A luta contra a dengue no Brasil ganhou um impulso histórico nesta segunda-feira (9). Em cerimônia na capital paulista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, deram início à vacinação dos profissionais da Atenção Primária com a Butantan-DV, a primeira vacina de dose única contra a doença no mundo.
A previsão é atingir 1,2 milhão de trabalhadores da linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS), entre médicos, enfermeiros, técnicos e agentes comunitários de saúde. A estratégia é proteger aqueles que realizam visitas domiciliares e atendimentos diretos, garantindo a manutenção da rede de cuidado em um momento de alerta epidemiológico para o avanço da doença no Brasil.

A vacinação está começando por toda a equipe multiprofissional cadastrada no SUS. São aquelas pessoas que batem na porta, visitam a casa das pessoas, observam se tem criadouro do mosquito da dengue, fazem o acompanhamento, a mobilização. Também são aqueles profissionais que estão na primeira porta de entrada quando tem casos de dengue”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Com investimento de R$ 368 milhões, o Ministério da Saúde fechou a compra de 3,9 milhões de doses, adquirindo todo o quantitativo disponível do Instituto Butantan. As primeiras 650 mil doses já foram enviadas aos estados e o restante do quantitativo está previsto para os próximos dias. No Rio de Janeiro, a ação deve beneficiar mais de 77 mil profissionais de saúde, com 33,3 mil doses já encaminhadas ao estado.

Público-alvo da vacinação no SUS

O início da vacinação pelos profissionais da Atenção Primária é um passo estratégico para proteger quem atua próximo à população, como informou o MS. Abaixo, os profissionais que deverão ser contemplados nesta fase.

Profissionais de saúde assistenciais e de prevenção:

  • Médicos
  • Enfermeiros
  • Técnicos de enfermagem
  • Odontólogos
  • Equipes multiprofissionais (eMulti)
  • Agentes comunitários de saúde (ACS)
  • Agentes de combate às endemias (ACE)

Trabalhadores administrativos e de apoio das unidades de saúde:

  • Recepcionistas
  • Seguranças
  • Profissionais da limpeza
  • Motoristas de ambulância
  • Cozinheiros
  • Outros trabalhadores atuantes nas unidades básicas de saúde (UBS)

Público em geral começa a ser vacinado no segundo semestre

Com parceria internacional, oferta da vacina deve crescer em até 30 vezes

Aprovada ano passado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a vacina tetraviral e 100% nacional desenvolvida pelo Instituto Butantan foi testada para ser aplicada em pessoas com idade de 12 a 59 anos. O imunizante apresenta 74,7% de eficácia contra a dengue sintomática, além de 89% de proteção contra formas graves e com sinais de alarme.

A ampliação para outros públicos – pessoas de 15 a 59 anos, começando pelos mais velhos – está prevista para o segundo semestre deste ano, acompanhando o aumento da capacidade produtiva pelo Instituto Butantan.

vacinação da população em geral começa com o aumento da produção de doses, a partir de uma parceria estratégica entre Brasil e China, com a transferência da tecnologia nacional desenvolvida pelo Butantan para a WuXi Vaccines. Com essa cooperação, a produção da vacina nacional poderá aumentar em até 30 vezes.

Adolescentes continuam recebendo vacina japonesa

O Ministério da Saúde adotou também estratégia de vacinação para avaliar o impacto do imunizante na dinâmica populacional da dengue. Para isso, está em curso, desde janeiro, uma ação de aceleração da vacinação em três municípios-piloto: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Nessas localidades, o público-alvo será composto por adolescentes e adultos de 15 a 59 anos.

O público prioritário para a vacina foi definido após reunião técnica com especialistas da área, conforme recomendação da Câmara Técnica de Assessoramento de Imunização (CTAI), responsável pelas análises e pela definição das estratégias. A nova vacina é capaz de proteger contra os quatro sorotipos da dengue.

O SUS também oferece a vacina contra a dengue do laboratório japonês Takeda, indicada para adolescentes de 10 a 14 anos e aplicada em duas doses. Desde a incorporação, em 2024, 7,4 milhões de doses já foram aplicadas. Entre 2024 e 2025, foram 11,1 milhões de doses distribuídas e 7,8 milhões aplicadas.

