% SUS”.
Cada vacina, cada medicamento, cada tecnologia, cada inovação que vai vir com a terapia celular vai tratar as pessoas no Brasil. E, cada vez mais, vai tratar no mundo, com um único interesse: salvar vidas e não só obter lucro a partir daquilo que produz”, completou.
As ordens de serviço para início das obras foram assinadas na manhã desta segunda-feira, durante cerimônia em São Paulo. O evento contou ainda com as presenças do vice-presidente, Geraldo Alckmin; do ministro da Fazenda, Fernando Haddad; do secretário da Saúde de São Paulo, Eleuses Paiva; e do diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás.
Onde encontrar mais informações oficiais:
A importância da saúde única no combate a zoonoses
A chegada da vacina do Butantan reforça a importância do conceito de Saúde Única (One Health), pilar que guia o portal Vida e Ação. Em um cenário de crise climática, o aumento das temperaturas e as mudanças nas chuvas aceleram o ciclo do mosquito Aedes aegypti. Entender que a saúde humana, animal e ambiental estão conectadas é fundamental para que a vacinação seja acompanhada de vigilância ambiental e saneamento, combatendo a dengue na sua origem biológica e ecológica.
Essa abordagem reconhece que a saúde humana está intrinsecamente ligada à saúde animal e ao equilíbrio do meio ambiente. O controle da dengue exige não apenas imunização, mas uma vigilância integrada que considere o saneamento ambiental e o comportamento das zoonoses em ecossistemas urbanos em transformação. A soberania vacinal do Brasil é, portanto, um pilar fundamental para a resiliência do SUS diante dos desafios ambientais do século XXI.
1. O mosquito não lê prontuário médico
A dengue não é apenas um problema de “vírus no sangue”. É um problema de clima (chuvas e calor), urbanismo (lixo e saneamento) e biologia (o comportamento do mosquito). Se a gente olhar só para o hospital (saúde humana), a gente só enxuga gelo. A Saúde Única é o lembrete de que, se o quintal do vizinho está sujo ou se a temperatura da cidade subiu 2 graus, o hospital vai lotar.
2. A conexão inevitável com o meio ambiente
A maioria das doenças que nos dão dor de cabeça hoje (dengue, zika, chikungunya e até a Covid-19) são zoonoses — doenças que pulam dos animais para os humanos devido ao desequilíbrio ambiental.
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Desmatamento: Tira o predador do mosquito.
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Crise climática: Faz o mosquito se reproduzir mais rápido.
3. A base editorial do Vida e Ação
Saúde Única é um dos pilares editoriais do portal Vida e Ação. Para eles, não faz sentido falar de uma vacina nacional sem mencionar que ela é uma ferramenta dentro de um ecossistema maior que envolve o ambiente e a biologia animal.
Resumindo: É uma tentativa de parar de tratar a doença como um evento isolado e começar a tratá-la como uma consequência do ambiente em que vivemos.
Brasil Rumo à Soberania em Saúde: O Novo PAC no Butantan
Nesta segunda-feira, o Governo Federal anunciou um investimento de R$ 1,4 bilhão (com aporte total chegando a R$ 1,8 bilhão via Instituto Butantan) para transformar a produção de vacinas no país. Confira as principais obras e metas:
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🏭 Nova Fábrica de Vacina contra HPV
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O que fará: Produção nacional do IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) da vacina tetravalente contra o Papilomavírus Humano.
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Capacidade: 20 milhões de doses ao ano.
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Impacto: Autonomia para o SUS e prevenção de cânceres como o de colo de útero.
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🧬 Plataforma de Tecnologia RNA Mensageiro (mRNA)
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O que fará: Reforma de unidade para produzir vacinas sintéticas (como as da Covid-19 e Raiva).
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Capacidade: 15 milhões de doses.
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Impacto: Resposta ultrarrápida a novas pandemias e patógenos desconhecidos.
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💉 Nova Fábrica de Vacina DTPa
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O que fará: Produção nacional do IFA para a vacina tríplice bacteriana acelular (difteria, tétano e coqueluche).
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Capacidade: 6 milhões de doses anuais.
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Impacto: Proteção para gestantes e profissionais de saúde com tecnologia 100% brasileira.
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🐍 Expansão e Modernização da Produção de Soros
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O que fará: Reforma do prédio de soros e nova área de envase e liofilização (secagem).
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Capacidade: Salto de 600 mil para 1,2 milhão de frascos de soro concentrado por ano.
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Impacto: Dobra a capacidade de atendimento a acidentes com animais peçonhentos e outras emergências.
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