Novas pesquisas publicadas em 2024 evidenciam o agravamento de sintomas psicológicos entre adolescentes e jovens adultos no Brasil, com impacto desproporcional sobre jovens negros. Um dos estudos, realizado com 618 participantes entre 15 e 36 anos, identificou que 48,1% apresentaram dependência moderada de internet, relacionada a níveis mais altos de ansiedade, depressão, estresse e piora da qualidade do sono. A pesquisa também mostrou que o sofrimento psicológico e o uso problemático da internet são preditores diretos de distúrbios do sono, como insônia.
Outro estudo de 2024, publicado na BMC Psychology, reforça a associação entre dependência de celular, ansiedade e alterações no sono, indicando que jovens com menor atividade física tendem a apresentar sintomas mais intensos. Os achados sugerem um ciclo de retroalimentação: quanto maior o estresse emocional, maior o uso de telas, o que, por sua vez, afeta o sono e amplia o sofrimento psíquico.
Especialistas alertam que esse cenário é agravado entre jovens negros, que enfrentam maior exposição a desigualdades estruturais, discriminação racial e menor acesso a serviços de saúde mental. Para a psicóloga junguiana Andrea Beltran, fatores sociais e raciais ampliam a vulnerabilidade emocional e afetam diretamente o processo de desenvolvimento psíquico.
Para os jovens negros, o racismo e a desigualdade funcionam como uma espécie de sombra coletiva que interfere na vida emocional, bloqueia o processo de individuação e intensifica sintomas como ansiedade e insônia”, afirma Dra. Beltran.
Segundo ela, a falta de reconhecimento institucional e social da experiência racial desses jovens contribui para sentimentos de inadequação, sobrecarga emocional e dificuldades na construção identitária. “Eles lidam não apenas com suas questões individuais, mas também com o peso de um ambiente que oferece menos oportunidades e mais barreiras”, diz.
A psicóloga destaca que o enfrentamento da crise de saúde mental nessa população exige ações que vão além do atendimento clínico tradicional. Entre as medidas necessárias, a Dra. aponta a ampliação do acesso equitativo ao cuidado psicológico, a criação de espaços de acolhimento e pertencimento e a implementação de políticas públicas antirracistas.
A saúde mental dos jovens negros só pode avançar quando há apoio emocional, social e institucional. Isso permite que desenvolvam sua força interior e avancem em suas trajetórias com dignidade”, afirma.
Os estudos reforçam a necessidade de abordagens integradas que considerem o impacto do racismo estrutural, da desigualdade social e do uso problemático de tecnologias na saúde mental da juventude brasileira.