Investimento de R$ 1,4 bilhão no Instituto Butantan

Governo já encomendou 3,9 milhões de doses e investe R$ 1,4 bilhão no Butantan para ampliar infraestrutura e produção de vacinas e insumo

09.02.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de anúncios relacionados à infraestrutura de produção de insumos e imunobiológicos no Auditório do Centro Administrativo do Butantan. São Paulo (SP) - Brasil Foto: Ricardo Stuckert / PR

O desenvolvimento da vacina contra a dengue contou com investimento de R$ 130 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além de aportes permanentes do Ministério da Saúde.
O evento de abertura da vacinação para equipes da saúde foi marcado pelo anúncio de um investimento massivo de R$ 1,4 bilhão do Governo Federal, via Novo PAC Saúde, para transformar o Instituto Butantan em um dos maiores polos de inovação biotecnológica do planeta. Os recursos serão aplicados na construção de duas novas fábricas do Instituto Butantan e a modernização de outras duas (saiba em detalhes mais abaixo).

Ajudar o Butantan é ajudar 215 milhões de almas que precisam que o Estado brasileiro invista. Enquanto eu tiver possibilidade, não faltará dinheiro para a pesquisa neste país. nem no Butantan e nem em outro instituto de pesquisa“, afirmou o presidente Lula durante a visita ao novo Centro de Produção de Vacina contra a Dengue (PVD).

Segundo ele, o objetivo é reduzir a dependência externa de insumos e preparar o Brasil para futuras emergências sanitárias, diferentemente do que ocorreu durante o governo de seu antecessor, Jair Bolsonaro, marcado pelo negacionismo científico.

O presidente alertou sobre as fake news que tentam desacreditar sobre a importância da vacinação e ressaltou que é preciso convencer a sociedade a voltar a tomar vacinas “como era antigamente”.

Injeção de recursos do Novo PAC e autonomia tecnológica

Recursos ampliam autonomia do SUS na produção de vacinas e sua oferta à população. Brasil terá nova plataforma de RNAm, que permite resposta rápida a novas pandemias

O aporte, que se soma a R$ 400 milhões de contrapartida do próprio Butantan, será destinado à construção e reforma de quatro unidades fabris. Além de garantir a modernização de estruturas que já desenvolvem tecnologias modernas, como vacinas com RNA mensageiro, o investimento em reformas e em novas fábricas tem o objetivo de garantir a autonomia brasileira na fabricação de soros e imunizantes avançados.

O investimento integra a política do Governo Federal voltada ao fortalecimento da indústria com foco nas principais necessidades de saúde da população. Com recursos do Novo PAC Saúde, as obras visam garantir autonomia nacional na fabricação de soros e imunizantes avançados, como os de RNAm, colocando o Brasil em nível de excelência no desenvolvimento de inovação biotecnológica”, informou o Ministério da Saúde.

Os recursos serão investidos na construção de uma fábrica de vacina tetravalente contra o Papilomavírus Humano (HPV) e para a reforma da unidade de produção e desenvolvimento de vacinas com a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) para produção do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA).

Será construída também, com o montante anunciado nesta segunda-feira, uma nova fábrica para produção do IFA da vacina DTPa (difteria, tétano e coqueluche); e a reforma do prédio de produção de soros e a criação de uma nova área de envase e liofilização do produto.

  • Fábrica de vacina contra HPV: produção nacional do IFA para 20 milhões de doses ao ano, combatendo o câncer de colo de útero.
  • Plataforma de tecnologia RNA mensageiro (mRNA): capacidade para 15 milhões de doses, garantindo resposta rápida a novas pandemias.

  • Fábrica de vacina DTPa: produção de 6 milhões de doses anuais para proteção de gestantes e profissionais de saúde.

  • Modernização da produção de soros: salto de 600 mil para 1,2 milhão de frascos por ano, dobrando a capacidade de atendimento a acidentes com animais peçonhentos.

