Cuidados paliativos: quando a cura não pode mais ser alcançada

Pioneiro na área de cuidados paliativos em câncer no Brasil, Inca dispõe de uma unidade em Vila Isabel, que atende cerca de 1.700 novos pacientes por ano

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Mesmo com todos os avanços científicos e tecnológicos no campo da saúde, muitos pacientes com câncer não alcançarão a cura, mas isso não significa que esses pacientes deixam de ter assistência médica. Pelo contrário, é essencial assegurar qualidade de vida, prover um efetivo controle de dor e de outros sintomas para que vivam com dignidade até o último dia de suas vidas. “Lidar com a terminalidade é sempre difícil para o paciente, familiares e também para a equipe. Garantir um cuidado que permita que isso ocorra da forma menos dolorosa possível é nossa meta diária”, afirma  a médica paliativista Germana Hunes, diretora do Hospital do Câncer IV, uma unidade do Inca em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro, que cuida de pacientes terminais.

No Hospital do Câncer IV (HC IV), cerca de 1.700 novos pacientes por ano fazem acompanhamento regular com uma equipe multiprofissional, formada por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos, farmacêuticos, fonoaudiólogos e pela capelania. “A equipe é especializada no controle de sintomas ocasionados pela evolução da doença ou pelo tratamento e no manejo da Dor Total, gerada por questões físicas, psicossociais e espirituais. Além disso, a equipe auxilia nas complexas interações de comunicação e a lidar com o impacto emocional das doenças avançadas junto aos pacientes e seus familiares”, diz Germana.

O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), que celebra os seus 80 anos em 2017, é pioneiro na área de cuidados paliativos em câncer no Brasil. Para marcar o Dia Mundial do Cuidado Paliativo (lembrado no segundo sábado de outubro), o Inca realiza nesta quarta-feira (dia 1 de novembro) um encontro para debater o tema.

Este ano o objetivo do evento é tornar o Dia do Cuidado Paliativo uma data institucional e através dos temas, aproximar os profissionais de saúde e a sociedade desta temática essencial ao cuidado integral aos pacientes. A ação acontece na Praça Cruz Vermelha, 23- Centro- Rio de Janeiro, Auditório Moacyr Santos Silva- 8º andar, de 8h30 às 12h. As inscrições são gratuitas no local.

Visitas domiciliares

O trabalho realizado no HC IV permite um cuidado integral ao paciente, envolvendo os aspectos físicos, psicossociais e espirituais. Nos casos em que o paciente tem alguma situação clínica ou funcional que restrinja ou impeça o seu deslocamento ao hospital, é a equipe que vai até ele. Este serviço é conhecido como Assistência Domiciliar (AD) do Inca, uma prática já consolidada no Instituto que atende atualmente uma média de 180 pacientes por mês.

São cerca de 1.000 visitas por mês, com um intervalo médio de cinco dias entre as visitas, para que os pacientes que já se encontram no fim da vida possam ser acompanhados da melhor maneira possível, sem o desgaste desnecessário do deslocamento até o hospital.

“A AD é realizada por uma equipe multidisciplinar incluindo médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, assistentes sociais e psicólogos, que se deslocam do HC IV até a residência do paciente,” conta Germana. “Cabe destacar que todos os medicamentos para o controle efetivo dos sintomas, bem como os materiais médico-hospitalares essenciais à assistência do paciente são fornecidos ao paciente pelo SUS através do Inca.”

Germana destaca que a organização do serviço prevê a cobertura de uma área de abrangência de até 80 km do HC IV. Com isso é possível atender todo o município do Rio de Janeiro e vários municípios vizinhos, incluindo grande parte da Baixada Fluminense.

“Um dos nossos desafios atualmente tem sido a aproximação e o estreitamento do relacionamento com a rede de atenção básica de saúde, com propostas de ampliação da visão da rede de cuidados ao paciente e o estabelecimento de parcerias, já que a perspectiva é de oferecer todo o suporte necessário ao paciente e família em seu contexto domiciliar. As estratégias pensadas e colocadas em prática já permitiram experiências exitosas não somente no município do Rio de Janeiro, mas também com outros municípios,” diz ela.

Tanto para os pacientes da assistência domiciliar quanto para aqueles que se deslocam até o hospital para atendimento, o cuidado paliativo é fundamental. Germana ressalta que a equipe especializada do HC IV pode ajudar o paciente e a família a lidarem melhor com os vários aspectos de uma doença que está além da cura.

Além do atendimento, o Inca está comprometido com a formação de novos profissionais paliativistas. O Instituto tem um programa de pós-graduação aos moldes fellow para medicina em cuidados paliativos desde 2000 e a residência médica na área foi iniciada em 2014. Em 2017, iniciou-se o programa de fellow de enfermagem em cuidados paliativos e em 2018 haverá o início do programa na área de nutrição.

Outras categorias também estão desenvolvendo projetos para fellow em diversas áreas. Muitos profissionais que passam pelas especializações e residências do Inca são de outros estados do Brasil, e ao fim do programa retornam a seus estados de origem aptos a aplicar por todo o país um trabalho especializado em cuidados paliativos.

Fonte: Inca

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