O avanço da obesidade no mundo assumiu contornos de epidemia global. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a prevalência da doença dobrou em quatro décadas, atingindo atualmente uma em cada oito pessoas no planeta. No Brasil, o cenário é ainda mais crítico: mais da metade da população adulta está acima do peso, sendo que 34% já vivem com a obesidade estabelecida.

Instituído pela Federação Mundial da Obesidade, o dia 4 de março busca conscientizar sobre a natureza desta patologia. Diferente do que muitos acreditam, a obesidade é uma doença crônica e multifatorial, influenciada por genética, hormônios e metabolismo, exigindo controle contínuo.

A patologia é recorrente e progressiva, podendo piorar rapidamente com a ausência de tratamento adequado”, alerta Sávio Diego do Nascimento Cavalcante, endocrinologista do Hospital Santa Marcelina.

O alerta para as futuras gerações

Uma das maiores preocupações da comunidade médica reside na infância e adolescência. O Atlas Global sobre Obesidade Infantil revela que nenhum país está plenamente no caminho para atingir as metas de combate à doença nesta faixa etária. O aumento do consumo de ultraprocessados e o sedentarismo digital são os principais vilões.

Atualmente, mais de 60% das crianças passam mais de três horas por dia em frente às telas. Precisamos incentivar a redução desse tempo e o retorno às atividades físicas supervisionadas“, comenta o especialista.

Para prevenir o quadro, as recomendações são claras:

  • Atividade física: Praticar ao menos 150 minutos semanais para prevenção e entre 250 a 300 minutos para tratamento.

  • Alimentação consciente: Priorizar alimentos frescos e carboidratos complexos, evitando gorduras trans e açúcares refinados.

  • Leitura de rótulos: Identificar ingredientes nocivos escondidos em produtos processados.

Tratamento multiprofissional

Para quem já convive com a doença, o tratamento deve ser integral, envolvendo médicos, nutricionistas e educadores físicos. Além da reeducação alimentar, o uso de medicamentos específicos ou a indicação de cirurgia bariátrica podem ser necessários em casos graves.

O foco, segundo o Dr. Sávio Cavalcante, deve ser a troca do “pronto” pelo “natural”: “Sempre reforço a máxima: descascar mais e desembalar menos. O controle do peso é um compromisso diário com a longevidade”.

Tabela: O que priorizar na dieta (Gorduras Boas vs. Ruins)

Tipo de Gordura Exemplos de alimentos Impacto na saúde
Poliinsaturadas (boas) Abacate, nozes, castanhas, peixes (atum/sardinha), azeite. Proteção cardiovascular e controle glicêmico.
Saturadas e trans (ruins) Frituras, margarina, ultraprocessados, gordura animal. Aumento do colesterol e estado inflamatório.

 

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