Ciência brasileira rumo à autonomia em vacinas

São Paulo (SP), 09/02/2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, fala durante cerimônia para o anúncio do investimentos de R$ 1,4 bilhão do governo federal destinados à ampliação da infraestrutura e da capacidade produtiva de vacinas e soros pelo Instituto Butantan. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Para o ministro Alexandre Padilha, além de garantir que o Brasil não dependa de insumos importados para vacinar sua população, esses investimentos fortalecem o Complexo Econômico-Industrial da Saúde. Isso significa mais ciência, mais empregos qualificados e um SUS 100% autossuficiente. Segundo ele, foi um dia histórico para a saúde pública brasileira.

Não tenho dúvida nenhuma de que, hoje, nós estamos presenciando um marco histórico que vai colocar o Butantan entre os maiores complexos de inovação tecnológica e industrial do mundo. Diferentemente de outros grandes complexos econômicos, tecnológicos e industriais, esse aqui [o Instituto Butantan] é 100% SUS”.

Cada vacina, cada medicamento, cada tecnologia, cada inovação que vai vir com a terapia celular vai tratar as pessoas no Brasil. E, cada vez mais, vai tratar no mundo, com um único interesse: salvar vidas e não só obter lucro a partir daquilo que produz”, completou.

As ordens de serviço para início das obras foram assinadas na manhã desta segunda-feira, durante cerimônia em São Paulo.  O evento contou ainda com as presenças do vice-presidente, Geraldo Alckmin; do ministro da Fazenda, Fernando Haddad; do secretário da Saúde de São Paulo, Eleuses Paiva; e do diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás.

Vacinas Salvam Vidas: menos vírus e mais proteção

A vacina brasileira contra a dengue representa um avanço importante para a autonomia do país e oferta de proteção à população. Além da praticidade da dose única, novos dados científicos reforçam a robustez da vacina nacional.

Uma pesquisa publicada em janeiro de 2026 na revista The Lancet Regional Health – Americas demonstrou que a Butantan-DV reduz significativamente a carga viral em pessoas que, mesmo vacinadas, venham a contrair a doença, o que previne o seu agravamento.

A vacina utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado, presente em outros imunizantes em uso no Brasil e no mundo, como a vacina tríplice viral, a vacina contra a febre amarela, a vacina oral contra a poliomielite e algumas vacinas contra a gripe. 

De acordo com a avaliação técnica da Anvisa, a Butantan-DV apresentou eficácia global de 74,7% contra dengue sintomática na população de 12 a 59 anos. Isso significa que, em 74% dos casos, a doença foi evitada por conta da vacina, que atua como um escudo que impede a replicação agressiva do vírus no organismo, prevenindo o agravamento do quadro e hospitalizações.

A dose também demonstrou 89% de proteção contra formas graves da doença e contra formas de dengue com sinais de alarme, conforme publicação na The Lancet Infectious Diseases. Segundo a pesquisa, apesar de algumas pessoas terem sido infectadas após a vacinação, a carga viral nos vacinados foi consideravelmente menor do que em participantes não imunizados.

Isso, conforme avaliaram os pesquisadores, demonstrou a eficácia da vacina em induzir resposta imune e diminuir a replicação do vírus nas células.

Cenário epidemiológico da dengue no Brasil

Em 2025, os casos de dengue no Brasil caíram 74% em relação a 2024. Apesar da redução expressiva, o Ministério da Saúde reforça que as ações de combate ao Aedes aegypti devem ser mantidas em todo o território nacional.

Ao longo do ano, foram registrados 1,7 milhão de casos prováveis da doença, frente a 6,5 milhões no ano anterior. O número de óbitos também apresentou queda significativa: 1,7 mil mortes em 2025, o que representa redução de 72% em comparação a 2024, quando foram contabilizadas 6,3 mil mortes.

A principal forma de combate à dengue, Chikungunya e Zika segue sendo a eliminação dos criadouros do mosquito Aedes aegypti. A vacinação se soma às ações de controle vetorial, uso de inseticidas, testes rápidos e tecnologias inovadoras.

Onde encontrar mais informações oficiais:

Com informações do Ministério da Saúde (atualizada em 11/02/26)

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